À luta que continua!
Estamos prestes a entrar num novo ano. Por estes dias todos os jornais e revistas, rádios e televisões, os órgãos de comunicação social de referência e os nem por isso, farão balanços circunstanciados sobre 2010, ditarão quais as figuras e os factos do ano, e colocarão os mais entendidos politólogos a opinar sobre o que virá por aí.
Se há facto que marca o ano de 2010 é a luta do povo
Não fiz o exercício de comparar critérios e resultados de cada um dos órgãos da comunicação social dominante. Afinal, quantos poderiam assumir que no ano da graça de 2010 o que ficará para a história é, não a crise que se arrasta nas últimas décadas, mas o aprofundar da consciência das profundas injustiças sociais de que ela é sinal? Não a política de direita protagonizada, à vez ou em conjunto, por PS, PSD e CDS, nos últimos trinta e quatro anos, mas a vigorosa resposta que a ela opuseram os trabalhadores e o povo? Não as negociatas entre PS e PSD, numa dança pimba de que Cavaco foi o sempre presente maestro, mas a unidade construída na luta e na acção em defesa dos direitos dos que menos têm? Não as sucessivas submissões do Governo português aos ditames dos grandes grupos económicos e do capital financeiro, esteja ele representado no PSI 20 ou na mesa do Conselho Europeu, mas os vibrantes gritos de revolta e de defesa da independência e da soberania nacionais que no nosso país se ouviram? Não as vozes dos senhores da guerra, que chegaram a Lisboa armados até aos dentes e daqui saíram ainda mais armados contra os povos do mundo, mas a expressão de um povo que, na Avenida da Liberdade, honrando os valores de Abril, se reafirmou amante da liberdade e da paz?
Sim, se há facto que marca 2010 é a luta do nosso povo, de que a Greve Geral é um marco incontornável beneficiando da prolongada acção que nos diversos sectores se desenvolveu ao longo do ano.
Em todas as áreas assistimos a uma vigorosa resposta à ofensiva que se intensificou. Os estudantes mobilizaram-se contra os exames nacionais, pela educação sexual, contra as propinas, pela acção social, enfim pela escola pública, gratuita e de qualidade. Os agricultores, em defesa do direito a produzir e a obter preços justos pelas sua produções.
Os jovens trabalhadores, em defesa do trabalho com direitos e contra a precariedade. As populações, contra a introdução de portagens nas SCUT e pelo direito à mobilidade, contra o encerramento de serviços públicos, designadamente de educação e de saúde.
No seguimento destas lutas, a Greve Geral foi de facto um marco. Como o Comité Central do PCP assinalou na sua reunião de Novembro, a Greve Geral, com a participação de mais de três milhões de trabalhadores, e que foi também de todos os que, querendo, não puderam participar nela, ficará para sempre inscrita na história da luta dos trabalhadores portugueses pelo seu extraordinário êxito.
Tarefas centrais
Neste final de 2010 cada um estará já a pensar nos brindes que fará na noite de sexta-feira, 31 de Dezembro.
Ouvido o discurso natalício de José Sócrates, que se poderia resumir na popular expressão «vira o disco e toca o mesmo», com sacrifícios para os trabalhadores, o povo e o País, sabemos que de novo se coloca a exigência de uma política alternativa e de uma alternativa política que lhe dê corpo.
Alternativa cuja construção, conforme afirmámos no XVIII Congresso, se revela dia-a-dia como um processo necessariamente complexo e eventualmente demorado. A vida encarrega-se de mostrar à saciedade que o capital aproveitará quanto puder para, com a justificação da crise, acentuar a exploração. E mobilizará todos os meios políticos, económicos, ideológicos, militares se considerar necessário, para o conseguir. Mas no Congresso afirmámos também que a alternativa tornar-se-á tão mais próxima quanto se conjugarem dois elementos centrais: o desenvolvimento da luta de massas e o reforço do Partido.
Luta a partir das empresas e dos locais de trabalho, em acções localizadas ou iniciativas convergentes. Luta em torno dos problemas concretos dos trabalhadores e das populações. A luta organizada que faz tremer os poderosos. E o reforço do Partido, principalmente lá, nas empresas, onde se dá o conflito central da humanidade, o conflito entre o trabalho e o capital, a luta de classes.
Tarefas que estão colocadas a todos de forma integrada e que têm até dia 23 de Janeiro, na campanha da candidatura patriótica e de esquerda à Presidência da República, a candidatura do camarada Francisco Lopes, o elemento polarizador. Mas que, ao longo de todo o ano de 2011, em que assinalaremos o 90.º aniversário do nosso Partido, serão, em qualquer circunstância, o que determinará os desenvolvimentos da situação política e social.
Brindemos, pois, à luta que continua!