Resistir à repressão
Aos atentados de patrões e capatazes, que violam direitos e leis, os trabalhadores e os sindicatos respondem com coragem, determinação e solidariedade.
A resistência é a melhor resposta de quem exige mais justiça
Mais de cem dirigentes sindicais e trabalhadores concentraram-se no dia 12, terça-feira, junto aos portões da Inteplástico, na zona industrial da Marinha Grande, em protesto contra o despedimento de Nuno Rei. Este delegado sindical - como noticiámos há duas semanas - foi alvo de despedimento, depois de ter feito greve no dia 29 de Setembro, para estar na manifestação nacional da CGTP-IN. Esta acção foi realizada pela Fiequimetal, que nesse dia reuniu a sua direcção na cidade do vidro, dos moldes e das lutas operárias.
O delegado do Sindicato das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE-CSRA, filiado naquela federação e que resultou da fusão de sindicatos da metalurgia, química, farmacêutica, energia e indústrias eléctricas) já tinha sido alvo de processos disciplinares, especialmente depois de assumir a ligação ao sindicato - como este denunciou desde Julho.
A célula do PCP na Inteplástico, no seu boletim de Outubro, expressou solidariedade para com Nuno Rei e reiterou as denúncias de ameaça e chantagem sobre trabalhadores sindicalizados, por parte da direcção da empresa. Apontou ainda a imposição de uma «reunião-flash» antes do horário de trabalho, o «banco de horas», a retirada do turno e a exigência de volumes de produção incompatíveis com a qualidade das peças como «ataques inaceitáveis» aos trabalhadores, salientando que estes «de forma corajosa, enfrentam as ameaças e ofensas».
O arquivamento dos processos disciplinares, com intenção de despedimento, que a Petrogal (Grupo Galp Energia) levantou contra três trabalhadores, foi exigido pela Direcção Nacional da Fiequimetal. Na reunião de dia 12, aprovou uma resolução em que repudia a atitude da administração da petrolífera e do grupo, integrada ainda na reacção à greve que em Abril paralisou as refinarias do Porto e de Sines. Exige também que sejam repostos os dias de salário indevidamente descontados a trabalhadores que então paralisaram - um procedimento inédito que já foi condenado pela ACT mas que a administração ainda não corrigiu.
Na Cariano, estão por pagar salários de vários meses e também reembolsos de despesas de deslocação custeadas pelo trabalhadores, revelou o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal. Especialista em serviços de elevação e transportes, a Cariano tem sede em Leiria e delegações em Lisboa, no Porto e em Espanha, e os seus trabalhadores lutam também pela viabilidade da própria empresa. O STRUP/CGTP-IN afirma que a administração «recusa qualquer diálogo» e «furtou-se» a receber delegados da Autoridade para as Condições do Trabalho, que se deslocaram à sede no dia 15, sexta-feira.
O sindicato condenou esta «prática de se subsidiar nos seus trabalhadores» e acusou mesmo a administração de praticar discriminação, nos pagamentos ocasionais que vai fazendo, e de deixar sem tarefas aqueles que já não podem continuar a suportar os custos das despesas de deslocação indispensáveis à actividade da empresa. Sem tarefas estão cinco trabalhadores, no Porto, e mais cinco, em Leiria, numa situação que o STRUP classifica como lock-out.
Leitora sobre Oleiros
Uma leitora do Avante! reagiu à notícia intitulada «Na casa-de-banho», que publicámos na edição de dia 14, sobre as represálias da direcção da Associação dos Bombeiros Voluntários de Oleiros contra Sílvia Martins, trabalhadora administrativa e associada do STAL/CGTP-IN, reintegrada por imposição judicial após despedimento ilegal, mas que foi colocada... numa casa-de-banho.
Conceição Mendes, de Vila Nova de Gaia, deu-nos conhecimento da carta que, com um recorte do jornal, enviou ao presidente daquela direcção, na qual dá conta da indignação provocada pela «crueldade do seu acto de gestão de recursos humanos», adiantando que irá fazer «democrática denúncia aos poderes públicos». «O inadequado local suja apenas e tão-só a sua direcção e vossa excelência, muito particularmente», protesta a leitora, apelando a que o dirigente «se demita de tão honrado cargo, que me parece não lhe assentar de todo».