Francisco Lopes é candidato
O candidato do PCP às eleições presidenciais de 23 de Janeiro fez anteontem a entrega do processo legal, com 14161 assinaturas, no Tribunal Constitucional.
A «experiência» de Cavaco está à vista
Esta foi a primeira candidatura a ser formalizada no TC. Francisco Lopes esteve acompanhado pelo seu mandatário nacional, José Barata-Moura, e outros membros da Comissão de Candidatura.
Aos jornalistas que acompanharam aquele momento, o candidato comunista realçou que o número de assinaturas, muito acima do mínimo exigido, e o prazo relativamente curto em que foram recolhidas constituem factos demonstrativos do entusiasmo crescente em torno da candidatura, reafirmada como um sinal indispensável para a ruptura e a mudança de que Portugal precisa, para retomar um rumo vinculado aos valores de Abril e concretizar um projecto patriótico e de esquerda em Portugal.
Francisco Lopes referiu-se à «experiência», invocada na véspera por Cavaco Silva, negando que tal represente uma vantagem do recandidato. Os resultados dessa «experiência», nos últimos cinco anos em Belém, como na década em que esteve à frente do Governo, estão à vista na situação actual do País, o que leva o candidato do PCP a defender que tal «experiência» não só não é necessária como tem que ser dispensada pelo povo português, para que não continue a agravar os problemas nacionais e a aprofundar as injustiças sociais.
A intensa campanha de esclarecimento e mobilização para o voto em Francisco Lopes iria prosseguir, ao final da tarde, num hotel de Lisboa, para onde estava marcado um encontro com professores, estudantes e pais. Hoje Francisco Lopes visita o concelho de Alenquer.
A candidatura foi decidida pelo Comité Central do PCP, a 24 de Agosto. A 10 de Setembro foi apresentada a Declaração de Candidatura. No dia 21 de Setembro, José Barata-Moura foi anunciado como mandatário nacional. A 28 de Outubro foram divulgados os mandatários distritais e regionais.
Uma primeira lista de apoiantes (actualizada nas páginas centrais desta edição) foi tornada pública a 25 de Outubro. O Partido Ecologista «Os Verdes» e a Associação «Intervenção Democrática» comunicaram em Novembro o seu apoio à candidatura de Francisco Lopes.