Estas eleições vão deixar marcas

Filipe Diniz

Não será de­certo no ac­tual quadro de uma de­mo­cracia pro­fun­da­mente cer­ceada que as elei­ções po­derão al­terar ra­di­cal­mente a si­tu­ação exis­tente. Mas quais­quer que sejam as vo­ta­ções ob­tidas por cada can­di­dato nas elei­ções de do­mingo pró­ximo, uma coisa é certa: vão deixar marcas.

Vão deixar marcas em Ca­vaco Silva, cuja face au­to­ri­tária e ar­ro­gante ficou mais vi­sível do que nunca; cujo verniz «im­po­luto» ficou ir­re­me­di­a­vel­mente man­chado pelas pouco re­co­men­dá­veis com­pa­nhias que há muito con­serva e pelas mal es­cla­re­cidas em­bru­lhadas em que apa­receu me­tido; que fi­cará de­fi­ni­ti­va­mente iden­ti­fi­cado pela hi­po­crisia e des­fa­çatez com que pre­tendeu des­res­pon­sa­bi­lizar-se da si­tu­ação que o País atra­vessa; que não po­derá mais dis­farçar o pro­fundo re­ac­ci­o­na­rismo que lhe pre­enche a pouco gi­nas­ti­cada ca­beça.

Vão deixar marcas em Ma­nuel Alegre, no PS e no BE, cúm­plices ac­tivos numa can­di­da­tura e numa cam­panha de mis­ti­fi­cação e de des­res­pon­sa­bi­li­zação da go­ver­nação de Só­crates. Cúm­plices ac­tivos numa cam­panha que pre­tendeu in­culcar a ab­so­luta e an­ti­de­mo­crá­tica fal­si­dade de que as op­ções exis­tentes se re­su­mi­riam à al­ter­na­tiva entre Ca­vaco e Alegre, entre po­lí­tica de di­reita e po­lí­tica de di­reita.

Vão deixar marcas em Fer­nando Nobre, o «de­di­cado hu­ma­ni­tário» cujo pen­sa­mento po­lí­tico re­ac­ci­o­nário e em muitos as­pectos fas­ci­zante se co­loca à di­reita do pró­prio Ca­vaco Silva.

Vão deixar marcas na já re­du­zida cre­di­bi­li­dade de «co­men­ta­dores» e dos grandes média, que as­su­miram do pri­meiro ao úl­timo dia a ta­refa de dis­torcer e ocultar as reais al­ter­na­tivas em con­fronto e de con­di­ci­onar a opi­nião do elei­to­rado.

Vão deixar marcas em todos aqueles que fi­zerem a co­ra­josa e co­e­rente opção de votar Fran­cisco Lopes. Porque este voto é bem mais do que uma cruz num bo­letim. É uma exi­gência de mu­dança, pa­trió­tica e po­pular. É uma afir­mação de es­pe­rança e um com­pro­misso de luta.

De uma luta que a mag­ní­fica e com­ba­tiva cam­panha de massas mo­bi­li­zada por esta can­di­da­tura con­firma que con­tinua.

Esta cam­panha teve a marca da luta e das as­pi­ra­ções dos tra­ba­lha­dores e do povo a uma vida me­lhor. Nada apa­gará essa marca.



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