Controladores ameaçados de prisão

Grevistas perseguidos

A procuradoria de Madrid apresentou uma queixa por «sedição» contra os controladores dos aeroportos de Barajas e Torrejón de Ardoz que não compareceram ao trabalho nos dias 3 e 4 de Dezembro.

Controladores espanhóis acusados de crime de sedição

Image 6446

De acordo com o jornal El País (29.12), a procuradoria dirige a acusação não contra o grupo de 26 que foram convocados a prestar declarações, mas contra os controladores «em geral», preparando-se para pedir penas de prisão até oito anos por alegado crime de «sedição».

Todavia, em declarações citadas pelo mesmo órgão de imprensa, o procurador-geral do Estado, Cándido Conde-Pumpido, afirmou que será feita uma diferenciação de responsabilidades entre os dirigentes que promoveram a «greve selvagem» e os que se limitaram a secundá-la.

Para Conde-Pumpido, «o abandono colectivo de um aeroporto, com a paralisação do tráfego aéreo é um delito muito grave penalizado pela lei de navegação aérea com uma sanção de prisão entre três e oito anos».

Este magistrado considerou ainda que o protesto dos controladores não configura «uma questão laboral porque não foram utilizadas em nenhum momento as vias legais, mas um abandono premeditado, concertado e colectivo dos aeroportos com graves danos para os cidadãos e para Espanha, razão pela qual diversas procuradorias iniciaram diligências de investigação».

No entanto, para já, a investigação baseia-se apenas num relatório da entidade empregadora, AENA, e em informações da polícia que incluem uma lista dos controladores que não se apresentaram ao serviço. Todos os 26 controladores convocados nos dias 9, 10 e 13 de Dezembro recusaram-se a prestar declarações.

Recorde-se que o governo espanhol declarou o estado de emergência, no dia 4 de Dezembro, colocando sob regime militar o espaço aéreo e os controladores. A medida inédita, desde a transição do país para a democracia, foi justificada com o facto de a paralisação daqueles profissionais impedir o direito de livre circulação, situação que o governo qualificou de «calamidade pública de enorme magnitude» e «catástrofe pública».

 

Privatização em marcha

 

Entretanto, as autoridades de Madrid anunciaram, dia 22, a privatização do controlo aéreo em 13 dos 47 aeroportos de Espanha. Segundo o ministro do Desenvolvimento, José Blanco, a liberalização do serviço de controlo de torre terá uma repercussão directa nas taxas de navegação que poderão ser reduzidas em 15 por cento.



Mais artigos de: Europa

Crimes macabros ocultados pelo Ocidente

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa irá debater, no próximo dia 25, um relatório que implica directamente o primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaçi, na extracção e tráfico de órgãos humanos.

Pobreza aumenta no Reino Unido

Um recente estudo publicado no Reino Unido calcula que até 2014 haverá no país mais 900 mil pessoas a viver na pobreza absoluta, em consequência dos drásticos cortes nas prestações sociais decididos pelo governo de David Cameron. O Institute of Fiscal Studies (IFS),...

Grécia levanta muro à imigração

O ministro grego da Imigração, Christos Paputsis, confirmou, na terça-feira, 4, a intenção do seu governo de erguer uma barreira física na sua fronteira com a Turquia, com vista a impedir a imigração ilegal. O projecto, que tem uma extensão de 12,5...

Bruxelas interpela governo húngaro

A Comissão Europeia exigiu, na segunda-feira, 3, explicações à Hungria pela recente aprovação de duas leis que têm suscitado protestos no interior e no exterior do país. Uma delas refere-se à criação de uma nova autoridade de supervisão...

Derivados de um capitalismo à deriva

À entrada na segunda década do século XXI, o número de seres humanos a passar fome aproxima-se dos mil milhões. De acordo com a FAO, 925 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer e a subnutrição contribui para mais de metade das 9,7...