A luta continua
Na manifestação de 29 de Maio, a CGTP-IN assumiu as suas responsabilidades e tomou o compromisso de transformar o descontentamento «num protesto sem tréguas, pela defesa dos direitos e da dignidade de quem trabalha, pelo direito da juventude a um futuro digno».
Os trabalhadores não podem dar tréguas ao Governo e ao capital
«Esclarecer, mobilizar e unir homens e mulheres, jovens e reformados, para aumentar a capacidade reivindicativa contra a violência das medidas que estão a ser adoptadas, é o nosso compromisso», pois «o futuro próximo exige a intensificação, a diversificação e a ampliação da luta laboral e social, por um novo rumo para Portugal». As palavras da resolução, lida e aclamada no final do comício sindical na Praça dos Restauradores, acabaram por sintetizar muito do que se tinha ouvido, pouco antes, nas intervenções de Joana Dias (em nome da Interjovem), João da Silva (da Comissão Executiva da CGTP-IN, pelos sindicatos do sector privado), Ana Avoila (também da Executiva, em nome dos sindicatos da Administração Pública) e Manuel Carvalho da Silva (secretário-geral da CGTP-IN). O sentido foi sublinhado ao longo da manifestação, por milhares e milhares de pessoas que vezes sem conta gritaram «A luta continua», fosse ao longo do percurso, fosse a pontuar os discursos dos dirigentes.
Em vez do PEC
Ficou expressa frontal e firme oposição ao PEC e às suas «medidas complementares», acordadas entre o Governo PS e o PSD, com o apoio do grande patronato. Para a CGTP-IN, este não é um caminho inevitável, tanto mais quando se trata de «medidas contrárias às necessidades e aos interesses dos trabalhadores e da generalidade da população, e que aumentam os bloqueios ao desenvolvimento do País».
A crise para que são apresentadas essas falsas soluções tem causas e responsáveis, que são «as políticas de direita, desenvolvidas há décadas pelos partidos do arco do poder, e a falta de estratégias de desenvolvimento do País». Os sacrifícios «não são justos e proporcionalmente partilhados, pois os ricos e poderosos ficam isentos ou apenas contribuem simbolicamente», e do poder vêem «pacotes atrás de pacotes, sem estabelecimento de prazos, sem qualquer garantia de no futuro serem solicitados outros ainda mais duros, sempre para defender os interesses do grande capital financeiro e económico».
Na manifestação foi exigida «a revogação das medidas violentas e injustas contra os trabalhadores, os desempregados e os reformados, que vêm sendo anunciadas pelo Governo e claramente apoiadas pelo PSD e pelo grande patronato».
A CGTP-IN afirma que «assume as suas responsabilidades na procura de um outro rumo para o País, na definição de uma estratégia de desenvolvimento e na mobilização dos trabalhadores», designadamente para recusar os prazos, as metas e os critérios de redução do défice, impostos pela União Europeia; denunciar e exigir a correcção da actual forma de financiamento dos Estados junto da banca; Dinamizar a reindustrialização e todo o sector produtivo; combater a economia paralela, a corrupção, o compadrio e a ilegalidade; combater o flagelo do desemprego e da precariedade; estimular a economia interna e fazer crescer de forma sustentada os salários e as pensões; criar mais e melhor emprego, com direitos, estabilidade e segurança; assegurar a efectivação da contratação colectiva; preservar a qualidade e a universalidade dos serviços públicos e das funções sociais do Estado; cortar desperdícios e gastos desnecessários; tributar as mais-valias das SPGS e os Fundos de Investimento; combater a evasão e a fraude fiscais; acabar com as off-shores e tributar as grandes fortunas; regular seriamente o sistema financeiro e acelerar radicais mudanças no seu funcionamento.
Acção determinada
Na resolução são apontadas as linhas fundamentais da acção próxima do movimento sindical unitário:
- Ampliar e intensificar o esclarecimento, o debate e as lutas nos locais de trabalho em todos os sectores de actividade e em todas as regiões do País, pela resolução dos problemas concretos e na resistência a medidas contra os trabalhadores;
- Propor um compromisso de unidade na acção a todos os trabalhadores, independentemente da sua filiação sindical ou simpatia partidária, em torno do combate essencial em defesa dos direitos, de uma mais justa repartição da riqueza e da dignidade de cada um dos portugueses e, nessa medida, de uma mudança de rumo nas políticas do País;
- Apelar e promover a mobilização de todos, num empenhamento activo dinâmico e transformador da sociedade;
- Assumir total disponibilidade e empenho não só para o prosseguimento de lutas em curso, mas também para adoptar todas as formas de luta que a Constituição consagra, decidindo do seu tempo e da sua forma em função dos actos que o Governo vá assumindo e das práticas patronais das posições e propostas que a direita avance contra os trabalhadores e o povo, do evoluir da situação política económica e social do País.
Logo na segunda-feira, foram solicitadas pela CGTP-IN audiências, com urgência, ao primeiro-ministro, órgãos de soberania e grupos parlamentares. Também assim sucedeu, por parte de uniões de sindicatos, junto dos governos-civis de vários distritos.
Para dia 8, terça-feira, está marcada uma reunião do Conselho Nacional da CGTP-IN.