Novo livro de Correia da Fonseca
«Contraveneno» é o novo livro de Correia da Fonseca, crítico de televisão, apresentado, quinta-feira, no Salão do Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa. Esta obra, composta por 80 crónicas, entre as muitas que o autor escreveu, publicadas nos jornais Avante! e Diário do Alentejo, pretende «demonstrar as mistificações que a televisão, órgão de extraordinário influência, se esforça, ao serviço de interesses que não são os nossos, por enganar, mistificar, censurar».
«Este livro é apenas parte da dívida, que nós devemos prestar tributo, a quem tão devotadamente emprega a sua inteligência nesta tarefa tão mal entendida na sociedade de hoje, mas tão necessária para a formação de todos nós», disse, na apresentação do livro, Leonardo Freitas, editor do «Contraveneno», frisando que as crónicas de Correia da Fonseca são «as mais inteligentes, de estilo incisivo e subtil, que foram publicadas na imprensa portuguesa».
Por seu lado, o autor salientou que, nos dias de hoje, a televisão «facilita uma crítica denunciadora», uma vez que «entra em nossas casas cada vez com menos vergonha». «Mas nem por ter menos vergonha, se calhar bem pelo contrário, ela [televisão] deixa de ser terrivelmente eficaz na manipulação dos cidadãos», afirmou Correia da Fonseca, sublinhando que ser crítico não é «nem um capricho, nem um trabalho», mas sim «um dever básico de quem for capaz de consagrar algumas horas a esta tarefa» e «guarde lucidez para identificar e desmistificar a mentira».
Quase a terminar, Correia da Fonseca agradeceu a «enorme generosidade» de Leonardo Freitas, que editou o «Contraveneno» e que insiste, numa «tarefa suicidaria», pelo menos do ponto de vista financeiro, a «editar livros de esquerda».