Militares ao combate

«Estas políticas destroem a condição militar - combate-as» - clamava uma das faixas que militares na reserva, aposentados e no activo levaram para o Largo de Camões, na quarta-feira da semana passada, respondendo ao apelo da COMIL, apoiado pelo Associação Nacional de Sargentos, pela Associação de Praças da Armada e pela Associação Nacional dos Militarizados da Marinha.
A concentração, que segundo a Comissão de Militares reuniu mais de duas centenas de pessoas, foi convocada para protestar contra o roubo de direitos e a destruição da condição militar. Num comunicado que divulgou no dia seguinte ao protesto, a COMIL esclareceu que «nós não nos recusamos aos sacrifícios», mas «aquilo a que se assiste, de há uns anos para cá», é «a tentativa de desvirtuar por completo os elementos que enformam a condição militar», através da divisão dos militares em «operacionais», «técnicos» e «os outros».
Na concentração, a COMIL «ficou mandatada para procurar, com todos aqueles que sofrem tais golpes aos seus vencimentos, à sua reforma e à sua saúde, as melhores formas de resistir».
Aos jornalistas, o presidente da COMIL, comandante Fernandes Torres, falou sobre a degradação das condições de acesso à saúde, deu conta de «uma posição de desconfiança» quanto ao projecto do novo «hospital único» e contestou as medidas de «austeridade», notando que «os militares também são cidadãos» e são por elas seriamente afectados, enquanto o sector financeiro é pouco abrangido e não são tomadas outras medidas para aumentar as receitas do Estado.
A concentração de 26 de Maio, ao final da tarde, tinha sido decidida uma semana antes, numa reunião na Casa do Alentejo, em que a COMIL, as várias associações profissionais e militares a título individual analisaram o PEC e o «pacote anti-crise». «As preocupações ali expressas pelos nossos camaradas da reserva/reforma inserem-se no universo das preocupações que temos transmitido, pelas mais variadas formas, aos representantes do poder político, aos responsáveis governativos e às chefias militares», afirmava a direcção da ANS, num comunicado em que apelou à participação na concentração em Lisboa e numa reunião, também dia 26, em Viseu.


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