Russos lembram Estaline
Cerca de 100 mil militantes e simpatizantes do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) celebraram, domingo, os 65 anos da vitória do Exército Vermelho sobre o nazifascismo.
«Esta guerra ficará para sempre na história da humanidade»
A manifestação, que durante horas percorreu as ruas de Moscovo até se concentrar na Praça Lubianka, foi encabeçada por dirigentes do PCFR, incluindo o secretário-geral Guennadi Ziuganov, que em declarações à imprensa sublinhou o papel de Estaline na derrota do nazismo.
«Não há vitória sem Estaline. Estaline ocupou os quatro cargos mais importantes nos anos da guerra, cinco anos seguidos. Foi dirigente do país, chefe do governo, dirigente do Ministério da Defesa e Comandante Supremo das Forças Armadas. Sem Estaline não começava nenhuma operação militar», afirmou Ziuganov.
A figura de Estaline foi de resto uma presença marcante no desfile, quer nos cartazes transportados pelos manifestantes quer na decoração do carro de som que acompanhou a iniciativa difundindo canções da época da II Guerra Mundial.
O 65.º aniversário da vitória do Exército Vermelho foi igualmente assinalado a nível oficial, com uma imponente parada militar na Praça Vermelha em que participaram onze mil soldados e 75 modelos de armamentos, incluindo tanques, mísseis e aviões, e a que assistiram 40 chefes de Estado e de governo.
As honras da casa estiveram a cargo do presidente russo, Dmitri Medvedev, que no seu discurso lembrou que as lições da Segunda Guerra Mundial apelam à união, sublinhando que a «paz continua a ser frágil e é nosso dever recordarmo-nos sempre de que as guerras não se declaram numa hora» e que o «mal ganha força se recuamos perante ele».
«Devemos unir-nos para fazer face às ameaças contemporâneas. Só é possível resolver os problemas da segurança global na base de relações de boa vizinhança para fazer triunfar no mundo inteiro os ideais da justiça e da paz, bem como para assegurar a liberdade e prosperidade às gerações futuras», disse Medvedev.
Promessas aos veteranos
Na véspera das comemorações oficiais, os dirigentes dos países da Comunidade de Estados Independentes (CEI), reunidos em cimeira na capital russa, divulgaram um comunicado felicitando os veteranos e trabalhadores da retaguarda na Grande Guerra Pátria (1941-1945) e prometeram defender os seus direitos sociais e económicos.
«Esta guerra ficará para sempre na história da humanidade como a mais terrível e sangrenta», refere o documento citado pela Lusa, garantindo que os chefes de Estado «conservarão seriamente a memória dos mortos, continuarão a defesa total dos direitos económicos e sociais, dos interesses legítimos dos veteranos da Grande Guerra Pátria e dos trabalhadores da retaguarda».
A cimeira da CEI, que reúne 10 das quinze repúblicas da antiga União Soviética, debateu as prioridades para o corrente ano, as quais visam, segundo Dmitri Medvedev, «a cooperação científica e a actividade conjunta na esfera das altas tecnologias», tendo como objectivo a modernização das respectivas economias.