Jogar à política, brincar com o fogo
O secretário-geral da OCDE disse à Lusa que sabe «muito bem» que a discussão do Orçamento «é o ponto alto do jogo partidário». Mas avisou, sobre a discussão em torno do Orçamento de Estado para 2011: «jogar à política como “business as usual”, como se (Portugal) estivesse num tempo normal, é brincar com o fogo. É expor o país, a sua economia e os portugueses a um perigo, a uma vulnerabilidade.» Essa «vulnerabilidade», acrescenta José Ángel Gurría, «evita-se, ou pelo menos reduz-se, na medida em que Portugal dê mostra de unidade de propósito», apelando a que, mesmo que não haja «entusiasmo», os «agentes económicos, o sector privado, os bancos, os sindicatos actuem em consequência».
É verdade que esta declaração é só mais uma das muitas que todos os dias se repetem, vindas de toda a sorte de especialistas e cientistas: que é preciso aprovar o Orçamento, que quem não o aprovar é irresponsável, que os PEC's e as «medidas de austeridade» são inevitáveis e só pecam por tardias, que os «mercados» exigem provas de confiança, que «isto» é assim em todo o lado, que «os políticos» se deviam entender, que o que falta são estadistas que compreendam o interesse nacional, que que que.
Mas há afirmações que não podem passar em claro. Porque carga de água é que a OCDE vem fazer considerações, ainda por cima nestes termos, sobre a discussão política em Portugal?! É certo que PS, PSD e CDS deixaram todo o espaço livre para a ingerência, quando aplaudiram que o Orçamento de Estado vá ao visto prévio a Bruxelas, ou que os ditames da União Europeia se sobreponham à Constituição da República Portuguesa.
E o que faz falta é um Orçamento qualquer?! Com o PCP não contem para aprovar um Orçamento como o PS prometeu – contra os trabalhadores e o interesse nacional, a aprofundar a pobreza, a exploração e a crise. Medidas como as que se prevêem só merecem denúncia e combate – como os trabalhadores e o povo português, patriota e soberanamente, têm feito. E continuarão a fazer!