Ingerência dos EUA comprovada

Documentos do Departamento de Estado dos Estados Unidos recentemente desclassificados através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, na sigla em inglês) comprovam que os EUA pagaram mais de quatro milhões de dólares a órgãos de comunicação e a jornalistas venezuelanos durante os últimos anos, no âmbito da sua campanha de desestabilização da Venezuela.

O financiamento foi canalizado directamente pelo Departamento de Estado através de três entidades públicas norte-americanas: a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, na sigla em inglês), Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).

A advogada americana de origem venezuelana Eva Golinger, num artigo divulgado no sítio Centro de Alerta para a Defesa dos Povos, revela que os EUA, numa tentativa de ocultarem a sua ingerência (ver http://centrodealerta.org/noticias/eeuu_financia_a_medios_y_pe.html), censuraram a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas que estão na sua folha de pagamentos multimilionários. No entanto, um documento datado de Julho de 2008 escapou à censura e é possível encontrar aí os nomes das principais organizações venezuelanas que recebem os fundos: Espaço Público (associação dirigida pelo jornalista Carlos Correa) e Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS – criado e financiado pelo National Endowment for Democracy (NED) e por outras entidades ligadas ao Departamento de Estado, dirigido na Venezuela pelo jornalista Ewald Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. O IPYS é membro do Intercâmbio Internacional de Livre Expressão (IFEX), grupo financiado pelo Departamento de Estado e ligado à Rede de Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa também financiada pela NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comité para a Assistência para uma Cuba Livre). Cabe as estas duas entidades coordenar a distribuição de verbas e implementar os projectos do Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e os jornalistas venezuelanos.

Um dos programas da PADF – pelo qual recebeu 699 996 dólares do Departamento de Estado, em 2007 – foi dedicado ao «desenvolvimento dos meios independentes na Venezuela» e ao jornalismo «via tecnologias inovadoras». Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram credenciados e treinados pelas agências norte-americanas e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro. Espaço Público e IPYS foram os principais executores do projecto de âmbito nacional, que também incluiu a outorga de «prémios» de 25 mil dólares a vários jornalistas.

O resultado foi a proliferação, nos últimos dois anos, de páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela, que têm como denominador comum a divulgação de mensagens contra o governo venezuelano e o presidente Chávez, e que tentam distorcer e manipular a realidade do país.

Ainda neste contexto, vários jovens receberam treino para criar o que designam por uma «rede de ciberdissidentes» na Venezuela. Por exemplo, em Abril deste ano, o Instituto George W. Bush, juntamente com a organização Freedom House convocou um encontro de «activistas pela liberdade e pelos direitos humanos» e «especialistas em Internet» para analisar o «movimento global de ciberdissidentes». O encontro, realizado em Dallas, Texas, contou com a presença de Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da Venezuela, organização criada com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.

 

Financiamentos diversos

 

Os documentos desclassificados revelam também um financiamento de 716 346 dólares através da Freedom House, em 2008, para um projecto de 18 meses dedicado a «fortalecer os meios independentes na Venezuela». Outros 706 998 dólares canalizados pela PADF destinaram-se a «promover a liberdade de expressão na Venezuela» através de um projecto de dois anos orientado para o «jornalismo de investigação» e para «as novas tecnologias», como o Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre outras.

Outro documento revela que três universidades venezuelanas – a Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a Universidade Santa Maria – incorporaram cursos sobre jornalismo de pós-graduação e de nível universitário nos seus planos de estudos, financiados pelo Departamento de Estado. Essas três universidades têm sido os principais focos dos movimentos estudantis antichavistas durante os últimos três anos.

A PADF opera na Venezuela desde 2005, sendo uma das principais parceiras da Usaid no país. A Fundação foi criada pelo Departamento de Estado em 1962 e está «filiada» na organização de Estados Americanos (OEA). Actualmente, gere programas através da Usaid com fundos superiores a 100 milhões de dólares na Colômbia, no âmbito do Plano Colômbia, financiando «iniciativas» na zona indígena em El Alto, e trabalha desde há 10 anos em Cuba, de forma «clandestina», para fomentar uma «sociedade civil independente» para «acelerar uma transição à democracia».

Na Venezuela, segundo um dos documentos desclassificados, a Fundação «tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs venezuelanas».



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