Isto é tão evidente… que ninguém vê?!
Ou melhor, alguns vêem. Os que são informados, os que não são analfabetos culturais, os que se interessam; mas também aqueles que provocam a série infindável de maldades, crimes e destruições que assolam este magnífico planeta onde temos vivido. Estes últimos vêem e sabem bem o que andam a fazer.
A destruição de Hospitais, Centros de Saúde, Maternidades: não é claro que quantos mais morrerem de falta de cuidados médicos, de doenças, de assistência, mais fácil se torna a gestão da Saúde e mais cómoda e proveitosamente surgem as poupanças neste campo?
E como complemento, não está bem visível a perseguição movida ao pessoal da Saúde, de uma ponta à outra, com o fim de os pôr em causa, de lhes cortar salários, de aumentar a repressão?
O assalto à bolsa do cidadão: não será por demais evidente os cortes sistemáticos nos salários, ano após ano, agravando, «para compensar», os aumentos dos impostos e dos bens e serviços de que todos necessitamos, promovendo à socapa a morte pela fome e pelo desespero que vai chegando?
A destruição de escolas e maiores dificuldades na sua frequência: vê-se bem que quanto menos alfabetizados e instruídos os povos mais facilmente serão manipulados. E não sendo esta destruição suficiente, como desconhecer a opressão que é movida contra professores, aumentando-lhes o tempo de leccionação, agravando encargos com retribuições diminuídas, retirando-lhes direitos? E tentando pôr em causa o seu bom nome.
Já nem se fala no Acordo Ortográfico que atira às malvas as origens, etimologias, costumes e tradições da nossa Língua Portuguesa! É a cereja no topo do bolo!
Mas, em compensação, falemos na introdução de novas formas de nos expressarmos à maneira como, por exemplo, o expressivo «wow!», interjeição espectacular que é bem mais «cool» do que o saloio ena!, português decadente…
É caso para dizer que estamos abertos às inovações, à evolução dos seres e das coisas, às novas tecnologias. Mas tanta e tão descarada vileza, não!
Tudo isto, e muito mais, está evidente para os que procuram, por qualquer meio, ter uma imagem o mais clara possível do que se passa por este mundo e do que se instalou no nosso País.
Esse muito mais está bem visível no embuste da União Europeia, na aceitação inacreditável dos acordos feitos à vontade de governantes alemães e franceses, aceitação que roça as raias da subserviência perante um país que dita ordens cinquenta anos depois de ter cometido as maiores atrocidades no mundo que se dizia civilizado!
E a treta do euro ainda irá dar muito que falar…
Esse muito mais traz à memória o comportamento inchado de mentira e criminoso (está bem visível para quem queira ver e lembrar os preâmbulos da invasão do Iraque e enforcamento do seu presidente) de um país que se arvora campeão da democracia e especialista em se meter onde quer que seja que cheire a petróleo.
Está também, esse muito mais, nas regulares reuniões e cimeiras que abundam nas hostes que se assumem com arrogância como donas do planeta e que apenas se movem com um objectivo: transformar seis biliões de seres humanos em novos escravos ao serviço dos seus interesses. E quem são eles?
Será que não queremos ver? Será que todos acreditamos que, por mais destruição e mortandade que por aí eles espalhem, afinal será nosso «o reino dos céus»?! Entretanto, todos cá pela terra a morrer de fome e doença, mas todos em grande contentamento?!...
Quem serão esses que nos garantem a felicidade post mortem, mas que garantem a eles próprios a riqueza com milhares de milhões cá na terra, riqueza criada pelos que, como eles gostam de nos fazer crer, se preparam para transpor o portal que lhes dá o ingresso à eterna felicidade, andrajosos, esfomeados, doentes, mas saltitantes de enorme satisfação por, finalmente, alcançarem o tal reino da bem-aventurança?
Quem são eles? Quem são esses modernos negreiros que se autoproclamam defensores da democracia e do bem-estar das populações?
Gente multimilionária e banqueiros e até mesmo bandoleiros, na primeira linha, incluindo desde logo o pouco conhecido grupo Bilderberg mas bem conhecido pelos assuntos escabrosos que debate (e decide!!...) nas suas reuniões; logo a seguir, mas não podendo dizer-se que estejam na segunda linha, os sucessivos governos dos países que se dizem mais influentes da União Europeia, designadamente Alemanha, França, Reino Unido; e os servis governos dos restantes países e seus representantes, como os de Portugal, sempre sorridentes e prontos para dar seguimento a tamanhas malvadezas.
Não esquecendo os que, não sendo negreiros, conseguem adoptar e manter um comportamento que acaba por assegurar o funcionamento dos que o são e afirmando, em simultâneo, que levam a efeito a importante guerra contra a pobreza que os primeiros provocam, guerra essa nunca por eles ganha, mas que tal derrota não lhes crie insónias…
Tudo isto é tão evidente que já nem a comunicação social consegue escamotear. Embora tente, vergonhosamente.
Tudo isto está à vista. É só querer ver.
Mas façamos, todos, um esforço para agir em conformidade.
E aos que não conseguem ver, ajudêmo-los.
É a nossa obrigação.
Nem será necessário cão-guia ou bengala electrónica.