Seis mil em Lisboa
Mais de seis mil agricultores, vindos de toda a parte do País, manifestaram-se, quinta-feira, em Lisboa, para protestar e reclamar do Governo medidas de apoio à lavoura e ao mundo rural.
As nossas aldeias já não têm ninguém
«Estamos aqui em Lisboa, agricultores e outras organizações ligadas ao mundo rural, a manifestar-mo-nos por outra política agrícola que valorize a agricultura e a produção nacional», ouvia-se, vindo de um palco, no Parque Eduardo VII. À sua frente milhares de agricultores empunhavam cartazes, entre o verde das bandeiras da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), onde se podia ler: «Queremos produzir!», «Esta política é o fim das aldeias», «Desenvolvimento rural só é possível com a agricultura familiar a produzir!» e «Aumentos brutais na segurança social são o nosso fim».
Ali, esperando por outros que ainda não haviam chegado, vários dirigentes da CNA fizerem pequenas intervenções denunciando, por exemplo, a especulação com os preços das rações, dos adubos, dos pesticidas e outros factores de produção. «Os agricultores são obrigados a comprar tudo cada vez mais caro e a vender tudo ao desbarato, quando não ficam com os produtos em casa», denunciou João Dinis. O dirigente da CNA falou ainda da situação da agricultura em Portugal. «Para eles [Governo] só estão em crise os grandes banqueiros», afirmou, desmistificando a «publicidade enganosa» do Ministério da Agricultura, que, recentemente, disse que os agricultores, «nunca receberam tanto dinheiro como agora» em 2008.
Desses «milhões», explicou João Dinis, «cerca de 104 milhões de euros foram para serviços e iniciativas do próprio Ministério da Agricultura», «dois milhões de euros para as direcções regionais de educação», «mais de quatro milhões de euros para o Ministério da Defesa Nacional, Ministério da Administração Interna e Guarda Republicana», «10 milhões de euros para uma indústria láctea com sede em Espanha», «mais de oito milhões para câmaras municipais» e «230 milhões de euros para o “Grupo Sete” (Porto) – grupo das sete grandes empresas ligadas ao comércio de vinhos».
Por seu lado, Roberto Miléu, da CNA, lamentou o facto de 400 mil pessoas terem abandonado, nos últimos seis anos, as suas explorações agrícolas. «Os agricultores, infelizmente, já não ganham para pagar à segurança social», relatou, lamentando a falta de apoios do Executivo PS.
Berta Santos centrou a sua intervenção na problemática da especulação dos preços. «Se estão a pagar, ao produtor, o litro de leite a 27,80 cêntimos e nos supermercados o consumidor paga cerca de 73 cêntimos, para onde é que está a ir o lucro?», interrogou a dirigente da CNA.
Defender a produção nacional
Terminadas as intervenções, era pois tempo de os agricultores seguirem para a Assembleia da República. No seu caderno de reclamações constam, entre outras, o «aumento dos benefícios fiscais», a «criação e apoios de mecanismos expeditos de escoamento para os produtos», o «combate à especulação com os preços das rações, adubos, pesticidas e outros factores de produção», a «grande redução das contribuições mensais dos agricultores para a segurança social», a «suspensão do decreto-lei que estabelece o novo tarifário para a água», a «revisão e a reprogramação do Programa de Desenvolvimento Rural».
Quase a chegar ao Largo do Rato, a meio do percurso, os manifestantes contaram com o apoio de Ilda Figueiredo, deputada e candidata do PCP nas eleições para o Parlamento Europeu. «Estamos solidários com esta grandiosa manifestação da lavoura portuguesa», afirmou, prometendo, caso seja eleita, «continuar a lutar pelos direitos dos agricultores».
Passado mais de uma hora, junto à escadaria da Assembleia da República, com a presença dos deputados comunistas José Soeiro, Agostinho Lopes e Ilda Figueiredo, houve várias outras intervenções de protesto. «As nossas aldeias já não têm ninguém. As políticas dos governos de Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso e, agora, José Sócrates são um atentado para quem trabalha a terra», afirmou um agricultor do distrito da Guarda.
Armando Carvalho, da CNA, depois de saudar os milhares de agricultores que se deslocaram a Lisboa, alertou para a dramática situação dos produtores de vinho, da batata, dos cereais, de carne, do azeite, «onde já há fome e miséria». O protesto seguiu, depois, até à residência oficial do primeiro-ministro.
Ali, esperando por outros que ainda não haviam chegado, vários dirigentes da CNA fizerem pequenas intervenções denunciando, por exemplo, a especulação com os preços das rações, dos adubos, dos pesticidas e outros factores de produção. «Os agricultores são obrigados a comprar tudo cada vez mais caro e a vender tudo ao desbarato, quando não ficam com os produtos em casa», denunciou João Dinis. O dirigente da CNA falou ainda da situação da agricultura em Portugal. «Para eles [Governo] só estão em crise os grandes banqueiros», afirmou, desmistificando a «publicidade enganosa» do Ministério da Agricultura, que, recentemente, disse que os agricultores, «nunca receberam tanto dinheiro como agora» em 2008.
Desses «milhões», explicou João Dinis, «cerca de 104 milhões de euros foram para serviços e iniciativas do próprio Ministério da Agricultura», «dois milhões de euros para as direcções regionais de educação», «mais de quatro milhões de euros para o Ministério da Defesa Nacional, Ministério da Administração Interna e Guarda Republicana», «10 milhões de euros para uma indústria láctea com sede em Espanha», «mais de oito milhões para câmaras municipais» e «230 milhões de euros para o “Grupo Sete” (Porto) – grupo das sete grandes empresas ligadas ao comércio de vinhos».
Por seu lado, Roberto Miléu, da CNA, lamentou o facto de 400 mil pessoas terem abandonado, nos últimos seis anos, as suas explorações agrícolas. «Os agricultores, infelizmente, já não ganham para pagar à segurança social», relatou, lamentando a falta de apoios do Executivo PS.
Berta Santos centrou a sua intervenção na problemática da especulação dos preços. «Se estão a pagar, ao produtor, o litro de leite a 27,80 cêntimos e nos supermercados o consumidor paga cerca de 73 cêntimos, para onde é que está a ir o lucro?», interrogou a dirigente da CNA.
Defender a produção nacional
Terminadas as intervenções, era pois tempo de os agricultores seguirem para a Assembleia da República. No seu caderno de reclamações constam, entre outras, o «aumento dos benefícios fiscais», a «criação e apoios de mecanismos expeditos de escoamento para os produtos», o «combate à especulação com os preços das rações, adubos, pesticidas e outros factores de produção», a «grande redução das contribuições mensais dos agricultores para a segurança social», a «suspensão do decreto-lei que estabelece o novo tarifário para a água», a «revisão e a reprogramação do Programa de Desenvolvimento Rural».
Quase a chegar ao Largo do Rato, a meio do percurso, os manifestantes contaram com o apoio de Ilda Figueiredo, deputada e candidata do PCP nas eleições para o Parlamento Europeu. «Estamos solidários com esta grandiosa manifestação da lavoura portuguesa», afirmou, prometendo, caso seja eleita, «continuar a lutar pelos direitos dos agricultores».
Passado mais de uma hora, junto à escadaria da Assembleia da República, com a presença dos deputados comunistas José Soeiro, Agostinho Lopes e Ilda Figueiredo, houve várias outras intervenções de protesto. «As nossas aldeias já não têm ninguém. As políticas dos governos de Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso e, agora, José Sócrates são um atentado para quem trabalha a terra», afirmou um agricultor do distrito da Guarda.
Armando Carvalho, da CNA, depois de saudar os milhares de agricultores que se deslocaram a Lisboa, alertou para a dramática situação dos produtores de vinho, da batata, dos cereais, de carne, do azeite, «onde já há fome e miséria». O protesto seguiu, depois, até à residência oficial do primeiro-ministro.