Artigo 38º

«O Es­tado as­se­gura a li­ber­dade e a in­de­pen­dência dos ór­gãos de co­mu­ni­cação so­cial pe­rante o poder po­lí­tico e o poder eco­nó­mico.» in Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa.

 

Muros de si­lêncio

 

Fosse pela ge­ne­ra­li­dade da co­mu­ni­cação so­cial e a can­di­da­tura de Fran­cisco Lopes não se es­taria a afirmar da forma como está. Na ver­dade, não fosse a in­tensa in­ter­venção da can­di­da­tura nas úl­timas se­manas – com o can­di­dato a correr o País de lés a lés e com muitas ac­ções de cam­panha sem a sua par­ti­ci­pação –, e se­riam muitos os por­tu­gueses que pen­sa­riam que a dis­puta elei­toral se re­su­mirá a Ca­vaco Silva e a Ma­nuel Alegre, tal é o si­len­ci­a­mento a que é vo­tada a can­di­da­tura co­mu­nista. Este é, aliás, o traço mais sa­li­ente da co­ber­tura me­diá­tica das elei­ções pre­si­den­ciais de 23 de Ja­neiro pró­ximo.

Numa es­tranha con­cepção de «jor­na­lismo», as três es­ta­ções de te­le­visão con­se­guiram a proeza de co­brir o pri­meiro co­mício da can­di­da­tura de Fran­cisco Lopes, re­a­li­zado a 29 de Ou­tubro no salão da Voz do Ope­rário, em Lisboa, sem mos­trar uma única imagem do can­di­dato. Para es­conder, como é evi­dente, o pro­jecto ímpar de rup­tura e de mu­dança de que é por­tador. Se dis­sermos que este é apenas um exemplo (par­ti­cu­lar­mente cho­cante, é certo, mas apenas um) deste si­len­ci­a­mento a si­tu­ação ganha con­tornos de es­cân­dalo.

Aliás, das raras vezes (tendo em conta o ele­vado nú­mero de ini­ci­a­tivas em que tem par­ti­ci­pado) em que lhe tem sido dada vi­si­bi­li­dade é apenas e só para co­mentar de­cla­ra­ções dos ou­tros can­di­datos, no­me­a­da­mente Ca­vaco ou Alegre, que assim con­ti­nuam a marcar a agenda, mesmo quando nada fazem ou dizem.

 

Mos­trar o que in­te­ressa aos po­de­rosos

 

O si­len­ci­a­mento da can­di­da­tura de Fran­cisco Lopes con­trasta com a au­tên­tica «pas­sa­deira ver­melha» me­diá­tica que é es­ten­dida a esses dois can­di­datos. Assim, as­sis­timos à en­tro­ni­zação diária de Ca­vaco Silva que, de entre os ac­tuais res­pon­sá­veis po­lí­ticos, é dos que mais res­pon­sa­bi­li­dades tem na si­tu­ação do País, quer pela sua de­mo­li­dora (para Por­tugal) pas­sagem por São Bento ao longo de uma dé­cada quer pelo seu man­dato pre­si­den­cial. Mas nada disto im­porta aos donos dos grupos eco­nó­micos que con­trolam os media a quem in­te­ressa que Ca­vaco Silva con­tinue a não ser con­fron­tado com o seu pas­sado e com os seus com­pro­missos ac­tuais com a mi­noria que ganha – e muito – quando a imensa mai­oria do povo perde e sofre...

Também Ma­nuel Alegre não tem razão de queixa da co­ber­tura no­ti­ciosa de que é alvo. O can­di­dato do PS apoiado pelo BE tem tido es­paço mais do que su­fi­ci­ente para ex­plicar (ou pelo menos tentar) as suas con­tra­di­ções. E não faltam as câ­maras e os mi­cro­fones quando se mostra contra o Or­ça­mento do Es­tado e de­fende a sua apro­vação; quando «com­pre­ende» a Greve Geral e os seus mo­tivos e se es­força por de­fender o Go­verno e a sua po­lí­tica, que jus­ti­ficam o re­curso a essa forma de luta; ou quando se con­si­dera acima dos par­tidos (imi­tando nesta ma­téria Fer­nando Nobre, que não terá ra­zões de queixa re­la­ti­va­mente à sua pre­sença na co­mu­ni­cação so­cial) apesar de ser não só apoiado por dois mas ser também, de todos os can­di­datos, o que mais refém está da po­lí­tica do Go­verno do PS.

É fácil de per­ceber que o si­lêncio a que a can­di­da­tura de Fran­cisco Lopes é re­me­tida se re­la­ciona com a afir­mação que faz da ne­ces­si­dade e pos­si­bi­li­dade de uma outra po­lí­tica, pa­trió­tica e de es­querda, que rompa de­ci­di­da­mente com a po­lí­tica de di­reita. Uma po­lí­tica que, a ser efec­ti­vada, poria em causa a imoral acu­mu­lação de lu­cros dos prin­ci­pais grupos eco­nó­micos – pre­ci­sa­mente aqueles que con­trolam a ge­ne­ra­li­dade dos ór­gãos de co­mu­ni­cação so­cial.

 



Mais artigos de: PCP

Determinação e combatividade na luta contra o imperialismo

A Co­missão Po­lí­tica do Co­mité Cen­tral do PCP emitiu um co­mu­ni­cado onde apela ao povo por­tu­guês para que de­monstre a sua de­ter­mi­nação e com­ba­ti­vi­dade na luta pela paz par­ti­ci­pando na ma­ni­fes­tação «Paz Sim! NATO Não!», que tem lugar no sá­bado à tarde em Lisboa.

 

Cedências favorecem a especulação

A si­tu­ação de en­di­vi­da­mento que o País en­frenta tem causas e res­pon­sá­veis, mas também tem so­lu­ções, afirma o PCP num co­mu­ni­cado do seu Ga­bi­nete de Im­prensa emi­tido no dia 11, que trans­cre­vemos na ín­tegra.

 

Mobilizados para todos os combates

«A hora é de luta e de fazer frente a esta guerra sem quartel que o grande ca­pital eu­ropeu e na­ci­onal move contra os in­te­resses dos tra­ba­lha­dores e do povo», disse Je­ró­nimo de Sousa no co­mício que as­si­nalou o ani­ver­sário da pri­meira cé­lula do Par­tido na Ama­dora.

 

<i>A Última Mulher e o Próximo Combate</i>

«A Revolução não anda com meias-tintas. Vai haver mudanças. Tem que haver.» Será a grande mudança revolucionária mudar o nome de uma região de Frente La O para Frente Félix López? Apesar de ser apenas um acto...

Apostar na produção nacional

Para o PCP, as declarações do Ministro das Finanças, admitindo o recurso ao FMI pelo nosso País, constituem, «para lá de uma inadmissível disponibilidade para impor um rude golpe na soberania nacional, uma fuga para a frente» que a concretizar-se «significaria...

Um profundo ataque às funções do Estado

As externalizações, extinções, reestruturações e fusões de serviços da administração pública central previstas no relatório do Orçamento do Estado para 2011 constituem, para o PCP, o aprofundamento do ataque contra serviços...

Comemorar Outubro

Dezenas de militantes e simpatizantes do PCP residentes em Paris celebraram, no dia 11, os 93 anos da Revolução de Outubro. Num magusto-convívio com castanhas assadas e vinho, os comunistas da região parisiense aliaram esta tradição bem portuguesa à efeméride...

<i>Avante</i>

O próximo número do nosso jornal, que tratará fundamentalmente da greve geral do dia 24, sairá na sexta-feira, 26. As organizações do Partido irão promover uma venda especial do Avante!, à porta das empresas e em locais públicos, devendo as encomendas...