Caminhos alternativos
O povo cubano está unido na defesa da Revolução
Nos países que empreendem processos anti-imperialistas e apontam à construção de sociedades de progresso e justiça social, e, em alguns casos, definem o socialismo como o seu objectivo, as manifestações do 1.º de Maio pautaram-se pela determinação em avançar no rumo soberanamente escolhido pelo povo.
Em Havana, Cuba, mais de um milhão de pessoas desfilaram nas ruas em vigoroso protesto contra a campanha que os EUA e a União Europeia movem contra a revolução cubana, que em Janeiro deste ano completou 51 anos.
«Voltaremos a dizer aos nossos inimigos que Cuba está unida aos seus dirigentes, decide sobre a sua própria vida, não aceita chantagens e quer a paz para todos a nível mundial» – palavras de jovens da Universidade de Havana que expressam bem o sentimento nacional.
Este ano, mais uma vez, Cuba recebeu no 1.º de Maio a prova viva de que conta com a solidariedade internacional: mais de 1300 convidados, oriundos de 56 países e 159 organizações sindicais, movimentos de solidariedade, brigadas e forças de amizade, com destaque para as delegações do Uruguai, França, Espanha e Estados Unidos, estiveram na Ilha junto aos trabalhadores e povo cubanos.
Dia de festa e luta, igualmente, no Equador, onde milhares exigiram a efectivação de melhorias nas suas condições de vida e ouviram o presidente, Rafael Correa, instar o povo para a conquista da «supremacia do trabalho humano sobre o capital».
Correa, em mensagem ao país, lembrou que a classe operária tem sido «vítima da longa e triste noite neoliberal onde o trabalho se converteu em mais um instrumento de acumulação». Sublinhando que «as políticas económicas implementadas na América Latina nas últimas décadas sempre foram em benefício do grande capital e em prejuízo dos trabalhadores», o presidente equatoriano lembrou que durante anos se reduziram os salários reais, a estabilidade dos postos de trabalho e se criaram «formas de exploração laboral com nomes como a terceirização, intermediação, contratação temporária que não eram mais do que formas de legitimar e legalizar a exploração laboral».
A Revolução Cidadania que está a ser levada a cabo com o povo, disse, propõe-se romper com esse passado, embora haja «ainda muito por fazer».
O dever do Estado
Na Bolívia e na Venezuela, paralelamente às acções de massas, os presidentes Evo Morales e Hugo Chávez aproveitaram a ocasião para nacionalizar empresas do sector eléctrico e antecipar o aumento do salário mínimo previsto para Setembro, respectivamente.
«Novamente num 1.º de Maio, estamos a recuperar as nossas empresas capitalizadas», disse Morales, numa referência ao programa de nacionalizações iniciado há quatro anos (hidrocarbonetos, primeiro, a que se seguiu as telecomunicações e o sector dos minérios), sublinhando que é um dever do Estado «recuperar e nacionalizar os nossos recursos naturais e os serviços básicos».
No emblemático Dia do Trabalhador, um decreto presidencial concretizou a nacionalização das empresas de energia Corani, Guaracachi, Valle Hermoso e Luz e Força de Cochabamba. «Hoje estamos a recuperar a luz para todos os bolivianos (...) Desta forma o Estado plurinacional já controla mais de 80% da energia que se produz na Bolívia», enfatizou Morales.
Já na Venezuela, o 1.º de Maio marcou a entrada em vigor, antecipada, do aumento de 15% do salário mínimo. Recorda-se que, em 23 de Fevereiro último, o governo decidiu aumentar o salário mínimo em 25%, em duas tranches: 10% a partir de 1 de Março e os restantes 15% em 1 de Setembro. Ao antecipar a segunda tranche, o governo assumiu uma despesa adicional estimada em cerca de dois mil milhões de bolívares.
Os exemplos destes quatro países, todos sob fogo cerrado das campanhas do imperialismo – ainda que de diferentes formas e intensidade – constitui um testemunho não só de que a alternativa existe e outra sociedade é possível, mas sobretudo de que é pela mobilização e luta de massas que se pode construir um mundo mais justo e fraterno.