Lehman Brothers acusado de mascarar contas

Contribuintes pagaram a factura

O Lehman Brothers ocultou a sua real situação antes de falir, diz um relatório divulgado a semana passada. Os executivos da instituição e a auditora Ernst & Young conheciam a situação.

A falência justificou a canalização de fundos públicos para o capital financeiro

Num documento de mais de duas mil páginas, resultante de um ano de investigação, o advogado Anton Valukas concluiu que o banco alterou os seus balanços para ocultar a sua verdadeira situação, apresentando-se, assim, como uma instituição sã.
A bancarrota do Lehman, quarto maior banco de investimentos dos EUA, abriu uma nova página na maior crise capitalista desde o crash bolsista de 1929 e justificou a canalização de centenas de milhares de milhões de dólares dos contribuintes para o capital financeiro.
Segundo Valukas, antes de pedir a concordata junto do tribunal de falências de Nova Iorque, já a entidade financeira era incapaz de saldar as suas dívidas. A insolvência foi, no entanto, escondida através da manipulação dos relatórios com conhecimento do então presidente do banco, Dick Fuld, dos directores financeiros, Chris O'Meara, Erin Callan e Ian Lowitt, e com a contribuição da auditora Ernst & Young, agora acusada de negligência e incompetência profissional. A empresa já rejeitou as acusações e diz que agiu com lisura durante o período em que prestou serviços ao Lehman.

O truque

Para esconder cerca de 50 mil milhões de dólares em investimentos ligados ao crédito malparado, a Lehman terá efectuado, através de uma sua sucursal em Londres, uma operação de financiamento dando como garantia obrigações de uma dívida que não só sabia não estar garantida, como, pelo contrário, tinha consciência de que era incobrável.
Recorrendo a um instrumento chamado de «Repo105», terá obtido dinheiro fresco assegurando que repararia, a curto prazo e com vantagem para o banco financiador, a dívida emitida. Mas a verdade é que o montante estava relacionado com os empréstimos de alto risco, os quais, confirmou-se posteriormente, eram pura e simplesmente impossíveis de recuperar.

O objectivo

No dia 15 de Setembro de 2008 corriam rumores de que o Lehman Brothers anunciaria, nesse mesmo dia, a bancarrota, cinco meses depois de um seu congénere, o Bear Stearns, ter sido resgatado da falência pelo JP Morgan com o financiamento do Tesouro norte-americano. Uma semana antes, a administração norte-americana havia igualmente «nacionalizado» a Freddie Mac e a Fannie Mae.
Em face de uma nova falência, o então presidente da Reserva Federal de Nova York e actual secretário de Estado do Tesouro, Tim Geithner, reuniu os banqueiros procurando «salvar» o Lehman, mas as demais instituições sabiam que o banco não era «sadio» e recusaram adquiri-lo ou conceder-lhe crédito. A opção revelou-se para o grande capital a mais vantajosa, uma vez que funcionou como pressão para extorquir biliões aos contribuintes.
O então secretário do tesouro, Henry Paulson, insistia que o sistema financeiro era robusto, mas o cinismo era evidente e fica demonstrado pela sucessão dos acontecimentos.
Recusando o Lehman, o Bank of America preferiu comprar com a ajuda do Estado um outro banco de negócios, o Merrill Lynch. O Estado adquiriu 80 por cento da maior seguradora do mundo, a AIG. O JPMorgan comprou, também com o apoio do erário público, o Washington Mutual, o maior banco de depósitos a anunciar bancarrota na história dos EUA. O Citigroup absorveu contínuas «injecções» estatais contra 36 por cento do seu capital.
Posteriormente, dois bancos de negócios norte-americanos, a Goldman Sachs e o Morgan Stanley, pediram um novo estatuto e passaram a holdings bancárias, acedendo, desta forma, ao financiamento público.

Pequenos continuam a falir

Entretanto, nos EUA, continua o interminável rol de falências de pequenas instituições bancárias. Na semana passada, foi a vez do Statewide Bank, do Luisiana, e do Old Southern Bank, da Florida.
O Centennial Bank, do Arkansas, instituição de outra dimensão, já anunciou que administra os depósitos do Old Southern. O mesmo faz o Home Bank, também do Luisiana, em relação ao Statewide.
Com a bancarrota destes dois bancos, são já 30 as instituições que fecharam portas em 2010 e cujos negócios passam para as mãos de homólogas de maior porte. A Casa Branca tem disponíveis 30 mil milhões de dólares para «ajudar» os pequenos bancos.


Mais artigos de: Internacional

Reforçar a cooperação e avançar na luta

Reuniu no passado fim-de-semana, em Lisboa, o Grupo de Trabalho do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários. Os participantes agendaram para os dias 3 a 5 de Dezembro deste ano, em Joanesburgo, na África do Sul, o 12.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, decidiram assinalar o 65.º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo e adoptaram uma declaração comum pela paz e contra a NATO, cuja cimeira se realiza em Novembro em Portugal.

Contra a política antipopular

Dezenas de milhares de indianos participaram, sexta-feira, dia 12, numa marcha contra a política governamental e em defesa de medidas imediatas que beneficiem os trabalhadores e o povo. No próximo dia 8 de Abril, os protestos voltam às ruas em todas as capitais de distrito da Índia.

Jornalistas assassinados

Sem que o governo de facto das Honduras dê qualquer explicação ou tome uma posição pública, prossegue a onda de assassinatos perpetrados por grupos armados no país, os quais, aparentemente, actuam com total impunidade.Na noite de domingo, na cidade de Tocoa, a vítima foi o director de notícias da estação local de...

Provocações e Cia!

As várias direitas de todo o mundo andam numa azáfama sem precedentes para ver qual delas formula a acusação mais grave contra o líder do processo venezuelano. E até dá gosto ver como estão de afinadinhas! Agora a aldrabice partiu da Espanha monárquica pela boca de um juiz do partido de Aznar, o mesmo que, de mãos dadas...