Governo esconde a verdade

O desemprego está a aumentar em Portugal

Eugénio Rosa

Os dados do INE sobre a evo­lução do de­sem­prego em Por­tugal re­velam que o de­sem­prego não pára de au­mentar em Por­tugal. O nú­mero ofi­cial de de­sem­pre­gados atingiu os 609,4 mil no 3.º tri­mestre de 2010, mas o nú­mero real, cal­cu­lado também com base em dados do INE, atingiu já 761,5 mil de­sem­pre­gados.

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Com o ob­jec­tivo de de­sa­cre­ditar estes nú­meros ofi­ciais, o Go­verno tem uti­li­zado o de­sem­prego re­gis­tado di­vul­gado pelo Ins­ti­tuto de Em­prego e For­mação Pro­fis­si­onal (IEFP) que só abrange os de­sem­pre­gados que se ins­cre­veram nos Cen­tros de Em­prego. Todos os que não se ins­cre­veram (e são muitos) não constam desses dados. E mesmo os dados do IEFP são re­du­zidos ad­mi­nis­tra­ti­va­mente como se vai provar.

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O Grá­fico I, cons­truído com os dados men­sais do IEFP, mostra a grande di­fe­rença entre o nú­mero de de­sem­pre­gados que se ins­cre­veram men­sal­mente nos Cen­tros de Em­prego e o nú­mero de de­sem­pre­gados a quem os Cen­tros de Em­prego con­se­guiram ar­ranjar tra­balho.

Entre 1 de Ja­neiro e 30 de No­vembro de 2010 ins­cre­veram-se nos Cen­tros de Em­prego 631 972 novos de­sem­pre­gados, ou seja, uma média de 57 452 de­sem­pre­gados por mês. Du­rante o mesmo pe­ríodo de tempo, os Cen­tros de Em­prego con­se­guiram ar­ranjar tra­balho para apenas 65 828 de­sem­pre­gados, ou seja, uma média de 5984 por mês. Assim, o nú­mero de de­sem­pre­gados que se ins­cre­veram no pe­ríodo Ja­neiro/​No­vembro 2010 foi su­pe­rior ao nú­mero dos que ar­ran­jaram tra­balho em 566 144. Apesar disto, o nú­mero de de­sem­pre­gados ins­critos nos Cen­tros de Em­prego não au­mentou; até di­mi­nuiu.

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O Grá­fico II, cons­truído também com dados do IEFP, mostra o de­sem­prego re­gis­tado no fim de cada mês que foi di­vul­gado pelo Ins­ti­tuto de Em­prego e For­mação Pro­fis­si­onal.

Apesar de o nú­mero de novos de­sem­pre­gados ins­critos ser 9,6 vezes su­pe­rior ao nú­mero da­queles a quem estes Cen­tros con­se­guem ar­ranjar tra­balho, o de­sem­prego re­gis­tado di­vul­gado pelo IEFP no 2.º se­mestre é in­fe­rior ao do 1.º se­mestre como re­vela cla­ra­mente o Grá­fico an­te­rior.

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O Grá­fico III, cons­truído igual­mente com dados di­vul­gados men­sal­mente pelo IEFP, mostra o nú­mero de de­sem­pre­gados eli­mi­nados em cada mês dos fi­cheiros dos Cen­tros de Em­prego. Entre 1 de Ja­neiro e 30 de No­vembro de 2010 foram eli­mi­nados dos fi­cheiros 543 892 de­sem­pre­gados, ou seja, uma média de 49 445 de­sem­pre­gados por mês.

Apesar de ser um nú­mero tão ele­vado, o IEFP nunca apre­sentou na in­for­mação que di­vulga todos os meses as ra­zões desse facto, apesar de so­li­ci­tado a fazê-lo, assim como da va­ri­ação que se ve­ri­fica de mês para mês como re­vela o Grá­fico (Jan. 2010: eli­mi­nados 29 389; em Nov. 2010: 59 722).

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O Grá­fico IV, também cons­truído com dados do MTSS, mostra o nú­mero de de­sem­pre­gados ins­critos nos Cen­tros de Em­prego e o nú­mero desses a re­ceber sub­sídio de de­sem­prego.

Em Ja­neiro de 2010, o nú­mero de de­sem­pre­gados a re­ceber o sub­sídio de de­sem­prego re­pre­sen­tava 63,8% do nu­mero total de de­sem­pre­gados ins­critos; e, em No­vembro de 2010, essa per­cen­tagem di­mi­nuiu para apenas 57,4%. É clara a re­dução do apoio aos de­sem­pre­gados em Por­tugal. E tenha-se pre­sente que muitos de­sem­pre­gados não estão ins­critos nos Cen­tros. Por isto também a mi­séria está a au­mentar em Por­tugal pe­rante a in­di­fe­rença do Go­verno.



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