A greve geral nos distritos e regiões
No Algarve, a greve paralisou totalmente portos, barras e o aeroporto, afectando serviços da administração pública, câmaras e serviços municipais, hospitais, ensino, incluindo a própria universidade, onde três directores de faculdade se integraram na jornada de luta. Não houve recolha de lixo em Olhão, Loulé, Lagos e Vira Real de Santo António. Nas autarquias locais, a adesão elevou-se a 85 por cento. Desta vez também foi visível o encerramento do pequeno comércio, em particular nas cidades de Vila Real de Santo António, Lagos e Loulé, sendo que muitas lojas abertas tinham afixado nas montras um cartaz de protesto distribuído pela Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas. Na grande distribuição, um número significativo fez greve. Um dos casos exemplares verificou-se no Lidl de Tavira, que abriu com dois chefes, um a repor fruta, o outro à caixa, enquanto os trabalhadores se concentraram à porta.
Aveiro
No distrito de Aveiro, a greve geral parou a produção da Renault CACIA. Aqui, a administração impediu a entrada do piquete de greve. A produção também parou na têxtil Califa, em São João da Madeira, e na Amorim Revestimentos, em Santa Maria da Feira, havendo elevados índices de adesão em várias outras unidades fabris (Trecar, Subercor, Gestamp, etc.) O mesmo nas Lanchas de S. Jacinto (100%) e na Moveaveiro, empresa de transportes urbanos (87%), cujas portas teriam ficado fechadas não fosse o director-geral tê-las aberto ilegalmente. De manhã apenas 4 dos 30 autocarros circularam. Depois só houve serviços mínimos. Como no resto do país, a greve teve grande expressão na Administração Pública, com o encerramento de serviços camarários, escolas, centros de saúde, hospitais, tribunais ou finanças.
Beja
No distrito de Beja registou-se significativas adesões em praticamente todas as autarquias. Na CM de Beja, a paragem foi total nos estaleiros e recolha do lixo, atingindo os 96,25 por cento nos serviços técnicos e administrativos. Situação semelhante observou-se nos hospitais de Beja (90%) e Serpa (100%). Muitas escolas dos diversos níveis de ensino não funcionaram. Nos transportes destacou-se a paralisação da Turitalefe – Transportes Urbanos de Beja, que teve todos os veículos parados, bem como da Rodoviária do Alentejo, onde apenas houve duas carreiras. O sector privado e cooperativo, designadamente metalúrgico e alimentar, foi também afectado.
Braga
O Distrito de Braga destacou-se na jornada da Greve Geral com uma forte mobilização de milhares de trabalhadores. Na Continental Mabor, a adesão foi de 40 por cento, subindo para 90 por cento no complexo Grundig e na Jado Ibéria, e para paralisação completa na FPS, cujo pavilhão em Celeirós esteve encerrado.
Nos serviços de recolha do lixo de Guimarães e Famalicão, a greve foi cumprida por 100 por cento pelos trabalhadores, e em Braga por 50 por cento.
Nos transportes rodoviários dos concelhos de Braga, Vila Verde, Amares, Terras de Bouro ou Guimarães, não houve circulação ou esta foi residual.
Em nota enviada às redacções, a Organização Regional de Braga do PCP destaca ainda o elevado número de serviços públicos nos quais a Greve Geral foi retumbante, designadamente no Hospital de Braga, nas escolas Carlos Amarante, de Maximinos, Sá de Miranda, Alcaides de Faria, Martins Sarmento, e no Tribunal de Braga e Barcelos, e outros serviços da Administração Local.
A intervenção das forças de segurança em algumas empresas impediu a acção dos piquetes de greve, mas a repressão teve o seu momento mais negro quando o patrão do Intermarché de Famalicão atropelou duas trabalhadoras que se encontravam no piquete.
Bragança
Em Bragança, a Greve Geral teve particular incidência nas ligações aéreas, nos serviços públicos e nos transportes urbanos, com adesões entre os 60 e os 100 por cento. No centro de distribuição dos CTT em Bragança, a paralisação foi cumprida por 50 por cento dos trabalhadores, e em Torre de Moncorvo atingiu os 95 por cento.
Na câmaras municipais de Moncorvo, Miranda do Douro, Carrazeda de Ansiães, Vimioso e Bragança, a greve também se fez sentir, mas foi particularmente visível no sector operário em Mirandela, com 80 por cento.
Castelo Branco
O distrito de Castelo Branco não fugiu à regra traduzindo o grande descontentamento dos trabalhadores da administração pública, desde a administração local aos trabalhadores judiciais, da saúde ou do ensino. Em todos estes sectores a adesão foi muito significativa: 70 por cento dos enfermeiros fizeram greve, os tribunais da Covilhã, Fundão e Castelo Branco apenas garantiram serviços mínimos. No próprio sector privado o protesto foi expressivo, designadamente em empresas como a lanifícios Paulo de Oliveira (70 %), Danone (50%), metalúrgica Denifer (60%) ou a banca, em particular na CGD.
CoimbraEm Coimbra foi a forte adesão dos trabalhadores dos vários sectores, designadamente o ferroviário, com muitos comboios suprimidos, os hospitais, cujos funcionamento esteve reduzida aos serviços mínimos, sobretudo devido à grande participação dos enfermeiros e auxiliares. Várias escolas básicas e secundárias, assim como importantes serviços de apoio à Universidade, como alguns refeitórios, estiveram encerrados. No que respeita às autarquias, a limpeza urbana foi o sector onde se registou as mais fortes adesões, mas em muitos serviços municipais a paralisação fez-se sentir de forma aguda.
ÉvoraNo distrito de Évora, a greve provocou o encerramento de serviços em praticamente todos os municípios. As câmaras de Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Alandroal, Mora estiveram fechadas. O protesto fez-se sentir também nos sectores da saúde e educação. Outros serviços públicos como finanças, conservatórias ou tribunais paralisaram. Várias empresas do sector privado foram afectadas apesar das pressões e chantagem exercidas sobre os trabalhadores, como foi o caso da KARMAN – GHUIA, em Vendas Novas, cujo patrão ofereceu 25 euros aos trabalhadores que não fizessem greve, ou na TYCO e Kemet, em Évora, onde os trabalhadores são na sua maioria precários.
Guarda
No distrito da Guarda o balanço é também muito positivo. Registaram-se níveis de adesão bastante significativos em vários sectores, como a Saúde, com o Hospital Sousa Martins a assegurar apenas os serviços mínimos, e o Hospital de Seia, onde enfermeiros e administrativos tiveram igualmente uma participação significativa.
Para o grande contributo que a Guarda deu à Greve Geral concorreu ainda o fecho de 10 agrupamentos de escolas e de três repartições de finanças. Vários foram os tribunais a funcionar só com os serviços mínimos e encerrada esteve a Caixa Geral de Depósitos de Gouveia, tal como três centros locais da Segurança Social e o Parque e Museu de Foz Côa.
LeiriaNo distrito de Leiria foram muito positivos os níveis de participação, fazendo-se sentir sobretudo no sector público. Nas autarquias, como em Peniche, fecharam as portas da Câmara e das piscinas municipais, enquanto a recolha de lixo registou uma adesão de 75 por cento. Muito fortes foram ainda as participações nos serviços de saúde, nas Finanças (superando os níveis de adesão observados noutras greves) e nos tribunais, conservatórias e registos. Nos CTT encerraram balcões e os carteiros fizeram greve muito perto dos cem por cento. O porto de Peniche viu a sua actividade bastante reduzida e a lota praticamente não funcionou, enquanto no sector das conservas foram também várias as empresas a registar fortes perturbações. Realce, por fim, para os sectores do vidro, moldes e metalurgia onde centenas de trabalhadores participaram pela primeira vez numa greve.
Lisboa
No distrito de Lisboa, a greve geral registou «a maior adesão de sempre a uma greve geral e em muitos sectores, ultrapassou as nossas expectativas», declarou ao Avante! Armindo Miranda, membro da Comissão Política do PCP.
«Provou a muitas centenas de milhares de trabalhadores, tendo ou não aderido à greve, que a capacidade transformadora da luta, em coesão e unidade, em torno dos problemas concretos, não tem limites, e é um bom exemplo do que as massas trabalhadoras podem fazer».
Destacando a participação, «sem precedentes», em muitas empresas de transporte de passageiros na Administração Local, Armindo Miranda enunciou dados provisórios, divulgados pelos sindicatos a meio do dia da greve, relativos à recolha de lixo, em Loures (100 por cento), como na Amadora, enquanto em Sintra, a participação superou os 90 por cento. Em Oeiras, «onde há históricas dificuldades de mobilização, a adesão foi muito significativa, na ordem dos 70 por cento». Igualmente forte foi a participação dos trabalhadores da limpeza urbana da capital, onde se apresentou ao serviço apenas um carro, de um total de 115.
No sector privado, «os dados também superaram todas as expectativas», destacando-se a participação total na Tudor e as adesões na Tabaqueira (mais de 80 por cento). De realçar é também a coragem dos trabalhadores no piquete de greve nos CTT, em Cabo Ruivo (ver página 14). Este episódio deixou «patente que o Estado é um aparelho repressivo ao serviço da classe social que o detém».
Litoral Alentejano
No Litoral Alentejano, a greve geral afectou a generalidade das actividades. Escolas, centros de saúde, repartições públicas encerraram ou viram o seu funcionamento reduzido ao mínimo. Sendo que o dia era de feriado municipal em Sines, nos outros três concelhos (Grândola, Santiago do Cacém e Alcácer do Sal) as câmaras e serviços encerraram, a adesão global nas autarquias acima dos 90 por cento.
No Hospital do Litoral Alentejano, 90,4 por cento dos trabalhadores paralisaram. Em Grândola, nenhum autocarro circulou no concelho devido à paragem da Rodoviária do Alentejo.
A greve teve ainda um importante impacto nas indústrias da região, designadamente construção civil e metalomecânica. Na Petrogal a maior percentagem de grevistas foi registada nas empresas de empreiteiros, nas quais predominam trabalhadores precários. Foi o caso das empresas envolvidas na construção da Fábrica N.º3 do complexo de Sines: em 3557 operários, 2143 paralisaram. A mesma decisão foi tomada pelos 80 trabalhadores da Compelmada, que trabalham na Metalsines. Na Central Termoeléctrica de Sines, cinco dos seis operadores não foram trabalhar.
Península de Setúbal
Na Península de Setúbal, a greve geral teve uma «grande expressão». Quem o afirma é o executivo da Direcção da Organização Regional do PCP que, numa nota emitida na tarde de 24, considerou que a participação nesta jornada ganha «ainda mais expressão» considerando a pressão que se fez sentir em muitos locais de trabalho, de chantagem sobre os trabalhadores. Por isso entende o PCP ser esta greve geral uma «vitória contra a resignação e uma afirmação da necessidade de mudança de políticas».
Para além do sector dos transportes (ver texto nesta página), o executivo da DORS chama a atenção para as significativas adesões da administração pública central e local; da saúde, educação e justiça; da metalurgia e da indústria naval; dos sectores automóvel, químico, electrónico, cimentos, entre outros. A greve geral parou a laboração nas empresas do parque da Autoeuropa e na Lisnave. No Arsenal do Alfeite, dos actuais 700 trabalhadores só 20 entraram no estaleiro.
Nas autarquias a adesão foi superior a 90 por cento, ao passo que grande parte das escolas básicas e secundárias não chegaram a abrir os portões por falta de professores e trabalhadores não docentes. Nos quatro hospitais da região os enfermeiros e os auxiliares aderiram massivamente à greve.
PortalegreNo distrito de Portalegre salienta-se a forte participação dos trabalhadores da Administração Local. Em 11 dos 15 concelhos, Alter do Chão, Arronches, Avis, Castelo de Vide, Crato, Gavião, Nisa e Ponte Sôr, a adesão no sector do lixo foi de 100 por cento, e de 80 por cento em Elvas. No Hospital de Elvas, o primeiro turno esteve totalmente parado (100%), sendo igualmente elevada no Hospital de Portalegre com 75 por cento. Só os serviços mínimos foram cumpridos. Na cidade de Portalegre, os transportes públicos não circularam e as escolas e jardins-de-infância estiveram encerrados.
Porto
No Porto registou-se uma «muito grande adesão» à greve geral, confirmou Jaime Toga, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP. No Metro tratou-se mesmo de uma greve «histórica», realçou o dirigente comunista, referindo-se à adesão verificada, superior a 90 por cento. Na CP, a participação na greve foi muito significativa com destaque para a intervenção do piquete na estação de São Bento, que conseguiu contrariar a tentativa da PSP de limitar a sua acção.
Na STCP, foram 80 por cento a juntar-se à paralisação. A limpeza urbana parou quase por completo, ao passo que muitos serviços de saúde estiveram apenas com serviços mínimos. Nos CTT, em muitos locais verificaram-se participações entre os 70 e os 90 por cento.
Dezenas de escolas dos ensinos básicos e secundário não abriram enquanto que outras funcionaram nos limites da sua capacidade. Na opinião de Jaime Toga, o sector privado deu igualmente uma «boa resposta», designadamente na indústria, onde em vários turnos a adesão verificada esteve acima dos 90 por cento. Dezenas de agências da Caixa Geral de Depósitos encerraram.
Jaime Toga destacou ainda a adesão à greve verificada nos sectores da hotelaria, comércio e construção civil, todos eles marcados pela precariedade e pela repressão. Numa lista de 45 empresas de construção civil, a participação andou entre os 50 e os 75 por cento.
SantarémNo distrito de Santarém, a greve geral fez encerrar a maioria dos serviços municipais, assinalando-se uma adesão global nas autarquias entre os 60 e os 100 por cento. Dezenas de escolas e jardins-de-infância fecharam e os tribunais, conservatórias e finanças não foram excepção. A distribuição postal foi fortemente afectada, com muitas estações encerrados ou abertas com apenas um funcionário. Praticamente todos os centros e extensões de saúde tiveram adesões expressivas, salientando-se a elevada participação dos enfermeiros, em particular, no Hospital de Torres Novas.
O sector de transporte de passageiros, a participação média foi 75 por cento. Nas empresas industriais destacam-se as expressivas adesões que pararam a produção na Mitsubishi, Tramagal, (80%); João de Deus, Benavente, (70%), IPETEX, Santarém, (72%). A Fiação e Tecidos, Torres Novas, (98%) Postejo, Benavente, (70%) Teletejo, Almeirim, (70%), são outro dados significativos.
No distrito, observou-se ainda o encerramento de pequenos estabelecimentos comerciais em solidariedade com a Greve Geral, facto visível designadamente nos concelhos de Alpiarça e de Torres Novas, bem como na freguesia do Couço.
Viana do CasteloNo distrito de Viana do Castelo, como na generalidade do País, a greve geral paralisou uma parte considerável dos serviços públicos. A limpeza urbana não foi feita, a generalidade das escolas não chegou a abrir enquanto que no Hospital muitos serviços estiveram encerrados. Nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo a adesão dos trabalhadores foi de 98 por cento, o que inviabilizou a laboração. Na Browning, empresa metalúrgica do ramo do armamento, com meio milhar de trabalhadores, a adesão rondou os 88 por cento. Tal como noutros locais, a CP esteve em destaque pelo nível da sua adesão: nenhum comboio saiu da estação de Viana do Castelo.
Vila Real e Trás-os-Montes
Em Vila Real e Trás-os-Montes, a greve foi significativa nos centros de saúde de Boticas, Mondim de Basto, Régua, Murça, Ribeira de Pena, Chaves, e no Hospital da Régua.
No sector do ensino, escolas em Vidago, Montalegre, Chavez, Mondim de Basto, Régua ou Vila Real encerraram ou viram níveis de paralisação a rondar os 2/3 dos funcionários. A Loja do Cidadão em Murça fechou, bem como a Segurança Social na Régua.
ViseuNo distrito de Viseu a Greve Geral correu muito bem, tendo grande impacto sobretudo nos serviços públicos. No capítulo dos transportes, a adesão dos trabalhadores na Transdev atingiu os 97 por cento, sentindo-se ainda de forma acentuada os efeitos da greve na área da Saúde, nomeadamente no Hospital de Tondela (auxiliares, enfermeiros e técnicos de diagnóstico a 100%) e no Hospital de S. Teotónio (Viseu), com 70 % nos auxiliares e 96 % nos enfermeiros. Totalmente encerradas, estiveram 18 escolas EB 23 e secundárias. Ainda na administração pública, ocorreram paragens a rondar os 90 por cento em finanças e conservatórias, bem como na Segurança Social de Viseu e no Tribunal (80%). Os serviços da Câmara de Lamego só funcionaram com 10 % dos trabalhadores e não houve recolha do lixo na cidade de Viseu.
AçoresNa Região Autónoma dos Açores, a Administração Central, Local e Regional foi gravemente afectada pela paralisação. Escolas fecharam em todas as ilhas e em quase todos os concelhos com níveis históricos de adesão. Nos Bombeiros da Madalena, todos aderiram à greve, e nas alfândegas e portos a luta fez-se sentir com intensidade.
Na CGD a adesão à greve rondou os 80 por cento motivando o encerramento de vários balcões. Na Cofaco, empresa conserveira da ilha do Pico, mais de metade dos operários aderiu à greve. No serviço de meteorologia, a adesão foi praticamente completa.
Entre os jornalistas, na RDP, em 17 profissionais, 7 aderiram à paralisação. No turno da tarde, a Antena 1 não transmitiu noticiários. Já na RTP Açores, nas redacções das três ilhas, entre 29 jornalistas e repórteres de imagem com vínculo permanente, 7 aderiram à greve.
Vale notar que muitos dos jornalistas precários que não paralisaram vestiram-se de negro, à semelhança do que fez o grupo que acompanha os trabalhos da Assembleia Regional, o qual, no dia 24, protestou sentando-se na bancada do público.
Madeira
Na Madeira, a União de Sindicatos considerou a adesão à Greve Geral como a maior de sempre, com valores entre os 70 e os 75 por cento na Função Pública, 40 por cento na hotelaria, 30 a 40 por cento no sector rodoviário, ou 67 por cento nos correios, onde a administração substituiu os grevistas por empresas prestadoras de serviços.