Sócrates à toa
Comentando os resultados do último Conselho Europeu, nomeadamente a ideia da «governação económica», o primeiro-ministro não hesitou em classificar o enclave de «acontecimento histórico».
Faz hoje oito dias, no debate quinzenal no Parlamento, voltou a não esconder a sua satisfação por este passo no sentido de «uma maior coordenação económica».
O pior foi quando se viu confrontado pelo Secretário-geral do PCP para que esclarecesse os conteúdos da dita, em particular o chamado «pacto para a competitividade» subscrito pelo eixo franco-alemão.
Tratava-se de clarificar se era verdade ou não que entre as medidas preconizadas estava, por exemplo, a desvalorização dos salários ou o aumento da idade de reforma para os 67 anos.
José Sócrates, que antes não poupara elogios às medidas do Conselho Europeu, acabou a dizer que «não sabia», que «não houve nenhuma discussão sobre nenhuma medida em concreto».
Admitindo que não faltou à verdade, cabe perguntar como pode gabar tanto o que «desconhece»...
Afronta israelita
A Assembleia da República apreciou e votou na passada semana projectos de resolução do PCP, «Os Verdes» e BE propondo o reconhecimento do Estado palestiniano. Os textos acabaram chumbados pelo PS e PSD que, entretanto, subscreveram e fizeram aprovar (apenas com os seus votos) um outro projecto de resolução, este bem mais recuado.
Tudo isto parte do normal funcionamento do plenário da AR e do seu processo legislativo. Aqui e, diga-se, em qualquer parlamento. Quem assim não vê a coisa é a embaixada de Israel em Lisboa, que, logo depois de conhecida a votação, divulgou uma nota a criticar de forma destemperada o que afirma ser uma «iniciativa que nasceu dos partidos da extrema-esquerda», classificando-a de «provocação», para acrescentar estar a mesma carregada de «ódio ao povo judeu e ao Estado de Israel». À animosidade não escapam nem PS e PSD, lamentando a embaixada que tenham também apresentado uma resolução, que interpreta como uma interferência nas negociações entre israelitas e palestinianos.
Esta posição do embaixador de Israel em Lisboa, Ehud Gol, evidenciando ela sim rancor e uma inadmissível ingerência, diz bem da arrogância e prepotência de um Estado que mantém uma política de terror sobre o povo palestiniano, impede uma solução justa para a Palestina, e faz letra morta do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas.
Lutas... pela nossa saúde
É sabido que as despesas em Saúde sobrecarregam cada vez mais o bolso dos portugueses. Esse é o resultado da contínua transferência de custos para os utentes.
À medida que se degradam os cuidados de saúde, com o desinvestimento no SNS, floresce a oferta no sector privado, que nunca escondeu o seu apetite pelo sector.
Ao ritmo a que as coisas têm andado não admira, por isso, que a ministra da Saúde tenha anunciado há dias com visível satisfação a redução da despesa, que disse estar controlada, garantindo ainda estar o SNS de boa saúde. Pudera... Quem não pode dizer o mesmo são as populações a quem, sentindo a sua vida a andar para trás, não resta outra alternativa que não seja de se organizarem e fazerem ouvir a sua voz em protesto contra esta política que transforma os cuidados de saúde num bem cada vez mais inacessível.