Faculdade de Ciências de Lisboa encerrada

Estudantes aderem em massa ao protesto

Sem cadeados mas com muitos argumentos, a AE de Ciências de Lisboa encerrou a instituição. A iniciativa contou com uma grande adesão dos alunos.

«Muitos colegas perguntavam em que sítio é que eram mais necessários»

Na segunda-feira, os alunos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa não foram às aulas. De manhã, antes das aulas das 8h00, a Associação de Estudantes organizou uma barreira humana que impedia o acesso às instalações, cumprindo uma decisão da última Reunião Geral de Alunos (RGA), realizada na semana passada.
O protesto foi um sucesso, como contou Miguel Tiago Rosado, membro da AE, em declarações ao Avante!: «Ficámos muito satisfeitos com a generalidade das reacções, foram muito mais fortes do que esperávamos. Pensámos que houvesse pessoas que quisessem entrar, mas não houve qualquer tipo de problema.»
Cerca de 200 estudantes estavam inscritos nos piquetes, mas a participação chegou aos 400. «Muitos colegas chegavam e automaticamente perguntavam em que sítio é que eram mais necessários e começavam a convencer os funcionários e os professores a não entrar. Foi uma adesão total à iniciativa. Foi das coisas mais bonitas que pessoalmente vi», comenta o dirigente associativo.
Durante todo o dia não se realizaram aulas. A faculdade esteve parada. Apenas foram garantidos os serviços mínimos para os exames de época especial. Ao longo do dia, multiplicaram-se as conversas sobre as propinas, os problemas específicos da instituição e a mobilização dos estudantes para a greve de terça-feira. Foram vários os professores que manifestaram o seu apoio às reivindicações dos alunos. «Os próprios vigilantes da escola disseram-nos que estávamos a agir muito bem, que estávamos muito bem organizados», afirmou Miguel Rosado.

Sem cadeados

Não foi por acaso que a AE optou pela barreira humana, em vez dos tradicionais cadeados. Por um lado, era materialmente impossível fechar algumas portas de acesso à faculdade com correntes, mas, por outro, este é a forma ideal de protestar e ao mesmo tempo informar os colegas sobre as posições da associação.
«Queríamos potenciar a participação directa dos estudantes. Achámos que a luta estava suficientemente preparada para que não fossem necessários meios de impedir a entrada, bastava a consciencialização para que os colegas por si próprios decidissem não entrar. Foi exactamente isso que conseguimos», explica Miguel Rosado. «Nem sequer fechámos as portas em que podíamos usar cadeados. Queríamos mexer com a maior parte de estudantes e criar momentos de discussão sobre o ensino superior e sobre a nossa faculdade em particular», acrescenta.

Protestos intensificam-se

Miguel Rosado adianta que a contestação não vai abrandar por causa da substituição de Pedro Lynce por Maria da Graça Carvalho no cargo de ministro da Ciência e do Ensino Superior. «Não nos interessa qual é a cara, combatemos a opção política de favorecimento das elites por parte do Governo. A luta mantém-se e intensifica-se enquanto não sentirmos que há vontade de reverter o processo por parte do Ministério», garante.
O dirigente associativo diz que a AE da Faculdade de Ciências não se reunirá com a nova ministra enquanto a Lei de Bases e de Financiamento do Ensino Superior não for revogada. «Não vamos fazer de fantoches, legitimando decisões que nos são prejudiciais através de reuniões que nos podem comprometer com as decisões da ministra. Só queremos entrar em processo de diálogo, se for verdadeiro e se a ministra mostrar claramente que vai ter em conta a opinião dos estudantes. Não é isso que parece estar a acontecer: a lei continua em vigor.»


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