Anúncio feito no dia a seguir às eleições

Qimonda despede 500

No dia a seguir às eleições autárquicas, a administração da Qimonda Portugal, em conjunto com o administrador de insolvência, anunciou o despedimento de 590 trabalhadores que estavam em regime de lay-off.

A Qimonda anunciou o despedimento no dia a seguir às eleições

Este número, que no dia seguinte foi «corrigido» para 490, é, ainda assim, muito superior aos 230 anunciados na assembleia de credores realizada no dia 29 – ou seja, apenas dois dias depois das eleições legislativas. Neste momento, trabalham na Qimonda cerca de 200 operários, sendo que os restantes – já menos de 800 – estão em lay-off.
No mesmo dia, o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Basílio Horta, considerou este despedimento como já estando previsto no plano de viabilização da empresa, não explicando, porém, a diferença de número de trabalhadores abrangidos pelo despedimento. Em declarações à TSF, este responsável voltou a garantir que a empresa não fechará.
Num comunicado de dia 13, a Comissão Sindical do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte e Centro (STIENC/CGTP-IN) questiona a «boa-fé do processo em curso, que, a nosso ver, foi travado propositadamente para que esta decisão de continuar a despedir trabalhadores da Qimonda não fosse coincidente com o período eleitoral, respondendo a incompreensíveis interesses político-partidários». A comissão sindical lamenta que o ministro da Economia não tenha respondido ainda ao pedido de reunião feito pelo sindicato.
Considerando que o processo de despedimento agora apresentado «ultrapassa em muito o que era sugerido no plano de insolvência», a Comissão Sindical exige que o Governo intervenha no sentido de evitar os despedimentos e salvaguardar os interesses do País.
No comunicado sindical, a Comissão Sindical lembra a evolução dos despedimentos na Qimonda, desde que se abriu o processo de insolvência, em Janeiro deste ano – empregava então 2 mil trabalhadores. O primeiro passo, lembra-se, foi o despedimento de 400 trabalhadores contratados a prazo. A seguir, foram mais 600, entre os quais os restantes trabalhadores precários.
Dos mil que ficaram, 810 passaram para a situação de lay-off e 190 ficaram a fazer a manutenção técnica dos equipamentos. Tarefa para a qual foram chamados, mais tarde, 40 trabalhadores. Ficaram, assim, 230 nesta situação.
Durante o Verão, mais 180 trabalhadores da Qimonda foram para o desemprego, através das chamadas «rescisões por mútuo acordo». Com o despedimento anunciado na segunda-feira, vão embora os «restantes», ficando a empresa com apenas 230 trabalhadores, «porque precisa deles para fazerem a manutenção dos equipamentos».




Mais artigos de: Trabalhadores

Abusos no enriquecimento curricular

As Actividades de Enriquecimento Curricular, criadas pelo Governo PS cessante, «assentam num modelo errado cuja correcção deve ser rapidamente adoptada», exigiu, dia 7, a Federação Nacional dos Professores.

Exigir emprego, direitos e salários

Com o apoio e a força da CGTP-IN, cada vez mais trabalhadores ameaçados pelo desemprego ou com remunerações em atraso adoptam formas de luta em defesa dos seus direitos.Na Saint Gobain Glass, em Santa Iria da Azóia, Loures, está agendado, para hoje, um plenário para os trabalhadores decidirem o que fazer para que a...

Há seguro para acidentes na <i>EMEF</i>?

Após um acidente de trabalho com trabalhadores da EMEF, dia 7, na linha de Sintra, semelhante a outro que ocorreu dia 2, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário enviou um comunicado às administrações desta empresa e da CP, onde pergunta porque é que os trabalhadores não foram socorridos nos...

Sindicato apela à luta

Conhecida a intenção do Grupo Média Capital de levar a cabo um novo despedimento colectivo no Rádio Clube Português (RCP), o Sindicato dos Jornalistas (SJ) apela a todos os visados para que lutem em defesa dos respectivos postos de trabalho.Em comunicado emitido anteontem, 13, o SJ lembra que esta medida «despropositada...