Meios de comunicação e contra-revolução
«(...) Fez bem o no presidente Pedro Carmona Estanga em prescindir, de uma só vez, destas monstruosidades institucionais, desvalorizadas ética e moralmente pela pouca galhardia com a que os seus representantes exerceram o cargo». Foi assim que o jornal El Nacional – e a grande maioria dos media – se referiu editorialmente, no 13 de Abril, à consumação do golpe de estado de 2002. Entras essas “monstruosidades” estava a Constituição de 1999, a primeira aprovada pelo voto popular.
Se em 2002 os media aprovaram freneticamente a derrogação dessa Constituição, hoje apresentam-se como os mais esforçados defensores da mesma, sempre que se avizinha alguma emenda que a torne ainda mais democrática. Foi o caso do referendo de Fevereiro 2009, ganho folgadamente pelas forças progressistas.
De facto, os opositores ao processo bolivariano não são os velhos partidos da IV República ou abortos nascidos do mesmo útero, mas sim os media que, obedecendo a interesses de classe plenamente identificados com o imperialismo, estão numa permanente campanha de satanização de Hugo Chávez e conseguem envenenar quase toda a classe média e até uma boa parte do povo, o qual deveria apoiar este processo transformador por ser o mais beneficiado com o mesmo.
Era assim em 2002. É assim hoje. Se existe alguma batalha que o processo bolivariano está a perder é a batalha mediática, a da informação. Em grande parte porque a maioria dos grandes media são da oposição, mas também pela falta de um política comunicacional coerente e muito particularmente por uma lenidade que roça a fronteira do suicídio. O governo de Hugo Chávez está apostado no ensaio de uma revolução em total liberdade e tolerância e parece não ver que tanta tolerância exacerba a intolerância dos seus inimigos. Os media sabem que têm liberdade absoluta para o quer que seja e usam-na sempre e sem qualquer tipo de escrúpulo deontológico.
Globovisión: ponta de lança da contra-revolução
O caso deste canal de televisão é pateticamente paradigmático. Não tem um só segundo de grelha que não seja um ataque feroz contra Hugo Chávez. Um exemplo.
No dia 27 de Março, por volta das 11 da manhã, este canal– que funciona com um verdadeiro partido político – «construiu» um caso de «perseguição política» contra uma das suas jornalistas, uma tal Beatriz Adrian. Durante mais de sete horas, denunciou com «provas à vista» que a sua repórter estava a ser «seguida» e «ameaçada» pela polícia política chavista. A «heroína» que se prestou a esta jogada estava a tomar um café numa pastelaria quando «fotografou» dois polícias, que a seguiam descaradamente.
Mais. Estes mesmos polícias, que andavam de mota, teriam estado antes noutra pastelaria onde ela pensava ir. De alguma forma – eventualmente a través da intercepção do seu telemóvel – terão sabido que ela mudara de ideia e apareceram finalmente onde ela estava. Para acrescentar mais drama a esta estória de terror, um amigo ter-lhe-á telefonado para a alertar para o facto arrepiante de que «os secretas» a estavam a seguir.
Toda esta aventura rocambolesca de uma «vítima» do chavismo ficou claramente demonstrada com as várias fotografias tiradas por esta «resistente» e pela palavra «insuspeita» dos amigos que a acompanhava na pastelaria. Como não podia deixar de ser, o grémio dos jornalistas, intimamente ligado à oposição, apressou-se a tomar posição sobre esta nova «agressão» e «intimidação» do totalitarismo chavista e publicou um comunicado denunciando a «perseguição». Durante mais de sete horas, a Globovisión martelou insistentemente a audiência com esta «denúncia» e publicou a mesma na sua página de Internet.
Finalmente, quando a «perseguida» já devia estar à beira de um ataque de nervos, a insuportável verdade veio à tona. Ao cair da tarde, os «secretas» apresentaram-se no canal e identificaram-se como seguranças de uma companhia privada que nada tinha a ver com a polícia!
A Globovisión não lhes deu audiência, talvez por serem um tanto escurinhos de pele. Mas os jornalistas de turno, doentiamente opositores como só pode ser quem trabalha neste canal, disseram que tinha sido tudo uma confusão. Que os dois «jovens» se tinham apresentado no canal, que não passava nada... e agora até tinham dois «novos amigos»! Tudo isto em menos de um minuto. Depois de mais de sete horas duma campanha de terror, um final «feliz» em menos de um minuto!
Este é o pão nosso de cada dia da comunicação social na Venezuela... e no mundo!
Se em 2002 os media aprovaram freneticamente a derrogação dessa Constituição, hoje apresentam-se como os mais esforçados defensores da mesma, sempre que se avizinha alguma emenda que a torne ainda mais democrática. Foi o caso do referendo de Fevereiro 2009, ganho folgadamente pelas forças progressistas.
De facto, os opositores ao processo bolivariano não são os velhos partidos da IV República ou abortos nascidos do mesmo útero, mas sim os media que, obedecendo a interesses de classe plenamente identificados com o imperialismo, estão numa permanente campanha de satanização de Hugo Chávez e conseguem envenenar quase toda a classe média e até uma boa parte do povo, o qual deveria apoiar este processo transformador por ser o mais beneficiado com o mesmo.
Era assim em 2002. É assim hoje. Se existe alguma batalha que o processo bolivariano está a perder é a batalha mediática, a da informação. Em grande parte porque a maioria dos grandes media são da oposição, mas também pela falta de um política comunicacional coerente e muito particularmente por uma lenidade que roça a fronteira do suicídio. O governo de Hugo Chávez está apostado no ensaio de uma revolução em total liberdade e tolerância e parece não ver que tanta tolerância exacerba a intolerância dos seus inimigos. Os media sabem que têm liberdade absoluta para o quer que seja e usam-na sempre e sem qualquer tipo de escrúpulo deontológico.
Globovisión: ponta de lança da contra-revolução
O caso deste canal de televisão é pateticamente paradigmático. Não tem um só segundo de grelha que não seja um ataque feroz contra Hugo Chávez. Um exemplo.
No dia 27 de Março, por volta das 11 da manhã, este canal– que funciona com um verdadeiro partido político – «construiu» um caso de «perseguição política» contra uma das suas jornalistas, uma tal Beatriz Adrian. Durante mais de sete horas, denunciou com «provas à vista» que a sua repórter estava a ser «seguida» e «ameaçada» pela polícia política chavista. A «heroína» que se prestou a esta jogada estava a tomar um café numa pastelaria quando «fotografou» dois polícias, que a seguiam descaradamente.
Mais. Estes mesmos polícias, que andavam de mota, teriam estado antes noutra pastelaria onde ela pensava ir. De alguma forma – eventualmente a través da intercepção do seu telemóvel – terão sabido que ela mudara de ideia e apareceram finalmente onde ela estava. Para acrescentar mais drama a esta estória de terror, um amigo ter-lhe-á telefonado para a alertar para o facto arrepiante de que «os secretas» a estavam a seguir.
Toda esta aventura rocambolesca de uma «vítima» do chavismo ficou claramente demonstrada com as várias fotografias tiradas por esta «resistente» e pela palavra «insuspeita» dos amigos que a acompanhava na pastelaria. Como não podia deixar de ser, o grémio dos jornalistas, intimamente ligado à oposição, apressou-se a tomar posição sobre esta nova «agressão» e «intimidação» do totalitarismo chavista e publicou um comunicado denunciando a «perseguição». Durante mais de sete horas, a Globovisión martelou insistentemente a audiência com esta «denúncia» e publicou a mesma na sua página de Internet.
Finalmente, quando a «perseguida» já devia estar à beira de um ataque de nervos, a insuportável verdade veio à tona. Ao cair da tarde, os «secretas» apresentaram-se no canal e identificaram-se como seguranças de uma companhia privada que nada tinha a ver com a polícia!
A Globovisión não lhes deu audiência, talvez por serem um tanto escurinhos de pele. Mas os jornalistas de turno, doentiamente opositores como só pode ser quem trabalha neste canal, disseram que tinha sido tudo uma confusão. Que os dois «jovens» se tinham apresentado no canal, que não passava nada... e agora até tinham dois «novos amigos»! Tudo isto em menos de um minuto. Depois de mais de sete horas duma campanha de terror, um final «feliz» em menos de um minuto!
Este é o pão nosso de cada dia da comunicação social na Venezuela... e no mundo!