A greve geral nos distritos e regiões

Al­garve

No Al­garve, a greve pa­ra­lisou to­tal­mente portos, barras e o ae­ro­porto, afec­tando ser­viços da ad­mi­nis­tração pú­blica, câ­maras e ser­viços mu­ni­ci­pais, hos­pi­tais, en­sino, in­cluindo a pró­pria uni­ver­si­dade, onde três di­rec­tores de fa­cul­dade se in­te­graram na jor­nada de luta. Não houve re­colha de lixo em Olhão, Loulé, Lagos e Vira Real de Santo An­tónio. Nas au­tar­quias lo­cais, a adesão elevou-se a 85 por cento. Desta vez também foi vi­sível o en­cer­ra­mento do pe­queno co­mércio, em par­ti­cular nas ci­dades de Vila Real de Santo An­tónio, Lagos e Loulé, sendo que muitas lojas abertas ti­nham afi­xado nas mon­tras um cartaz de pro­testo dis­tri­buído pela Con­fe­de­ração Por­tu­guesa das Micro, Pe­quenas e Mé­dias Em­presas. Na grande dis­tri­buição, um nú­mero sig­ni­fi­ca­tivo fez greve. Um dos casos exem­plares ve­ri­ficou-se no Lidl de Ta­vira, que abriu com dois chefes, um a repor fruta, o outro à caixa, en­quanto os tra­ba­lha­dores se con­cen­traram à porta.

Aveiro

No dis­trito de Aveiro, a greve geral parou a pro­dução da Re­nault CACIA. Aqui, a ad­mi­nis­tração im­pediu a en­trada do pi­quete de greve. A pro­dução também parou na têxtil Ca­lifa, em São João da Ma­deira, e na Amorim Re­ves­ti­mentos, em Santa Maria da Feira, ha­vendo ele­vados ín­dices de adesão em vá­rias ou­tras uni­dades fa­bris (Trecar, Su­bercor, Ges­tamp, etc.) O mesmo nas Lan­chas de S. Ja­cinto (100%) e na Mo­ve­a­veiro, em­presa de trans­portes ur­banos (87%), cujas portas te­riam fi­cado fe­chadas não fosse o di­rector-geral tê-las aberto ile­gal­mente. De manhã apenas 4 dos 30 au­to­carros cir­cu­laram. De­pois só houve ser­viços mí­nimos. Como no resto do país, a greve teve grande ex­pressão na Ad­mi­nis­tração Pú­blica, com o en­cer­ra­mento de ser­viços ca­ma­rá­rios, es­colas, cen­tros de saúde, hos­pi­tais, tri­bu­nais ou fi­nanças.

Beja

No dis­trito de Beja re­gistou-se sig­ni­fi­ca­tivas ade­sões em pra­ti­ca­mente todas as au­tar­quias. Na CM de Beja, a pa­ragem foi total nos es­ta­leiros e re­colha do lixo, atin­gindo os 96,25 por cento nos ser­viços téc­nicos e ad­mi­nis­tra­tivos. Si­tu­ação se­me­lhante ob­servou-se nos hos­pi­tais de Beja (90%) e Serpa (100%). Muitas es­colas dos di­versos ní­veis de en­sino não fun­ci­o­naram. Nos trans­portes des­tacou-se a pa­ra­li­sação da Tu­ri­ta­lefe – Trans­portes Ur­banos de Beja, que teve todos os veí­culos pa­rados, bem como da Ro­do­viária do Alen­tejo, onde apenas houve duas car­reiras. O sector pri­vado e co­o­pe­ra­tivo, de­sig­na­da­mente me­ta­lúr­gico e ali­mentar, foi também afec­tado.

Braga

O Dis­trito de Braga des­tacou-se na jor­nada da Greve Geral com uma forte mo­bi­li­zação de mi­lhares de tra­ba­lha­dores. Na Con­ti­nental Mabor, a adesão foi de 40 por cento, su­bindo para 90 por cento no com­plexo Grundig e na Jado Ibéria, e para pa­ra­li­sação com­pleta na FPS, cujo pa­vi­lhão em Ce­leirós es­teve en­cer­rado.

Nos ser­viços de re­colha do lixo de Gui­ma­rães e Fa­ma­licão, a greve foi cum­prida por 100 por cento pelos tra­ba­lha­dores, e em Braga por 50 por cento.

Nos trans­portes ro­do­viá­rios dos con­ce­lhos de Braga, Vila Verde, Amares, Terras de Bouro ou Gui­ma­rães, não houve cir­cu­lação ou esta foi re­si­dual.

Em nota en­viada às re­dac­ções, a Or­ga­ni­zação Re­gi­onal de Braga do PCP des­taca ainda o ele­vado nú­mero de ser­viços pú­blicos nos quais a Greve Geral foi re­tum­bante, de­sig­na­da­mente no Hos­pital de Braga, nas es­colas Carlos Ama­rante, de Ma­xi­minos, Sá de Mi­randa, Al­caides de Faria, Mar­tins Sar­mento, e no Tri­bunal de Braga e Bar­celos, e ou­tros ser­viços da Ad­mi­nis­tração Local.

A in­ter­venção das forças de se­gu­rança em al­gumas em­presas im­pediu a acção dos pi­quetes de greve, mas a re­pressão teve o seu mo­mento mais negro quando o pa­trão do In­ter­marché de Fa­ma­licão atro­pelou duas tra­ba­lha­doras que se en­con­travam no pi­quete.

Bra­gança

Em Bra­gança, a Greve Geral teve par­ti­cular in­ci­dência nas li­ga­ções aé­reas, nos ser­viços pú­blicos e nos trans­portes ur­banos, com ade­sões entre os 60 e os 100 por cento. No centro de dis­tri­buição dos CTT em Bra­gança, a pa­ra­li­sação foi cum­prida por 50 por cento dos tra­ba­lha­dores, e em Torre de Mon­corvo atingiu os 95 por cento.

Na câ­maras mu­ni­ci­pais de Mon­corvo, Mi­randa do Douro, Car­ra­zeda de An­siães, Vi­mioso e Bra­gança, a greve também se fez sentir, mas foi par­ti­cu­lar­mente vi­sível no sector ope­rário em Mi­ran­dela, com 80 por cento.

Cas­telo Branco

O dis­trito de Cas­telo Branco não fugiu à regra tra­du­zindo o grande des­con­ten­ta­mento dos tra­ba­lha­dores da ad­mi­nis­tração pú­blica, desde a ad­mi­nis­tração local aos tra­ba­lha­dores ju­di­ciais, da saúde ou do en­sino. Em todos estes sec­tores a adesão foi muito sig­ni­fi­ca­tiva: 70 por cento dos en­fer­meiros fi­zeram greve, os tri­bu­nais da Co­vilhã, Fundão e Cas­telo Branco apenas ga­ran­tiram ser­viços mí­nimos. No pró­prio sector pri­vado o pro­testo foi ex­pres­sivo, de­sig­na­da­mente em em­presas como a la­ni­fí­cios Paulo de Oli­veira (70 %), Da­none (50%), me­ta­lúr­gica De­nifer (60%) ou a banca, em par­ti­cular na CGD.

Coimbra

Em Coimbra foi a forte adesão dos tra­ba­lha­dores dos vá­rios sec­tores, de­sig­na­da­mente o fer­ro­viário, com muitos com­boios su­pri­midos, os hos­pi­tais, cujos fun­ci­o­na­mento es­teve re­du­zida aos ser­viços mí­nimos, so­bre­tudo de­vido à grande par­ti­ci­pação dos en­fer­meiros e au­xi­li­ares. Vá­rias es­colas bá­sicas e se­cun­dá­rias, assim como im­por­tantes ser­viços de apoio à Uni­ver­si­dade, como al­guns re­fei­tó­rios, es­ti­veram en­cer­rados. No que res­peita às au­tar­quias, a lim­peza ur­bana foi o sector onde se re­gistou as mais fortes ade­sões, mas em muitos ser­viços mu­ni­ci­pais a pa­ra­li­sação fez-se sentir de forma aguda.

Évora

No dis­trito de Évora, a greve pro­vocou o en­cer­ra­mento de ser­viços em pra­ti­ca­mente todos os mu­ni­cí­pios. As câ­maras de Vendas Novas, Mon­temor-o-Novo, Alan­droal, Mora es­ti­veram fe­chadas. O pro­testo fez-se sentir também nos sec­tores da saúde e edu­cação. Ou­tros ser­viços pú­blicos como fi­nanças, con­ser­va­tó­rias ou tri­bu­nais pa­ra­li­saram. Vá­rias em­presas do sector pri­vado foram afec­tadas apesar das pres­sões e chan­tagem exer­cidas sobre os tra­ba­lha­dores, como foi o caso da KARMAN – GHUIA, em Vendas Novas, cujo pa­trão ofe­receu 25 euros aos tra­ba­lha­dores que não fi­zessem greve, ou na TYCO e Kemet, em Évora, onde os tra­ba­lha­dores são na sua mai­oria pre­cá­rios.

Guarda

No dis­trito da Guarda o ba­lanço é também muito po­si­tivo. Re­gis­taram-se ní­veis de adesão bas­tante sig­ni­fi­ca­tivos em vá­rios sec­tores, como a Saúde, com o Hos­pital Sousa Mar­tins a as­se­gurar apenas os ser­viços mí­nimos, e o Hos­pital de Seia, onde en­fer­meiros e ad­mi­nis­tra­tivos ti­veram igual­mente uma par­ti­ci­pação sig­ni­fi­ca­tiva.

Para o grande con­tri­buto que a Guarda deu à Greve Geral con­correu ainda o fecho de 10 agru­pa­mentos de es­colas e de três re­par­ti­ções de fi­nanças. Vá­rios foram os tri­bu­nais a fun­ci­onar só com os ser­viços mí­nimos e en­cer­rada es­teve a Caixa Geral de De­pó­sitos de Gou­veia, tal como três cen­tros lo­cais da Se­gu­rança So­cial e o Parque e Museu de Foz Côa.

Leiria

No dis­trito de Leiria foram muito po­si­tivos os ní­veis de par­ti­ci­pação, fa­zendo-se sentir so­bre­tudo no sector pú­blico. Nas au­tar­quias, como em Pe­niche, fe­charam as portas da Câ­mara e das pis­cinas mu­ni­ci­pais, en­quanto a re­colha de lixo re­gistou uma adesão de 75 por cento. Muito fortes foram ainda as par­ti­ci­pa­ções nos ser­viços de saúde, nas Fi­nanças (su­pe­rando os ní­veis de adesão ob­ser­vados nou­tras greves) e nos tri­bu­nais, con­ser­va­tó­rias e re­gistos. Nos CTT en­cer­raram bal­cões e os car­teiros fi­zeram greve muito perto dos cem por cento. O porto de Pe­niche viu a sua ac­ti­vi­dade bas­tante re­du­zida e a lota pra­ti­ca­mente não fun­ci­onou, en­quanto no sector das con­servas foram também vá­rias as em­presas a re­gistar fortes per­tur­ba­ções. Re­alce, por fim, para os sec­tores do vidro, moldes e me­ta­lurgia onde cen­tenas de tra­ba­lha­dores par­ti­ci­param pela pri­meira vez numa greve.

Lisboa

No dis­trito de Lisboa, a greve geral re­gistou «a maior adesão de sempre a uma greve geral e em muitos sec­tores, ul­tra­passou as nossas ex­pec­ta­tivas», de­clarou ao Avante! Ar­mindo Mi­randa, membro da Co­missão Po­lí­tica do PCP.

«Provou a muitas cen­tenas de mi­lhares de tra­ba­lha­dores, tendo ou não ade­rido à greve, que a ca­pa­ci­dade trans­for­ma­dora da luta, em co­esão e uni­dade, em torno dos pro­blemas con­cretos, não tem li­mites, e é um bom exemplo do que as massas tra­ba­lha­doras podem fazer».

Des­ta­cando a par­ti­ci­pação, «sem pre­ce­dentes», em muitas em­presas de trans­porte de pas­sa­geiros na Ad­mi­nis­tração Local, Ar­mindo Mi­randa enun­ciou dados pro­vi­só­rios, di­vul­gados pelos sin­di­catos a meio do dia da greve, re­la­tivos à re­colha de lixo, em Loures (100 por cento), como na Ama­dora, en­quanto em Sintra, a par­ti­ci­pação su­perou os 90 por cento. Em Oeiras, «onde há his­tó­ricas di­fi­cul­dades de mo­bi­li­zação, a adesão foi muito sig­ni­fi­ca­tiva, na ordem dos 70 por cento». Igual­mente forte foi a par­ti­ci­pação dos tra­ba­lha­dores da lim­peza ur­bana da ca­pital, onde se apre­sentou ao ser­viço apenas um carro, de um total de 115.

No sector pri­vado, «os dados também su­pe­raram todas as ex­pec­ta­tivas», des­ta­cando-se a par­ti­ci­pação total na Tudor e as ade­sões na Ta­ba­queira (mais de 80 por cento). De re­alçar é também a co­ragem dos tra­ba­lha­dores no pi­quete de greve nos CTT, em Cabo Ruivo (ver pá­gina 14). Este epi­sódio deixou «pa­tente que o Es­tado é um apa­relho re­pres­sivo ao ser­viço da classe so­cial que o detém».

Li­toral Alen­te­jano

No Li­toral Alen­te­jano, a greve geral afectou a ge­ne­ra­li­dade das ac­ti­vi­dades. Es­colas, cen­tros de saúde, re­par­ti­ções pú­blicas en­cer­raram ou viram o seu fun­ci­o­na­mento re­du­zido ao mí­nimo. Sendo que o dia era de fe­riado mu­ni­cipal em Sines, nos ou­tros três con­ce­lhos (Grân­dola, San­tiago do Cacém e Al­cácer do Sal) as câ­maras e ser­viços en­cer­raram, a adesão global nas au­tar­quias acima dos 90 por cento.

No Hos­pital do Li­toral Alen­te­jano, 90,4 por cento dos tra­ba­lha­dores pa­ra­li­saram. Em Grân­dola, ne­nhum au­to­carro cir­culou no con­celho de­vido à pa­ragem da Ro­do­viária do Alen­tejo.

A greve teve ainda um im­por­tante im­pacto nas in­dús­trias da re­gião, de­sig­na­da­mente cons­trução civil e me­ta­lo­me­câ­nica. Na Pe­trogal a maior per­cen­tagem de gre­vistas foi re­gis­tada nas em­presas de em­prei­teiros, nas quais pre­do­minam tra­ba­lha­dores pre­cá­rios. Foi o caso das em­presas en­vol­vidas na cons­trução da Fá­brica N.º3 do com­plexo de Sines: em 3557 ope­rá­rios, 2143 pa­ra­li­saram. A mesma de­cisão foi to­mada pelos 80 tra­ba­lha­dores da Com­pel­mada, que tra­ba­lham na Me­tal­sines. Na Cen­tral Ter­mo­e­léc­trica de Sines, cinco dos seis ope­ra­dores não foram tra­ba­lhar.

Pe­nín­sula de Se­túbal

Na Pe­nín­sula de Se­túbal, a greve geral teve uma «grande ex­pressão». Quem o afirma é o exe­cu­tivo da Di­recção da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal do PCP que, numa nota emi­tida na tarde de 24, con­si­derou que a par­ti­ci­pação nesta jor­nada ganha «ainda mais ex­pressão» con­si­de­rando a pressão que se fez sentir em muitos lo­cais de tra­balho, de chan­tagem sobre os tra­ba­lha­dores. Por isso en­tende o PCP ser esta greve geral uma «vi­tória contra a re­sig­nação e uma afir­mação da ne­ces­si­dade de mu­dança de po­lí­ticas».

Para além do sector dos trans­portes (ver texto nesta pá­gina), o exe­cu­tivo da DORS chama a atenção para as sig­ni­fi­ca­tivas ade­sões da ad­mi­nis­tração pú­blica cen­tral e local; da saúde, edu­cação e jus­tiça; da me­ta­lurgia e da in­dús­tria naval; dos sec­tores au­to­móvel, quí­mico, elec­tró­nico, ci­mentos, entre ou­tros. A greve geral parou a la­bo­ração nas em­presas do parque da Au­to­eu­ropa e na Lis­nave. No Ar­senal do Al­feite, dos ac­tuais 700 tra­ba­lha­dores só 20 en­traram no es­ta­leiro.

Nas au­tar­quias a adesão foi su­pe­rior a 90 por cento, ao passo que grande parte das es­colas bá­sicas e se­cun­dá­rias não che­garam a abrir os por­tões por falta de pro­fes­sores e tra­ba­lha­dores não do­centes. Nos quatro hos­pi­tais da re­gião os en­fer­meiros e os au­xi­li­ares ade­riram mas­si­va­mente à greve.

Por­ta­legre

No dis­trito de Por­ta­legre sa­li­enta-se a forte par­ti­ci­pação dos tra­ba­lha­dores da Ad­mi­nis­tração Local. Em 11 dos 15 con­ce­lhos, Alter do Chão, Ar­ron­ches, Avis, Cas­telo de Vide, Crato, Ga­vião, Nisa e Ponte Sôr, a adesão no sector do lixo foi de 100 por cento, e de 80 por cento em Elvas. No Hos­pital de Elvas, o pri­meiro turno es­teve to­tal­mente pa­rado (100%), sendo igual­mente ele­vada no Hos­pital de Por­ta­legre com 75 por cento. Só os ser­viços mí­nimos foram cum­pridos. Na ci­dade de Por­ta­legre, os trans­portes pú­blicos não cir­cu­laram e as es­colas e jar­dins-de-in­fância es­ti­veram en­cer­rados.

Porto

No Porto re­gistou-se uma «muito grande adesão» à greve geral, con­firmou Jaime Toga, membro da Co­missão Po­lí­tica do Co­mité Cen­tral do PCP. No Metro tratou-se mesmo de uma greve «his­tó­rica», re­alçou o di­ri­gente co­mu­nista, re­fe­rindo-se à adesão ve­ri­fi­cada, su­pe­rior a 90 por cento. Na CP, a par­ti­ci­pação na greve foi muito sig­ni­fi­ca­tiva com des­taque para a in­ter­venção do pi­quete na es­tação de São Bento, que con­se­guiu con­tra­riar a ten­ta­tiva da PSP de li­mitar a sua acção.

Na STCP, foram 80 por cento a juntar-se à pa­ra­li­sação. A lim­peza ur­bana parou quase por com­pleto, ao passo que muitos ser­viços de saúde es­ti­veram apenas com ser­viços mí­nimos. Nos CTT, em muitos lo­cais ve­ri­fi­caram-se par­ti­ci­pa­ções entre os 70 e os 90 por cento.

De­zenas de es­colas dos en­sinos bá­sicos e se­cun­dário não abriram en­quanto que ou­tras fun­ci­o­naram nos li­mites da sua ca­pa­ci­dade. Na opi­nião de Jaime Toga, o sector pri­vado deu igual­mente uma «boa res­posta», de­sig­na­da­mente na in­dús­tria, onde em vá­rios turnos a adesão ve­ri­fi­cada es­teve acima dos 90 por cento. De­zenas de agên­cias da Caixa Geral de De­pó­sitos en­cer­raram.

Jaime Toga des­tacou ainda a adesão à greve ve­ri­fi­cada nos sec­tores da ho­te­laria, co­mércio e cons­trução civil, todos eles mar­cados pela pre­ca­ri­e­dade e pela re­pressão. Numa lista de 45 em­presas de cons­trução civil, a par­ti­ci­pação andou entre os 50 e os 75 por cento.

San­tarém

No dis­trito de San­tarém, a greve geral fez en­cerrar a mai­oria dos ser­viços mu­ni­ci­pais, as­si­na­lando-se uma adesão global nas au­tar­quias entre os 60 e os 100 por cento. De­zenas de es­colas e jar­dins-de-in­fância fe­charam e os tri­bu­nais, con­ser­va­tó­rias e fi­nanças não foram ex­cepção. A dis­tri­buição postal foi for­te­mente afec­tada, com muitas es­ta­ções en­cer­rados ou abertas com apenas um fun­ci­o­nário. Pra­ti­ca­mente todos os cen­tros e ex­ten­sões de saúde ti­veram ade­sões ex­pres­sivas, sa­li­en­tando-se a ele­vada par­ti­ci­pação dos en­fer­meiros, em par­ti­cular, no Hos­pital de Torres Novas.

O sector de trans­porte de pas­sa­geiros, a par­ti­ci­pação média foi 75 por cento. Nas em­presas in­dus­triais des­tacam-se as ex­pres­sivas ade­sões que pa­raram a pro­dução na Mit­su­bishi, Tra­magal, (80%); João de Deus, Be­na­vente, (70%), IPETEX, San­tarém, (72%). A Fi­ação e Te­cidos, Torres Novas, (98%) Pos­tejo, Be­na­vente, (70%) Te­le­tejo, Al­meirim, (70%), são outro dados sig­ni­fi­ca­tivos.

No dis­trito, ob­servou-se ainda o en­cer­ra­mento de pe­quenos es­ta­be­le­ci­mentos co­mer­ciais em so­li­da­ri­e­dade com a Greve Geral, facto vi­sível de­sig­na­da­mente nos con­ce­lhos de Al­pi­arça e de Torres Novas, bem como na fre­guesia do Couço.

Viana do Cas­telo

No dis­trito de Viana do Cas­telo, como na ge­ne­ra­li­dade do País, a greve geral pa­ra­lisou uma parte con­si­de­rável dos ser­viços pú­blicos. A lim­peza ur­bana não foi feita, a ge­ne­ra­li­dade das es­colas não chegou a abrir en­quanto que no Hos­pital muitos ser­viços es­ti­veram en­cer­rados. Nos Es­ta­leiros Na­vais de Viana do Cas­telo a adesão dos tra­ba­lha­dores foi de 98 por cento, o que in­vi­a­bi­lizou a la­bo­ração. Na Brow­ning, em­presa me­ta­lúr­gica do ramo do ar­ma­mento, com meio mi­lhar de tra­ba­lha­dores, a adesão rondou os 88 por cento. Tal como nou­tros lo­cais, a CP es­teve em des­taque pelo nível da sua adesão: ne­nhum com­boio saiu da es­tação de Viana do Cas­telo.

Vila Real e Trás-os-Montes

Em Vila Real e Trás-os-Montes, a greve foi sig­ni­fi­ca­tiva nos cen­tros de saúde de Bo­ticas, Mondim de Basto, Régua, Murça, Ri­beira de Pena, Chaves, e no Hos­pital da Régua.

No sector do en­sino, es­colas em Vi­dago, Mon­ta­legre, Chavez, Mondim de Basto, Régua ou Vila Real en­cer­raram ou viram ní­veis de pa­ra­li­sação a rondar os 2/​3 dos fun­ci­o­ná­rios. A Loja do Ci­dadão em Murça fe­chou, bem como a Se­gu­rança So­cial na Régua.

Viseu

No dis­trito de Viseu a Greve Geral correu muito bem, tendo grande im­pacto so­bre­tudo nos ser­viços pú­blicos. No ca­pí­tulo dos trans­portes, a adesão dos tra­ba­lha­dores na Transdev atingiu os 97 por cento, sen­tindo-se ainda de forma acen­tuada os efeitos da greve na área da Saúde, no­me­a­da­mente no Hos­pital de Ton­dela (au­xi­li­ares, en­fer­meiros e téc­nicos de di­ag­nós­tico a 100%) e no Hos­pital de S. Te­o­tónio (Viseu), com 70 % nos au­xi­li­ares e 96 % nos en­fer­meiros. To­tal­mente en­cer­radas, es­ti­veram 18 es­colas EB 23 e se­cun­dá­rias. Ainda na ad­mi­nis­tração pú­blica, ocor­reram pa­ra­gens a rondar os 90 por cento em fi­nanças e con­ser­va­tó­rias, bem como na Se­gu­rança So­cial de Viseu e no Tri­bunal (80%). Os ser­viços da Câ­mara de La­mego só fun­ci­o­naram com 10 % dos tra­ba­lha­dores e não houve re­colha do lixo na ci­dade de Viseu.

Açores

Na Re­gião Au­tó­noma dos Açores, a Ad­mi­nis­tração Cen­tral, Local e Re­gi­onal foi gra­ve­mente afec­tada pela pa­ra­li­sação. Es­colas fe­charam em todas as ilhas e em quase todos os con­ce­lhos com ní­veis his­tó­ricos de adesão. Nos Bom­beiros da Ma­da­lena, todos ade­riram à greve, e nas al­fân­degas e portos a luta fez-se sentir com in­ten­si­dade.

Na CGD a adesão à greve rondou os 80 por cento mo­ti­vando o en­cer­ra­mento de vá­rios bal­cões. Na Co­faco, em­presa con­ser­veira da ilha do Pico, mais de me­tade dos ope­rá­rios aderiu à greve. No ser­viço de me­te­o­ro­logia, a adesão foi pra­ti­ca­mente com­pleta.

Entre os jor­na­listas, na RDP, em 17 pro­fis­si­o­nais, 7 ade­riram à pa­ra­li­sação. No turno da tarde, a An­tena 1 não trans­mitiu no­ti­ciá­rios. Já na RTP Açores, nas re­dac­ções das três ilhas, entre 29 jor­na­listas e re­pór­teres de imagem com vín­culo per­ma­nente, 7 ade­riram à greve.

Vale notar que muitos dos jor­na­listas pre­cá­rios que não pa­ra­li­saram ves­tiram-se de negro, à se­me­lhança do que fez o grupo que acom­panha os tra­ba­lhos da As­sem­bleia Re­gi­onal, o qual, no dia 24, pro­testou sen­tando-se na ban­cada do pú­blico.

Ma­deira

Na Ma­deira, a União de Sin­di­catos con­si­derou a adesão à Greve Geral como a maior de sempre, com va­lores entre os 70 e os 75 por cento na Função Pú­blica, 40 por cento na ho­te­laria, 30 a 40 por cento no sector ro­do­viário, ou 67 por cento nos cor­reios, onde a ad­mi­nis­tração subs­ti­tuiu os gre­vistas por em­presas pres­ta­doras de ser­viços.


 


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Milhares de escolas encerradas

Cerca de 75 por cento dos professores e educadores participaram na greve geral que anteontem se realizou, e mais de 80 por cento dos estabelecimentos encerraram, tendo sido neles que se registou os níveis mais elevados de adesão por parte dos docentes, incluindo os que integram os órgãos de...

Militares e polícias em protesto

Associando-se ao amplo repúdio de milhões de trabalhadores portugueses na Greve Geral, mais de 200 militares filiados na Associação de Praças (AP) e na Associação Nacional de Sargentos (ANS) cumpriram, dia 23, junto à residência oficial do primeiro-ministro,...

Trabalhadores dos consulados aderem à greve

A maioria dos consulados portugueses na Europa estiveram encerrados, informou o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas. Moçambique, Guiné-Bissau, Israel, Venezuela e Turquia, foram outros dos muitos consulados que fecharam portas neste dia de luta. «Depois de...

Adesão massiva

Foi de uma grandeza extraordinária a adesão à greve geral no sector de transportes e comunicações. O dirigente sindical Amável Alves, da Comissão Executiva da CGTP-IN, face aos dados de que dispunha às primeiras horas de quarta-feira, não escondia em...

Parados em São Bento

Faltavam alguns minutos para a meia-noite, quando o piquete saído da União de Sindicatos do Porto chegou à Estação de São Bento da CP. Aos trabalhadores ferroviários que ali se encontravam, por terem sido requisitados para serviços mínimos, o piquete...

Passos firmes de quem trabalha

Passava das dez da noite quando os grupos constituídos para acompanhar os trabalhadores em luta rumaram à Cel Cat, em Morelena, Sintra. Já à porta da empresa de cabos eléctricos, veio à tona o balanço da Greve Geral. Nas primeiras horas do dia...

Solidários com a greve

Para manifestar apoio à Greve Geral, o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa e a União de Sindicatos de Lisboa organizaram, na tarde de dia 24, na Praça da Figueira, um espectáculo contra as injustiças e pela mudança de política, ao qual se associaram artistas e...

Resistência tenaz

O estrondoso êxito da Greve Geral foi acentuado pelo intolerável clima de pressões, chantagem e flagrantes ilegalidades praticadas em várias empresas para tentar desmobilizar e diminuir os efeitos do protesto. Os exemplos abundam, a começar pelo sector das auto-estradas onde se...

Prepotências combatidas

Vários actos de prepotência foram pro­ta­go­ni­zados por al­guns patrões, no sector pri­vado, ad­mi­nis­tra­dores e che­fias in­termédias, em serviços públicos, para ten­tarem im­pedir o su­cesso da Greve Geral. A força da luta foi a res­posta.

Próximas lutas

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional convocou dois períodos de greve para Dezembro (de 10 a 13 e de 15 a 19). Desta forma, os guardas prisionais, que aderiram à greve geral de quarta-feira, lutam pela aprovação de um novo estatuto, contra a...