Dentistas

Os dentistas portugueses começaram a recusar clientes que se lhes apresentem com «cheques do Estado». Razão curta e grossa: o Estado já deve quatro milhões de euros desses pagamentos (40 euros por consulta), segundo a estimativa da Ordem dos dentistas. O Governo não nega, mas reduz essa «estimativa» para 2,8 milhões...

Recorde-se que o «cheque-dentista» foi uma medida do anterior Governo Sócrates propagandeada pelo próprio, que garantia perante o País que as crianças, as grávidas e os idosos com poucos recursos (mais de um milhão) iam passar a ter acesso geral e gratuito à saúde oral através desse mesmo cheque, passado a todos e segundo as suas necessidades.

Afinal, o tal cheque não tem cobertura, apesar de emitido pelo próprio Estado. E é o Governo que o confirma, ao afirmar uma pretensa «redução» da dívida aos dentistas de quatro para 2,8 milhões de euros. Devem achar, lá pelo Governo socialista de José Sócrates, que «dever menos» desculpa e justifica a própria dívida...

Quem, efectivamente, não tem nem merece o mínimo crédito é o Governo de José Sócrates.

 

Multas

 

A notícia vem no JN: o relatório mensal elaborado pela Direcção-Geral do Orçamento revela que até Junho deste ano o Estado arrecadou apenas 3,6 milhões de euros com a cobrança de multas ao Código da Estrada, o que corresponderá a uma diminuição de 88,2% face a igual período do ano passado, quando foram contabilizados 30,4 milhões de euros em receitas de multas.

Todavia, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), dependente do Governo, acudiu de imediato a «desmentir» as Finanças, garantindo ao JN que os valores estão errados e que «desconhece a base que terá servido para o seu cálculo».

Contudo, também não informa em que se baseia para desmentir estes valores referidos pelo Ministério das Finanças, nem avança com o mais vago número ou estatística para sustentar o seu «desmentido».

O que se sabe é que a extinção da Brigada de Trânsito pelo Governo de Sócrates, reduzindo drasticamente os efectivos e os meios disponíveis para o trabalho de vigilância e patrulha, fez cair, no ano seguinte à extinção da BT, os autos levantados na fiscalização do trânsito em 150 mil a menos.

Como é que a ANSR comenta este facto e estes números? Será que também os desmente?

 

Rendas

 

Actualmente, o mercado de arrendamento de casas para habitação está a subir em Portugal, já atingindo 20% do total. A explicação é simples: a maioria dos portugueses está com dificuldades em se envolver na compra de uma habitação com crédito a longo prazo, quer pelas dificuldades económicas próprias – onde o desemprego e os baixos salários pontificam -, quer pelas dificuldades crescentes dos bancos a conceder esses créditos.

Resultado: os proprietários das casas estão a ver-se forçados a arrendar para retirarem  benefício dos seus investimentos, o que mesmo assim ainda os não impeliu a oferecerem preços de arrendamento mais acessíveis. Ou mais «competitivos», como diz o jargão neoliberal. Mas lá hão-de chegar, quer queiram ou não.



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