Ataque à Administração Pública tem marca de classe
Francisco Lopes participou num encontro com trabalhadores da Administração Pública, no dia 22, o mesmo em que o Governo anunciou novos passos na imposição da chamada «mobilidade especial». Na opinião do candidato, este profundo ataque aos direitos dos trabalhadores está a provocar uma «desestabilização geral nos serviços públicos», com consequências graves ao nível da satisfação das funções sociais do Estado.
Medidas como a redução do número de trabalhadores, a fragilização do vínculo público, o aumento da idade da reforma ou a mobilidade especial têm sido aplicadas a par e passo com a degradação, encerramento e contratualização de serviços a privados, lembrou o candidato, acrescentando estar-se perante a «maior regressão de sempre» na prestação de serviços públicos, com especial incidência na saúde, educação e segurança social. Todo este processo tem, segundo Francisco Lopes, uma profunda «marca de classe». O objectivo, garantiu, é o desvio das verbas necessárias à satisfação de necessidades essenciais da população para o apoio aos lucros e privilégios dos grandes grupos económicos e financeiros.
O candidato guardou ainda umas palavras para duas questões que têm dominado o debate político nos últimos dias – a possível intervenção em Portugal do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a interferência da União Europeia, e em especial da Alemanha, na política nacional. Chamando a atenção para o «circo de propaganda» montado em torno destes e de outros assuntos, Francisco Lopes rejeitou o que considera ser uma «agressão ideológica sobre o povo português». Referindo-se ao FMI, o candidato comunista afirmou que não basta ser contra a intervenção desta entidade, como Manuel Alegre, há que rejeitar as suas receitas, que são as mesmas da União Europeia.
Acerca da segunda questão, Francisco Lopes criticou os que afirmam que a Alemanha tem o direito de intervir em Portugal porque é ela que paga os fundos comunitários. «Puro engano. Pelas medidas tomadas no âmbito do mercado comum, da União Económica e Monetária e do euro, que levaram à destruição do aparelho produtivo nacional, são os portugueses que estão a consumir a produção das empresas alemãs e a pagar, com os nossos recursos, a sua acumulação, num processo que só muito parcialmente é compensado pelos fundos comunitários.»
Assim, defendeu, o Estado português tem «todo o direito de defender os seus interesses e de definir uma estratégia própria de desenvolvimento que não esteja condicionada aos interesses das multinacionais». Mas para tal, há que levar a cabo uma ruptura na política nacional, só possível com a intensificação da luta dos trabalhadores e do povo.