O FMI e outros trocos

Jorge Cordeiro

Se o que temos por certo e aprendido de duas coisas iguais a uma terceira serem por consequência iguais entre si, então por certo se chegará à conclusão que Cavaco Silva, Passos Coelho e a política de direita são parte e expressão desta lógica dedução. Vem a tese a propósito do que, quer um quer outro, discorreram sobre a situação do País, a governação que lhe está associada e a anunciada ameaça da entrada do Fundo Monetário Internacional.

O que antes Cavaco Silva adiantara quanto ao falhanço provado do Governo se o FMI cá entrasse, Passos Coelho rematou para idêntico cenário com um concludente «haja eleições», com base na tese de que quem falhou antes não pode deixar de falhar depois. Um e outro fingindo ignorar que o «falhanço» de terceiros é, por inteiro, falha deles próprios. Desde logo porque, quer Passos Coelho quer Cavaco Silva, são cúmplices do rumo de desastre e de declínio que tem acentuado a dependência do País. Não há medida ou opção que Governo e PS tenham decidido, que não tenha contado com a activa cooperação estratégica do actual Presidente da República ou com o empenhado apoio do PSD. Do roubo nos salários ao corte nos apoios sociais, da promíscua cobertura à gestão danosa e fraudulenta de entidades financeiras ao proteccionismo assegurado à especulação e à acumulação de lucros, dificilmente se identificará algo que possam arremessar a terceiros que os não atinja por inteiro. Depois porque quer um quer outro, à imagem de quem agora criticam, têm da afirmação soberana do país aquela remota ideia de que ela é o que possa sobrar depois de atendidos os interesses de países terceiros, satisfeita a agiotagem dos mercados financeiros, cumprida as directivas impostas pelo capital financeiro europeu.

Para um e para outro, a exemplo daqueles a quem criticam, a chamada «ajuda externa», e o que ela de facto significaria de alienação de soberania, não é mais que o esperado reforço e justificação para poderem ver prosseguido o caminho de exploração, desigualdades e injustiças. Trocos, portanto, na funda algibeira da política de direita.



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