Comentário

UE-EUA e a ALBA

Na semana passada (19 de Abril) assinalou-se em Caracas o bicentenário da independência da Venezuela contra o colonialismo do século XIX e os seus mais destacados actores nessa luta épica de grande significado para a emancipação dos povos da América Latina e de todo o Mundo. Às comemorações juntaram-se os chefes de Estado e de Governo dos países membros da ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da nossa América – Tratado de Comércio dos Povos), o que constituiu um momento de reafirmação da «consolidação da soberania dos povos» e da «construção do caminho para o Socialismo».
Desde a sua criação em 2004, a ALBA tem vindo a definir-se como uma alternativa à integração neoliberal que os EUA, através da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), e a UE, através de «tratados de livre comércio», têm vindo a tentar impor na América Latina. A ALBA assume-se como um espaço complementar de resposta à crise do capitalismo, num quadro em que a América Latina é hoje um teatro de uma intensa luta de classes e de rearrumação de forças em que os EUA e a UE se concertam e ao mesmo tempo rivalizam na tentativa de impor uma integração neoliberal.
Impondo-se, esse projecto constituiria um brutal ataque contra quem trabalha, acentuando a exploração por via do aumento da competitividade e da pressão para acabar com direitos, baixar salários, aumentar horários de trabalho, fragilizaria ainda mais a posição dos trabalhadores face ao capital, aumentando também a rapina dos recursos naturais existentes e a degradação ambiental.
A competição pela partilha de mercados, força de trabalho barata e o domínio sobre recursos naturais constitui um dos traços mais marcantes da época que vivemos, com o capitalismo mergulhado numa profunda crise, atacando a soberania e independência dos povos e países, acentuando as desigualdades existentes entre eles e a divisão do trabalho no plano internacional.

Resposta solidária

Ao «salve-se quem puder», que define hoje a política dos blocos e países imperialistas, a ALBA tem respondido com a solidariedade, a cooperação, a complementaridade, o respeito, a justiça e igualdade como bases para a criação de alternativas às dinâmicas e aos mecanismos que asseguram o domínio do imperialismo.
Embora diversos no conteúdo e na forma política e ideológica, os processos progressistas e revolucionários de alguns desses países constituem hoje uma ameaça à influência dos EUA sobre a América Latina (considerado historicamente como o seu «pátio das traseiras») e à progressiva entrada do capital da UE na região.
Num manifesto celebrado em Caracas reafirma-se a unidade dos países da ALBA, vilipendiados pelos grandes meios de comunicação social nacionais e internacionais, que, a partir dos EUA e da UE, promovem campanhas de mentira, deturpação, calúnia e omissão de factos ou acontecimentos nesses países, de que é exemplo a vergonhosa campanha em curso contra Cuba. São os mesmos meios que nada, ou quase nada, referem sobre os cinco jornalistas mortos nas Honduras – país que foi membro da ALBA – durante o mês de Março, as 150 execuções extrajudiciais desde o golpe de 28 de Junho, e todo o aparato repressivo que vem sendo desenvolvido neste país pelos golpistas contra a resistência hondurenha.
Os meios de comunicação social dominados pelo imperialismo cumprem com a sua função. Se noticiassem estes acontecimentos, exporiam a hipocrisia da UE que está na via da normalização das relações com o regime resultante do golpe de Estado e da violação da legalidade constitucional nas Honduras. É caso para perguntar: onde estão aquelas ONG tão «defensoras dos direitos dos jornalistas», sempre tão disponíveis para atacar Cuba e a Venezuela? Porquê este silêncio sepulcral sobre a inexistência de qualquer investigação ou prisão de suspeitos pela morte de jornalistas desde o golpe de Estado?
As maiores potências e blocos imperialistas, como a UE e os EUA, disputam a «partilha do mundo» e recorrem a todos os meios económicos, políticos, diplomáticos e militares para alargar o seu domínio. A reactivação da IV Frota dos EUA para a América Latina, o uso de sete bases militares na Colômbia, e os perigos que espreitam da revisão do conceito estratégico da NATO e da militarização da UE evidenciam que a guerra é também uma opção.
Estamos activamente solidários. A luta dos povos contra o imperialismo não tem fronteiras: lá ou cá o caminho é seguir lutando, sempre e sempre, contra todo o tipo de exploração do homem pelo homem.


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