Itália

A casta dos intocáveis

Foi em ambiente de gritos de indignação, objectos pelo ar e desordem geral que terminou, no dia 3, a votação na Câmara dos Deputados italiana da chamada lei do «legítimo impedimento», que permitirá ao primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e por arrasto a todos os membros do seu governo, faltar ao tribunal sem necessidade de justificação.
A norma, que tem efeitos retroactivos uma vez que Berlusconi já faltou a audiências sem justificação razoável, foi aprovada com 316 votos a favor, 239 contra e 40 abstenções.
O líder do Partido Democrático, Pierluigi Bersani, na sua declaração de voto, notou que «até agora, um primeiro-ministro que não comparecesse a um processo devia explicar a razão. A partir de amanhã pode não ir ao Tribunal apenas porque precisa de trabalhar serenamente. A realidade é que Berlusconi não quer ser julgado e para isso deixa o país encalhado, bloqueado pelo seu conflito com a justiça. Estas soluções por medida provocam em muitos italianos repulsa e indignação.»
Antonio Di Pietro, líder da Itália dos Valores, lembrou que esta lei é «a enésima decisão imoral e inconstitucional. Só num país bárbaro e ditador sucedem coisas destas. Até as crianças se dão conta disso.»
Recorde-se que ainda recentemente o Senado italiano aprovou um projecto governamental que determina o arquivamento de um vasto conjunto de processos que ultrapassam determinados limites temporais (onde naturalmente se incluem os que ameaçam il cavalieri).
Esta lei, que anulará mais de 100 mil processos em curso nos tribunais, designadamente grandes casos contra a mafia, de corrupção em bancos e empresas, está a ser ultimada no parlamento, apesar dos protestos da oposição e até dos deputados da União Cristã Democrática, os quais estavam prontos a aprovar a lei do «legítimo impedimento», caso fosse retirado o projecto de lei do «Processo Breve». Mas o acordo fracassou. Berlusconi decidiu levar por diante ambos os diplomas.


Mais artigos de: Europa

A luta continua na <i>Tekel</i>

Após quase 60 dias de greve, cerca de dois mil trabalhadores da antiga tabaqueira estatal turca, Tekel, prosseguem a sua luta pelos postos de trabalho acampados no centro de Ancara.

Roménia curva-se

As autoridades romenas aceitaram a instalação dos mísseis «interceptores» norte-americanos no seu território, anunciou, dia 4, o presidente do país Traian Basescu.

Vaga de contestação

Para ontem, dia 10, a central sindical PAME (Frente Militante de Trabalhadores) tinha convocado uma greve geral na Grécia que contava com a adesão de uma série de organizações sindicais, nos sectores agro-alimentar e bebidas, imprensa e livro, contabilistas, construção civil, metalurgia, comércio, entre muitos outros.A...

Pelo emprego na <i>Total</i>

Dois dias após terem invadido a sede da Total em Paris, os operários da refinaria da petrolífera francesa em Dunquerque lançaram, dia 3, um ultimato à administração, que pretende encerrar as instalações até ao próximo Verão. Ou a produção é retomada até à próxima segunda-feira, 15, ou os trabalhadores «tomarão posse das...

Por salários no <i>Ikea</i>

Cerca de 40 representantes dos trabalhadores da cadeia de lojas Ikea em França invadiram e ocuparam, na segunda-feira, 8, a sede do grupo em Plaisir, nos arredores de Paris, para reclamar aumentos salariais. A acção foi desencadeada no âmbito de um movimento de greve que afecta várias lojas do grupo desde sábado,...

Mais do mesmo

Com o Tratado de Lisboa, a votação da nova Comissão Europeia, e a sua subsequente entrada em funções, inicia-se um período em que, provavelmente, vamos deparar-nos com propostas de aprofundamento da integração capitalista europeia que estamos a viver. Aliás, a anterior Comissão já deixou muito trabalho preparado,...