Interesses públicos e negócios privados
A sucessão dos factos escandalosos recentemente noticiados, bem como a revelação da existência em Portugal de poderosas redes mafiosas que põem e dispõem na banca, na comunicação social e na política, são achegas à compreensão de que forças obscuras mas altamente organizadas têm em curso um plano de esmagamento da democracia de Abril. Sucedem-se as grandes fraudes, os roubos mais descarados e os atropelos da lei. O Estado apaga-se e cai no mais completo descrédito. Com a maior impunidade, as redes das «mafias» funcionam à vista de todos nós. Os seus tentáculos dominam um sector público muito fragilizado e comandam o sector privado que se prepara para se sobrepor ao Estado nas funções públicas vitais.
Os pólos estratégicos desta vasta conspiração tem-se notado situarem-se na banca, na Igreja Católica e no Governo. A banca manipula as bolsas, escraviza as pequenas e médias empresas e financia os poderosos trusts que monopolizam o mercado. O Governo coloca-se ao serviço do grande patronato, canaliza para as sedes das holdings mais poderosas as verbas enviadas pela União Europeia, corta orçamentos nas áreas da economia e do trabalho e impõe nova legislação que, a exemplo do Código do Trabalho, se inscreve nos quadros da mais feroz perseguição aos direitos dos trabalhadores. A Igreja completa este quadro de intervenção antidemocrática: silencia perante os crimes cometidos, avança para os grandes negócios do capital e reorganiza activamente a sua «sociedade civil», de forma a prepará-la para as grandes tarefas que terão lugar num futuro próximo, quando o Estado entrar em colapso e os principais sectores da sociedade (Saúde, Educação, Segurança Social, etc.) forem finalmente entregues às instituições católicas privadas.
Curta metragem do campo da reacção
Embora a tecnologia actualmente usada na sabotagem do aparelho de Estado envolva alguns instrumentos de compreensão transcendente, no essencial as técnicas usadas não são novas e fazem lembrar o que se passou na Europa logo a seguir ao termo da II Grande Guerra mundial. Os estados fascistas tinham baqueado, os povos europeus viviam na miséria e as fontes da economia, pura e simplesmente, estavam destruídas. Por toda a parte, no entanto, os trabalhadores reagiam e lançavam mãos à construção de uma sociedade nova conduzida por forças da esquerda política. Reanimou-se a economia, a indústria e o comércio. Milhares de empresas foram nacionalizadas. Os Estados socialistas europeus tornaram-se o grande motor da recuperação.
Alarmados ficaram o Vaticano, a banca e as forças políticas da direita.
Como fazer para travar esta tendência alarmante? Veio, então, o «Plano Marshall» e com ele uma nova estratégia. Já que as nacionalizações tinham caído bem na opinião pública, deixá-las ficar. Para domá-las bastaria fazê-las gerir por gente da confiança dos banqueiros... O ardil resultou em cheio. As ovelhas voltaram ao redil. E uma nova ética política consagrou este princípio: interesses públicos, negócios privados. O dinheiro era americano, os alimentos vinham da América, tudo era made in USA. Quando estoirassem grandes escândalos que envolvessem banqueiros, políticos, cardeais ou generais, a comunicação social, bem controlada, conseguia o «milagre» de transformar os criminosos em heróis e os ladrões em santos.
Em Portugal, estamos agora a assistir à reedição dessa curta metragem dos anos 50. Abril caminhou inicialmente na senda do socialismo. Então, os políticos reaccionários disfarçaram-se com os fatos da Revolução, fizeram discursos demagógicos com que enganaram o povo, tomaram o poder e infiltraram-se maciçamente na economia e no aparelho do Estado. São esses os que nos enganam e exploram.
A Igreja calou-se e fez fortuna à sombra da corrupção geral. A comunicação social corrompeu-se e prostrou-se aos pés dos vilões. O povo português deixou-se hipnotizar pelas falsas promessas mas hoje acorda esmagado pelo desemprego, pela pobreza e com a angústia do dia de amanhã.
É urgente romper-se com tudo isto. É preciso lutar, recuperar as liberdades e construir o nosso futuro, colectivo e socialista.
Os pólos estratégicos desta vasta conspiração tem-se notado situarem-se na banca, na Igreja Católica e no Governo. A banca manipula as bolsas, escraviza as pequenas e médias empresas e financia os poderosos trusts que monopolizam o mercado. O Governo coloca-se ao serviço do grande patronato, canaliza para as sedes das holdings mais poderosas as verbas enviadas pela União Europeia, corta orçamentos nas áreas da economia e do trabalho e impõe nova legislação que, a exemplo do Código do Trabalho, se inscreve nos quadros da mais feroz perseguição aos direitos dos trabalhadores. A Igreja completa este quadro de intervenção antidemocrática: silencia perante os crimes cometidos, avança para os grandes negócios do capital e reorganiza activamente a sua «sociedade civil», de forma a prepará-la para as grandes tarefas que terão lugar num futuro próximo, quando o Estado entrar em colapso e os principais sectores da sociedade (Saúde, Educação, Segurança Social, etc.) forem finalmente entregues às instituições católicas privadas.
Curta metragem do campo da reacção
Embora a tecnologia actualmente usada na sabotagem do aparelho de Estado envolva alguns instrumentos de compreensão transcendente, no essencial as técnicas usadas não são novas e fazem lembrar o que se passou na Europa logo a seguir ao termo da II Grande Guerra mundial. Os estados fascistas tinham baqueado, os povos europeus viviam na miséria e as fontes da economia, pura e simplesmente, estavam destruídas. Por toda a parte, no entanto, os trabalhadores reagiam e lançavam mãos à construção de uma sociedade nova conduzida por forças da esquerda política. Reanimou-se a economia, a indústria e o comércio. Milhares de empresas foram nacionalizadas. Os Estados socialistas europeus tornaram-se o grande motor da recuperação.
Alarmados ficaram o Vaticano, a banca e as forças políticas da direita.
Como fazer para travar esta tendência alarmante? Veio, então, o «Plano Marshall» e com ele uma nova estratégia. Já que as nacionalizações tinham caído bem na opinião pública, deixá-las ficar. Para domá-las bastaria fazê-las gerir por gente da confiança dos banqueiros... O ardil resultou em cheio. As ovelhas voltaram ao redil. E uma nova ética política consagrou este princípio: interesses públicos, negócios privados. O dinheiro era americano, os alimentos vinham da América, tudo era made in USA. Quando estoirassem grandes escândalos que envolvessem banqueiros, políticos, cardeais ou generais, a comunicação social, bem controlada, conseguia o «milagre» de transformar os criminosos em heróis e os ladrões em santos.
Em Portugal, estamos agora a assistir à reedição dessa curta metragem dos anos 50. Abril caminhou inicialmente na senda do socialismo. Então, os políticos reaccionários disfarçaram-se com os fatos da Revolução, fizeram discursos demagógicos com que enganaram o povo, tomaram o poder e infiltraram-se maciçamente na economia e no aparelho do Estado. São esses os que nos enganam e exploram.
A Igreja calou-se e fez fortuna à sombra da corrupção geral. A comunicação social corrompeu-se e prostrou-se aos pés dos vilões. O povo português deixou-se hipnotizar pelas falsas promessas mas hoje acorda esmagado pelo desemprego, pela pobreza e com a angústia do dia de amanhã.
É urgente romper-se com tudo isto. É preciso lutar, recuperar as liberdades e construir o nosso futuro, colectivo e socialista.