Protestos eclodem no Norte
Mais de 20 mil pessoas manifestam-se, dia 2, no Norte de Nicósia, contra as medidas de austeridade impostas pela Turquia, potência que mantém a parte Norte do Chipre sob ocupação desde 1974.
Já em 28 de Janeiro a população do Norte se tinha manifestado contra as restrições orçamentais ditadas por Ankara para reduzir o défice do território. O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reagiu com arrogância colonial, acusando os manifestantes de «cuspirem na mão de quem lhes dá de comer» e ameaçando-os com a Justiça.
As declarações de Erdogan foram mal recebidas e atearam ainda mais a contestação contra a tutela turca, trazendo às ruas cerca de um sétimo da população turco-cipriota, para exigir o fim da ocupação turca e a reunificação da ilha.
Na sexta-feira, 4, as instalações do jornal Afrika, partidário da reunificação, foram alvejadas a tiro e o seu chefe de redacção, Sener Levent, recebeu ameaças de morte.
A população autóctone sente-se cada vez mais oprimida pela forte presença militar turca (cerca de 40 mil soldados) e por um número crescente de colonos turcos que se têm instalado no Norte de Chipre.