Nobre
Subitamente, a «bomba» rebentou e quase pediu meças, no falatório gerado, ao escândalo do FMI a entrar cofres adentro, no País. Referimo-nos, evidentemente, ao anúncio do ex-candidato presidencial, Fernando Nobre, de ir integrar as listas do PSD por Lisboa nas próximas eleições, sob a condição de ser nomeado (após eleito, supõe-se...)... presidente da Assembleia da República!
Já se sabia (e Nobre nunca o desmentiu) que a sua inopinada candidatura à Presidência da República surgiu após encontros, também repentinos, com Mário Soares, um conspirador nato, que terá assim (continuam a murmurar as más-línguas) «acertado contas» com Manuel Alegre, arranjando-lhe um rival à sua candidatura também apresentada ao escrutínio das presidenciais.
Não se sabia é que Nobre levara tão à letra a incumbência, que a transmutaria em ambição – a de ser presidente de qualquer coisa. É claro que o homem já era presidente da AMI, mas não deve valer-lhe a mesma coisa, dado ter sido fundada por si próprio. Mas que não desanime: se não conseguir ser presidente da AR, como não conseguiu ser Presidente da República, seguem-se largas centenas de colectividades pelo País fora, todas com presidências frescas e sequiosas de candidatos, sobretudo dos que suam independência por todos os poros, como o caro candidato Nobre o demonstrou cabalmente ao ter sido, sucessivamente, candidato pelo BE, contra os partidos e, agora, pelo PSD.
Independências destas, são uma garantia.
Atrasos
As dificuldades financeiras das empresas públicas estão a reflectir-se num agravamento do prazo médio de pagamento aos fornecedores. Segundo dados oficiais (da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças), o prazo médio de pagamento agravou-se em 37 dias, passando de 82 para 119 dias.
Deve ser uma boa notícia para os «amigos do FMI»: tal aumento nos atrasos de pagamento pode ser um excelente pretexto para fechar as empresas públicas de imediato, sem olhar a necessidades públicas ou a serviços prestados. E, sobretudo, sem mais explicações...
Dificuldades
Mas não são apenas as empresas públicas a registar dificuldades no pagamento a fornecedores. Segundo uma sondagem desta semana, está a aumentar o número de portugueses, cidadãos anónimos, que apresentam dificuldades em liquidar coisas essenciais como a renda da casa, a água, a luz e a comida.
Para dar ânimo, os «amigos do FMI» já fizeram saber que começam a impor «novas exigências» já a partir da próxima semana.
Com amigos destes, efectivamente Portugal não precisa de quaisquer inimigos, venham eles de onde quiserem.
Refeições
Alastra o movimento que está a levar várias câmaras municipais a abrir as cantinas escolares nas férias da Páscoa para responder às carências alimentares que afectam muitas das crianças que frequentam as suas escolas.
É a mobilização autárquica a responder às necessidades básicas das populações, promovida por uma grande conquista de Abril – o poder local democrático.
Mas até isto irá ser posto em causa, quando o FMI começar a impor (ainda mais) cortes às autarquias...