Um «modelo» a não esquecer
As recentes medidas de despedimento e lay-off na Qimonda constituem, para já, o culminar de um longo e injusto processo de sofrimento para os trabalhadores que laboram naquela empresa, situada em Vila do Conde. A «empresa-modelo», que há bem poucos meses o primeiro-ministro, José Sócrates, usava como exemplo da «boa governação» e do «bom investimento», é agora fonte de desespero de muitos trabalhadores daquela região, na sua maioria com menos de 30 anos, e é também, contrariamente ao antes apregoado pelo actual Governo, um claro exemplo do desrespeito pelos trabalhadores, por parte da grande maioria das multinacionais.
Com uma taxa de desemprego acima de 12 por cento, na região de Vila do Conde, há 600 trabalhadores que já receberam as cartas onde a Qimonda manifesta a intenção de despedimento. Estes olham para o futuro com um enorme desânimo. À situação de desemprego alia-se a inexistência de alternativas.
Para outros 800 trabalhadores, abrangidos pelo processo de lay-off, as perspectivas são igualmente más. Famílias que viviam já «a contar os cêntimos», vêem agora os seus rendimentos reduzidos para dois terços. Na maioria dos casos, como sucede com os operários da linha de montagem e teste, isto vai traduzir-se num rendimento mensal líquido de 400 euros. Muitos casais, com marido e mulher a trabalhar na Qimonda, verão desaparecer, de um momento para o outro, mais de 500 euros do seu rendimento mensal.
Das más novas - comprovando o claro desrespeito da multinacional pelos trabalhadores - estes têm sabido pela comunicação social, antes de o saberem pela empresa onde trabalham. Assim foi com a paragem de laboração, iniciada a 14 de Abril. Assim foi com o processo de insolvência, comunicado na véspera daquela paragem. E assim foi com os recentes processos de despedimento e lay-off.
A razão invocada agora é a crise internacional. Mas, muito antes desta crise internacional chegar a Portugal, já a Qimonda tinha dado mostras concretas da «filosofia» com que trata os seus trabalhadores.
No início de 2007, esta empresa implementou um horário de turnos rotativos, com jornadas de 12 horas, dependendo a aplicação do horário da sua aceitação pelos trabalhadores. Cerca de setenta trabalhadores, que recusaram as desumanas jornadas de 12 horas, foram despedidos, alegando a Qimonda que se tratava de uma extinção dos postos de trabalho - justificação totalmente contraditória com o facto de se manterem as saídas e entradas de centenas de trabalhadores, com contratos a termo, todos os anos, e existindo, naquela altura, um constante recurso ao trabalho temporário.
Na mesma semana desse despedimento, em 2007, foram entregues à Qimonda, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro e outros ilustres convidados, mais 70 milhões de euros, de fundos públicos, a somar às centenas de milhões que lá foram chegando ao longo dos anos.
Um eventual futuro da única empresa do sector de semicondutores na Europa continua envolto em mistério, cercado pelas constantes notícias sobre supostos esforços governamentais e sobre investidores que vão aparecendo, para logo de seguida desaparecerem... e sempre sem que os trabalhadores tenham qualquer tipo de informação credível relativamente ao seu futuro.
TC
Com uma taxa de desemprego acima de 12 por cento, na região de Vila do Conde, há 600 trabalhadores que já receberam as cartas onde a Qimonda manifesta a intenção de despedimento. Estes olham para o futuro com um enorme desânimo. À situação de desemprego alia-se a inexistência de alternativas.
Para outros 800 trabalhadores, abrangidos pelo processo de lay-off, as perspectivas são igualmente más. Famílias que viviam já «a contar os cêntimos», vêem agora os seus rendimentos reduzidos para dois terços. Na maioria dos casos, como sucede com os operários da linha de montagem e teste, isto vai traduzir-se num rendimento mensal líquido de 400 euros. Muitos casais, com marido e mulher a trabalhar na Qimonda, verão desaparecer, de um momento para o outro, mais de 500 euros do seu rendimento mensal.
Das más novas - comprovando o claro desrespeito da multinacional pelos trabalhadores - estes têm sabido pela comunicação social, antes de o saberem pela empresa onde trabalham. Assim foi com a paragem de laboração, iniciada a 14 de Abril. Assim foi com o processo de insolvência, comunicado na véspera daquela paragem. E assim foi com os recentes processos de despedimento e lay-off.
A razão invocada agora é a crise internacional. Mas, muito antes desta crise internacional chegar a Portugal, já a Qimonda tinha dado mostras concretas da «filosofia» com que trata os seus trabalhadores.
No início de 2007, esta empresa implementou um horário de turnos rotativos, com jornadas de 12 horas, dependendo a aplicação do horário da sua aceitação pelos trabalhadores. Cerca de setenta trabalhadores, que recusaram as desumanas jornadas de 12 horas, foram despedidos, alegando a Qimonda que se tratava de uma extinção dos postos de trabalho - justificação totalmente contraditória com o facto de se manterem as saídas e entradas de centenas de trabalhadores, com contratos a termo, todos os anos, e existindo, naquela altura, um constante recurso ao trabalho temporário.
Na mesma semana desse despedimento, em 2007, foram entregues à Qimonda, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro e outros ilustres convidados, mais 70 milhões de euros, de fundos públicos, a somar às centenas de milhões que lá foram chegando ao longo dos anos.
Um eventual futuro da única empresa do sector de semicondutores na Europa continua envolto em mistério, cercado pelas constantes notícias sobre supostos esforços governamentais e sobre investidores que vão aparecendo, para logo de seguida desaparecerem... e sempre sem que os trabalhadores tenham qualquer tipo de informação credível relativamente ao seu futuro.
TC