Governo castigado nas urnas
O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) do primeiro-ministro Recep Erdogan perdeu oito por cento dos votos face às legislativas de 2007. Para os comunistas, abriu-se a oportunidade de fazer recuar a direita aliada do imperialismo.
«O AKP recua nas urnas pela primeira vez desde a sua fundação»
Apesar de ter vencido as autárquicas com quase 39 por cento dos votos, para o AKP o sufrágio de domingo passado teve um sabor a derrota. Para além de ter perdido oito por cento face às eleições legislativas de 2007, nas quais obteve 47 por cento, objectivo que o primeiro-ministro Erdogan havia definido como único admissível, o partido do governo recua nas urnas pela primeira vez desde a sua fundação, em 2001.
Nem o facto de ter conquistado mais de metade das capitais provinciais, incluindo as maiores metrópoles do país, Istambul e Ancara, serve de consolo à formação que lidera o executivo da Turquia há seis anos.
Na capital, por exemplo, o AKP perde cerca de 20 por cento dos votos face às últimas eleições locais. Em cidades como Izmir, Antalaia e Mersion vence o Partido Republicano do Povo (CHP), que no total obteve 23,2 por cento.
Significativa foi a derrota do AKP na região Sudeste da Turquia, onde a maioria da população é curda. Ali, o Partido para uma Sociedade Democrática (DTP) – formação pró-curda que só regressou à legalidade nas últimas legislativas após vários anos de afastamento imposto pelas autoridades – venceu a maioria dos municípios em disputa, incluindo a cidade de Diyarbakir, e recolheu cerca de 75 por cento dos votos, reafirmando, assim, a causa da autodeterminação contra a campanha suja praticada pelo AKP naquele território.
A estas, acrescem outras razões que reforçam o significado da perda de votos e percentagem do AKP. Durante o período de campanha, o governo envolveu-se directamente na promoção da sua sigla iniciando um projecto de «auxílio» às populações mais carenciadas do país que incluiu a distribuição de electrodomésticos – frigoríficos e televisões, por exemplo –, géneros alimentares, combustível e dinheiro.
Dias antes da abertura das assembleias de voto, dois opositores foram sentenciados a mais de 11 anos de prisão por terem participado nos protestos que receberam o primeiro-ministro Erdogan na cidade de Diyarbakýr, em Outubro de 2008, num claro gesto de intimidação procurando incutir entre a população o medo e o sentimento de impotência face à repressão.
Caminho aberto à luta
Reagindo aos resultados das eleições, o Partido Comunista da Turquia (TKP) considerou-os uma demonstração de que é possível forçar o AKP a recuar. Num comunicado do seu Bureau Politico, o TKP sublinha o fim da tendência de crescimento do Partido da Justiça e Desenvolvimento e, apesar da crescente influência social dos comunistas e das forças progressistas não se ter traduzido em votos, avalia como importante a abertura de uma oportunidade para resistir aos que amarram ainda mais a Turquia ao imperialismo, fazem recair sobre os trabalhadores as consequências da crise capitalista, executam políticas antipopulares e reprimem qualquer tipo de oposição.
O TKP alerta também para as falsas esperanças que partidos do sistema como o CHP representam – bem como os fascistas do MHP, que ao nível nacional granjearam 16,1 por cento dos votos e triunfaram na cidade de Adana – e apela à ampliação da luta contra o AKP num quadro de grande exigência que obriga os comunistas e os democratas a redobrados esforços.
Nem o facto de ter conquistado mais de metade das capitais provinciais, incluindo as maiores metrópoles do país, Istambul e Ancara, serve de consolo à formação que lidera o executivo da Turquia há seis anos.
Na capital, por exemplo, o AKP perde cerca de 20 por cento dos votos face às últimas eleições locais. Em cidades como Izmir, Antalaia e Mersion vence o Partido Republicano do Povo (CHP), que no total obteve 23,2 por cento.
Significativa foi a derrota do AKP na região Sudeste da Turquia, onde a maioria da população é curda. Ali, o Partido para uma Sociedade Democrática (DTP) – formação pró-curda que só regressou à legalidade nas últimas legislativas após vários anos de afastamento imposto pelas autoridades – venceu a maioria dos municípios em disputa, incluindo a cidade de Diyarbakir, e recolheu cerca de 75 por cento dos votos, reafirmando, assim, a causa da autodeterminação contra a campanha suja praticada pelo AKP naquele território.
A estas, acrescem outras razões que reforçam o significado da perda de votos e percentagem do AKP. Durante o período de campanha, o governo envolveu-se directamente na promoção da sua sigla iniciando um projecto de «auxílio» às populações mais carenciadas do país que incluiu a distribuição de electrodomésticos – frigoríficos e televisões, por exemplo –, géneros alimentares, combustível e dinheiro.
Dias antes da abertura das assembleias de voto, dois opositores foram sentenciados a mais de 11 anos de prisão por terem participado nos protestos que receberam o primeiro-ministro Erdogan na cidade de Diyarbakýr, em Outubro de 2008, num claro gesto de intimidação procurando incutir entre a população o medo e o sentimento de impotência face à repressão.
Caminho aberto à luta
Reagindo aos resultados das eleições, o Partido Comunista da Turquia (TKP) considerou-os uma demonstração de que é possível forçar o AKP a recuar. Num comunicado do seu Bureau Politico, o TKP sublinha o fim da tendência de crescimento do Partido da Justiça e Desenvolvimento e, apesar da crescente influência social dos comunistas e das forças progressistas não se ter traduzido em votos, avalia como importante a abertura de uma oportunidade para resistir aos que amarram ainda mais a Turquia ao imperialismo, fazem recair sobre os trabalhadores as consequências da crise capitalista, executam políticas antipopulares e reprimem qualquer tipo de oposição.
O TKP alerta também para as falsas esperanças que partidos do sistema como o CHP representam – bem como os fascistas do MHP, que ao nível nacional granjearam 16,1 por cento dos votos e triunfaram na cidade de Adana – e apela à ampliação da luta contra o AKP num quadro de grande exigência que obriga os comunistas e os democratas a redobrados esforços.