Força para crescer
A política de direita destruiu grandes unidades produtivas e até sectores de actividade inteiros, mas os sindicatos tomam medidas para organizar milhares de trabalhadores não sindicalizados.
É preciso juntar recursos e quadros, para chegar mais longe
Duas centenas de dirigentes sindicais da metalurgia, química, farmacêutica, indústrias eléctricas e energia participaram, dia 12, em Tentúgal, num encontro nacional sobre organização sindical, promovido pela federação intersindical destes sectores, a Fiequimetal/CGTP-IN, cujo primeiro congresso teve lugar no final de Novembro de 2007.
Tal como naquela altura, estiveram em debate as modificações ocorridas no tecido produtivo e as suas consequências para a organização e a luta dos trabalhadores e do movimento sindical unitário, em particular dos onze sindicatos da federação que têm sede no Continente (a Fiequimetal integra igualmente dois sindicatos da RA da Madeira). Como pano de fundo, para uma discussão que foi iniciada, nesta fase, há cerca de um ano, os dirigentes da federação e dos sindicatos tiveram presentes as orientações da 4.ª Conferência de Organização Sindical da CGTP-IN, salientando agora a actualidade do objectivo de dar mais força aos sindicatos, através do reforço da organização e da acção nos locais de trabalho. O 1.º Congresso da Fiequimetal já tinha assumido a decisão de prosseguir a reestruturação, depois do importante passo que foi a fusão das anteriores federações das indústrias eléctricas (FSTIEP) e da metalurgia, química, farmacêutica e minas (Fequimetal).
Deste encontro, em que o secretário-geral da CGTP-IN também interveio, a direcção da Fiequimetal recebeu mandato para apresentar um plano que, até final do primeiro semestre de 2010, deverá levar a reestruturação ao nível dos sindicatos. Na resolução, aprovada por maioria (20 votos contra, num total de 190 participantes inscritos), aponta-se para a constituição de quatro sindicatos intersectoriais da indústria e energia, com âmbito regional (Norte, Centro Norte, Centro Sul e Sul). Cada um deles deverá ter: um número razoável de associados, de quadros e de meios; uma estrutura leve e descentralizada; uma base financeira sólida; órgãos de direcção coesos e operacionais; mecanismos de participação dos quadros e da generalidade dos trabalhadores, tendo em conta as especificidades dos sectores.
Em cada um dos actuais sindicatos serão tomadas, a partir de agora, as decisões que vão dar corpo a esta proposta.
Com carácter mais imediato, são igualmente definidos, na resolução, objectivos e medidas para reforço da organização sindical, centrada nos locais de trabalho. Uma das medidas, com vista a ganhar mais associados e implantar os sindicatos em mais empresas, prevê que as direcções dos sindicatos destinem, pelo menos, dois dias por mês, a contactos em locais de trabalho onde não existe ainda uma sólida organização sindical.
Alterações e respostas
Esta nova etapa da reestruturação sindical, administrativa e financeira procura responder a transformações estruturais, ocorridas desde o final dos anos 80 (frequentemente sob a capa das privatizações e reestruturações), com medidas que permitam reforçar a capacidade de organização, intervenção e luta dos trabalhadores. Nos últimos anos, deslocalizações, despedimentos colectivos e encerramento de unidades ligadas a multinacionais aprofundaram a destruição do tecido produtivo e a liquidação de milhares de postos de trabalho. Os direitos dos trabalhadores ficaram mais debilitados, com as alterações à legislação laboral, o boicote patronal à contratação colectiva (e a ameaça de caducidade), os baixos salários, a precariedade e uma permanente chantagem para condicionar a organização e a luta nas empresas.
A resolução afirma que as medidas de reestruturação até agora tomadas permitiram que a acção sindical e a luta dos trabalhadores tivessem um incremento significativo, com resultados positivos.
No entanto, para responder a problemas mais complexos, perante governos empenhados em apoiar o grande capital e com um tecido empresarial crescentemente baseado em pequenas e médias empresas, é necessária mais acção directa na base e mais apoio aos sindicalizados, o que requer mais quadros, mais recursos, melhor preparação e métodos de trabalho mais eficazes.
A Fiequimetal e os seus sindicatos - salientou o encontro - são um importante pilar da defesa dos trabalhadores e da acção geral da CGTP-IN e constituem uma base para este reforço da organização e da acção, contando com mais de 50 mil associados, mais de 400 dirigentes e mais de 1400 delegados sindicais, intervindo em mais de 600 empresas.
A reestruturação permitirá libertar recursos para as potencialidades de crescimento da sindicalização e da organização, designadamente entre os mais de 120 mil trabalhadores de 500 empresas cujo quadro de pessoal ultrapassa a centena de efectivos.
Tal como naquela altura, estiveram em debate as modificações ocorridas no tecido produtivo e as suas consequências para a organização e a luta dos trabalhadores e do movimento sindical unitário, em particular dos onze sindicatos da federação que têm sede no Continente (a Fiequimetal integra igualmente dois sindicatos da RA da Madeira). Como pano de fundo, para uma discussão que foi iniciada, nesta fase, há cerca de um ano, os dirigentes da federação e dos sindicatos tiveram presentes as orientações da 4.ª Conferência de Organização Sindical da CGTP-IN, salientando agora a actualidade do objectivo de dar mais força aos sindicatos, através do reforço da organização e da acção nos locais de trabalho. O 1.º Congresso da Fiequimetal já tinha assumido a decisão de prosseguir a reestruturação, depois do importante passo que foi a fusão das anteriores federações das indústrias eléctricas (FSTIEP) e da metalurgia, química, farmacêutica e minas (Fequimetal).
Deste encontro, em que o secretário-geral da CGTP-IN também interveio, a direcção da Fiequimetal recebeu mandato para apresentar um plano que, até final do primeiro semestre de 2010, deverá levar a reestruturação ao nível dos sindicatos. Na resolução, aprovada por maioria (20 votos contra, num total de 190 participantes inscritos), aponta-se para a constituição de quatro sindicatos intersectoriais da indústria e energia, com âmbito regional (Norte, Centro Norte, Centro Sul e Sul). Cada um deles deverá ter: um número razoável de associados, de quadros e de meios; uma estrutura leve e descentralizada; uma base financeira sólida; órgãos de direcção coesos e operacionais; mecanismos de participação dos quadros e da generalidade dos trabalhadores, tendo em conta as especificidades dos sectores.
Em cada um dos actuais sindicatos serão tomadas, a partir de agora, as decisões que vão dar corpo a esta proposta.
Com carácter mais imediato, são igualmente definidos, na resolução, objectivos e medidas para reforço da organização sindical, centrada nos locais de trabalho. Uma das medidas, com vista a ganhar mais associados e implantar os sindicatos em mais empresas, prevê que as direcções dos sindicatos destinem, pelo menos, dois dias por mês, a contactos em locais de trabalho onde não existe ainda uma sólida organização sindical.
Alterações e respostas
Esta nova etapa da reestruturação sindical, administrativa e financeira procura responder a transformações estruturais, ocorridas desde o final dos anos 80 (frequentemente sob a capa das privatizações e reestruturações), com medidas que permitam reforçar a capacidade de organização, intervenção e luta dos trabalhadores. Nos últimos anos, deslocalizações, despedimentos colectivos e encerramento de unidades ligadas a multinacionais aprofundaram a destruição do tecido produtivo e a liquidação de milhares de postos de trabalho. Os direitos dos trabalhadores ficaram mais debilitados, com as alterações à legislação laboral, o boicote patronal à contratação colectiva (e a ameaça de caducidade), os baixos salários, a precariedade e uma permanente chantagem para condicionar a organização e a luta nas empresas.
A resolução afirma que as medidas de reestruturação até agora tomadas permitiram que a acção sindical e a luta dos trabalhadores tivessem um incremento significativo, com resultados positivos.
No entanto, para responder a problemas mais complexos, perante governos empenhados em apoiar o grande capital e com um tecido empresarial crescentemente baseado em pequenas e médias empresas, é necessária mais acção directa na base e mais apoio aos sindicalizados, o que requer mais quadros, mais recursos, melhor preparação e métodos de trabalho mais eficazes.
A Fiequimetal e os seus sindicatos - salientou o encontro - são um importante pilar da defesa dos trabalhadores e da acção geral da CGTP-IN e constituem uma base para este reforço da organização e da acção, contando com mais de 50 mil associados, mais de 400 dirigentes e mais de 1400 delegados sindicais, intervindo em mais de 600 empresas.
A reestruturação permitirá libertar recursos para as potencialidades de crescimento da sindicalização e da organização, designadamente entre os mais de 120 mil trabalhadores de 500 empresas cujo quadro de pessoal ultrapassa a centena de efectivos.