Venezuela rejeita acusações
O governo bolivariano da Venezuela apelou às Nações Unidas para que se mantenham alerta para a crise desencadeada pela Colômbia e apelou à colaboração da organização na promoção de um acordo que coloque fim a um diferendo que ameaça toda a região.
«A Venezuela recebeu a solidariedade dos países da região»
Em carta entregue pelo embaixador venezuelano ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a República Bolivariana detalhou as razões que motivaram o rompimento das relações com a Colômbia, dia 22, e apelou ao envolvimento das Nações Unidas na busca de uma solução negociada que evite uma guerra no cone Sul do continente americano.
Depois da incursão no Equador e do bombardeamento de um acampamento junto à fronteira daquele país com a Colômbia, e de ter selado um acordo para a instalação de sete bases militares norte-americanas no seu território – tratado visto pela esmagadora maioria dos países latino-americanos como uma ameaça à sua soberania –, o presidente cessante Álvaro Uribe deixa como legado ao seu sucessor e clone, Juan Manuel Santos, um conflito aberto com a vizinha Venezuela.
Desta feita, o «motivo» é a existência de 87 supostos acampamentos e 1500 guerrilheiros das FARC-EP em solo venezuelano. Na sequência da acusação feita na última sessão da Organização dos Estados Americanos, o presidente Hugo Chávez anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia, rejeitando liminarmente todas as acusações de Bogotá.
Solidariedade
Em face das acusações, a Venezuela recebeu imediatamente a solidariedade da esmagadora maioria dos países da região. Hoje, reúne com carácter de urgência em Quito, no Equador, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul). A Colômbia anunciou a intenção de estar presente.
As forças armadas venezuelanas foram, entretanto, colocadas em estado de alerta para um eventual ataque contra o país, já que o governo venezuelano interpreta as acusações proferidas na OEA como a antecâmara de uma campanha militar incentivada pelos EUA.
Mobilizado está, igualmente, o povo venezuelano, que no domingo compareceu em massa às iniciativas contra a guerra imperialista, pela paz e pelo direito dos povos a escolher o seu próprio destino, ocorridas em Caracas, Táchira e Zulia.
Na capital venezuelana, o presidente Chávez lembrou que não é de hoje que os EUA tentam, através das provocações colombianas, legitimar uma agressão à Venezuela.
Paralelamente, o ministro dos Negócios Estrangeiros bolivariano, Nicolás Maduro, iniciou uma ronda por sete países da América Latina com o intuito de divulgar as preocupações venezuelanas face às ameaças de guerra da Colômbia e dos EUA.
Na bagagem, Maduro leva uma proposta do plano de paz que hoje é apresentado na cimeira da UNASUR.