Uma «terceira via» para o grande capital
A situação económica e financeira de Portugal caminha rapidamente para o descontrolo. No mais recente relatório da OCDE com previsões para 2009 e 2010, divulgado há poucos dias, prevê-se o agravamento da dívida pública e da recessão, a quebra do PIB e mais 10% do exército de desempregados. Os estados-membros da UEA estão divididos por interesses próprios quanto às medidas a tomar para combater a crise cujas causas nem eles ousam definir. Os banqueiros devoram-se uns aos outros. Os pobres pagam a factura da crise. A miséria e a fome alastram nas famílias. É a isto que o capitalismo como sistema do poder conduz inevitavelmente. Não há saída possível para qualquer futura sociedade capitalista. Foi tudo isto que ficou provado na reunião dos mais poderosos do G20. Nada do que é central na grande crise (e o que é central é o desemprego, a miséria e o desenvolvimento) obteve resposta viável ou, pelo menos, canais abertos de solução. Acabar com os paraísos fiscais? Dá vontade de rir. Os off-shores são o coração e os pulmões do capitalismo mundial. Extingui-los seria puro suicídio.
Não é essa a vocação dos financeiros. Preferem serpentear: os banqueiros, apoiados nos poderes do Estado, têm de ganhar tempo e simpatias. Conhecidos como forças danadas que semeiam a pobreza, devem ressurgir aos olhos do povo como anjos da paz. Assim, recolhidos à sombra da «luta contra a pobreza», aspiram continuar a dominar mercados.
É neste ponto que a Igreja Católica entra em cena.
O exercício da filantropia
e do combate à pobreza
Ao som das trombetas, a conferência dos países mais poderosos, a G20, anunciou que os grandes tinham chegado a acordo e que vinham aí 3 triliões de dólares para «salvar as empresas» e «amparar os pobres». Veremos se assim é e se algumas migalhas chegam à mesa dos que mais precisam... O simples anúncio é, entretanto, suficiente para as grandes fortunas embandeirem em arco.
Sócrates, com o descaramento que é o seu traço principal, veio confessar aquilo que sempre ocultou: no plano da Saúde o objectivo central deste Governo é privatizar o SNS. Vieira da Silva, o famigerado ministro da Segurança Social com o cargo de ministro as funções de coordenador do aparelho socialista, declarou que o Estado transfere diariamente 20 milhões de euros para a solidariedade com as famílias portuguesas. A Gulbenkian tirou um coelho da cartola e arrancou com uma campanha solidária de combate à pobreza. A Soberana Ordem de Malta, ultramilionária e muito católica, juntou-se e ao grupo dos ricos solidários com os pobres.
Pouco se sabe acerca desta campanha presidida por Rui Vilar, um reconhecido político católico. Entretanto, os dados divulgados apontam para um investimento inicial de um milhão de euros destinado ao socorro às famílias «que não sejam abrangidas pelos apoios sociais», tais como aquelas cujos membros estão desempregados ou que perderam os seus pequenos negócios. O milhão de que fala Rui Vilar foi «angariado», numa primeira fase, pela Gulbenkian, fundações da EDP e Millenium BCP e bancos BPI e Caixa Geral dos Depósitos. A campanha, transformada em movimento, está desde já aberta a outras adesões. Para isso foi criada uma conta bancária. As verbas obtidas serão canalizadas para a Cáritas, Cruz Vermelha e Bancos Alimentares, organizações católicas da «sociedade civil». No comando das operações estão directores financeiros, políticos da direita e homens da Igreja. É curioso destacar o nome de Jardim Gonçalves, um dos membros do directório da campanha e ex-presidente do BCP, membro declarado do Opus Dei. Imediatamente antes do anúncio da campanha, foi feito Cavaleiro da Ordem de Malta, uma das mais fechadas e reaccionárias formações da ala fundamentalista da Igreja.
Assim se prepara a força do dinheiro para abrir a sua «terceira via» onde o fato mude e tudo fique tal como esteve e está. É certo que o «combate à pobreza» conduzido por milionários é apenas aspecto parcial desta estratégia de «terceira via».
Mas é uma frente vital. Importa conhecê-la e combatê-la com coragem. O combate à pobreza pode vir a valer mais, na bolsa, que um poderoso off-shore.
Não nos deixemos enganar. Resolvamos esta questão nas urnas!
Não é essa a vocação dos financeiros. Preferem serpentear: os banqueiros, apoiados nos poderes do Estado, têm de ganhar tempo e simpatias. Conhecidos como forças danadas que semeiam a pobreza, devem ressurgir aos olhos do povo como anjos da paz. Assim, recolhidos à sombra da «luta contra a pobreza», aspiram continuar a dominar mercados.
É neste ponto que a Igreja Católica entra em cena.
O exercício da filantropia
e do combate à pobreza
Ao som das trombetas, a conferência dos países mais poderosos, a G20, anunciou que os grandes tinham chegado a acordo e que vinham aí 3 triliões de dólares para «salvar as empresas» e «amparar os pobres». Veremos se assim é e se algumas migalhas chegam à mesa dos que mais precisam... O simples anúncio é, entretanto, suficiente para as grandes fortunas embandeirem em arco.
Sócrates, com o descaramento que é o seu traço principal, veio confessar aquilo que sempre ocultou: no plano da Saúde o objectivo central deste Governo é privatizar o SNS. Vieira da Silva, o famigerado ministro da Segurança Social com o cargo de ministro as funções de coordenador do aparelho socialista, declarou que o Estado transfere diariamente 20 milhões de euros para a solidariedade com as famílias portuguesas. A Gulbenkian tirou um coelho da cartola e arrancou com uma campanha solidária de combate à pobreza. A Soberana Ordem de Malta, ultramilionária e muito católica, juntou-se e ao grupo dos ricos solidários com os pobres.
Pouco se sabe acerca desta campanha presidida por Rui Vilar, um reconhecido político católico. Entretanto, os dados divulgados apontam para um investimento inicial de um milhão de euros destinado ao socorro às famílias «que não sejam abrangidas pelos apoios sociais», tais como aquelas cujos membros estão desempregados ou que perderam os seus pequenos negócios. O milhão de que fala Rui Vilar foi «angariado», numa primeira fase, pela Gulbenkian, fundações da EDP e Millenium BCP e bancos BPI e Caixa Geral dos Depósitos. A campanha, transformada em movimento, está desde já aberta a outras adesões. Para isso foi criada uma conta bancária. As verbas obtidas serão canalizadas para a Cáritas, Cruz Vermelha e Bancos Alimentares, organizações católicas da «sociedade civil». No comando das operações estão directores financeiros, políticos da direita e homens da Igreja. É curioso destacar o nome de Jardim Gonçalves, um dos membros do directório da campanha e ex-presidente do BCP, membro declarado do Opus Dei. Imediatamente antes do anúncio da campanha, foi feito Cavaleiro da Ordem de Malta, uma das mais fechadas e reaccionárias formações da ala fundamentalista da Igreja.
Assim se prepara a força do dinheiro para abrir a sua «terceira via» onde o fato mude e tudo fique tal como esteve e está. É certo que o «combate à pobreza» conduzido por milionários é apenas aspecto parcial desta estratégia de «terceira via».
Mas é uma frente vital. Importa conhecê-la e combatê-la com coragem. O combate à pobreza pode vir a valer mais, na bolsa, que um poderoso off-shore.
Não nos deixemos enganar. Resolvamos esta questão nas urnas!