Judeus e árabes protestam em Telavive
Milhares de judeus e árabes israelitas manifestaram-se, sábado, na capital de Israel, contra a chamada «lei da lealdade» e a ascensão do fascismo no país, em defesa da democracia e da igualdade de direitos.
«A “lei da lealdade” discrimina os cidadãos por confissão religiosa»
A manifestação convocada pelo Partido Comunista de Israel (PCI), a Frente Democrática para a Paz e a Igualdade (Hadash), a Juventude Comunista e vários grupos e organizações de defesa dos direitos humanos, juntou, de acordo com os promotores, mais de dez mil pessoas.
No centro do protesto realizado pelas principais artérias da cidade e que terminou junto do Ministério da Defesa, esteve a chamada «lei da lealdade», aprovada recentemente pelo governo israelita. A norma será em breve apreciada no parlamento local.
De acordo com aquela proposta, todos os candidatos à cidadania israelita terão que jurar fidelidade ao «estado judeu e democrático», algo que os manifestantes consideram racista e violador dos direitos democráticos fundamentais, e um preocupante sinal da consolidação do fascismo no seio do regime.
«Judeus e árabes não são inimigos», gritaram os participantes que denunciaram ainda as práticas de discriminação e limpeza étnica promovidas pelo estado de Israel, e apelaram aos deputados para rejeitarem a proposta de lei.
Obstáculo à paz
Entretanto, também a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) tomou posição sobre a imposição por parte de Israel do seu reconhecimento como um «estado judeu». Para a ANP, tal representa um dos obstáculos à continuação das negociações de paz.
«Sob nenhuma circunstância a ANP assinará um acordo com Israel com termos que exijam a cessão de território ou o reconhecimento de Israel como um país judeu», afirmou Mahmoud Abbas após um encontro com membros do Hadash e do PCI.
Abbas fez esta declaração já depois do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ter admitido interromper a expansão dos colonatos na Cisjordânia caso os palestinianos reconhecessem Israel como um «estado judeu».
As negociações directas entre Israel e a ANP, iniciadas a 20 de Setembro, foram interrompidas depois do executivo de Telavive ter recusado prolongar a moratória que impedia a construção de novos assentamentos naquele território.
Em Jerusalém Leste, a expulsão de palestinianos e o avanço de projectos imobiliários com o objectivo de instalar no seu lugar famílias de origem judaica nunca cessaram.
Armados até aos dentes
Paralelamente, Israel confirmou a compra de 20 caças F-35 à norte-americana Lockheed Martin. Numa base aérea do Sul do país, estão já a ser escolhidos os militares para, em 2015, pilotarem os aviões.
No total, as aeronaves com capacidade para se tornarem indetectáveis aos radares, custarão 97 milhões de dólares cada, ao que acresce um avultado contrato de assistência e manutenção.