Sururu I
Fez algum sururu pela direita em geral –
Surpreendidos com este «murro no estômago» (palavras do primeiro-ministro Passos Coelho) vindo de uma das tão incensadas e indiscutíveis agências de notação (que, já agora, «fez descer» os bancos portugueses para o nível do «lixo»), logo a seguir ao apoio expresso do BCE, Governo e banqueiros fizeram de novo coro num inusitado ataque à Moody's e às duas congéneres. Descobriram repentinamente que «estas agências norte-americanas» não eram «imparciais», chamaram-lhes nomes variados e desataram a exigir «a rápida constituição de uma agência de notação europeia».
Ora tomem, que já almoçaram, ó «petulantes» agências norte-americanas!
Sururu II
O que os nossos governantes, banqueiros e chusma de «comentadores ao serviço» não disseram, pois claro, é que nada disto é estranho: estas «agências de notação» estavam apenas a servir docilmente «os mercados» – ou seja, os grandes financeiros que dominaram completamente as economias, os processos produtivos e o poder político, ao ponto de terem conduzido o próprio sistema a um novo colapso provocado pela especulação financeira (onde já vai a especulação sobre as produções de cada país!) levada ao absurdo.
Um absurdo tão desmedido como o ocorrido com a famosa «bolha» dos prime-times dos EUA, onde – e citando apenas um exemplo – foram vendidas milhões de casas a milhões de famílias pobres emprestando-lhes a totalidade do dinheiro «sob a garantia» de daí a seis meses venderem a casa por uma quantia tão superior que permitiria «pagar o empréstimo» e ainda ficar com uma pipa de massa. Até que um dia esta «bolha» especulativa rebentou... e foi o desastre que se sabe,
Entretanto, esteve instalada durante anos em Wall Street uma autêntica e mui respeitável... «D. Branca».
Sururu III
E o poder destes grandes «financeiros», que dominam o mundo através dos famosos «mercados», é tão absoluto que, nem após a sua comprovadíssima responsabilidade pelo desencadear da actual e imparável «crise», alguém foi minimamente posto em causa, com um pormenor tão decisivo, como sinistro: o mundo continuou a girar sob a batuta e as mesmíssimas regras desta gente.
Ora essa batuta «determinou» agora, sempre a coberto dos famosos «mercados», que os «países periféricos» da UE são uma excelente presa.
Por isso, a palavra de ordem é derrubá-los, subjugá-los e espremê-los até ao tutano.
A prova disto, e em carne viva, é a Grécia: um ano depois da «ajuda» do FMI está toda a riqueza estrutural do país abocanhada ao desbarato pelos «mercados», ao ponto de se ter tornado amarga anedota a que corre pela Grécia, dizendo que, do país, já só resta o Partenon, em Atenas.
É isto que nos espera. No imediato.