O painel
Segundo o Público, um corrupio de protestos vituperou a visita oficial do primeiro-ministro José Sócrates e do ministro Manuel Pinho às instalações da empresa Energie, na Póvoa do Varzim, para assinalar a segunda fase da expansão da fábrica que produz o que o Governo designa por «painéis solares termodinâmicos». Além disso, com esta visita os dois governantes apadrinharam explicitamente esta empresa como a escolhida para a produção dos painéis necessários à captação da energia solar, essa nova coqueluche do Governo Sócrates neste tempo de caça ao voto.
E não são uns protestos quaisquer: vêm dos principais responsáveis pela investigação e indústria solar no País, que apontam a Energie - sem tergiversações - como «uma empresa que assenta a sua propaganda num embuste», ao fazer «publicidade enganosa» com a apresentação de «uma bomba de calor accionada a electricidade com apoio secundário em energia solar» como sendo um «painel solar térmico».
Os especialistas - onde pontificam personalidades como o ex-secretário de Estado da Energia, Eduardo Oliveira Fernandes, o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva e um dos principais especialistas da energia solar em Portugal, Manuel Collares Pereira - esclarecem que a «tecnologia Energie» não está em causa enquanto bomba de calor, sendo «eficiente» como tal e constituindo «uma tecnologia conhecida há mais de duas décadas». Todavia... não é energia solar, estando mesmo «classificada fora da energia solar, dado consumir 10 vezes mais energia eléctrica do que um colector solar térmico».
Aliás, a própria associação ambientalista Geota associa-se às críticas, denunciando o sistema da Energie como um «frigorífico ao contrário» que «continua a ser alimentado por energia eléctrica e não solar», acusando a propaganda da empresa, que afirma o contrário, como sendo apenas uma «acção de marketing bem conseguida».
Educadamente, estes especialistas procuram ainda desculpar José Sócrates e o seu ministro da Economia pela insensatez deste patrocínio à Energie, admitindo «uma possível ausência de apoio técnico adequado pelos respectivos gabinetes».
A intenção é boa, mas não chega para esclarecer o aluvião de trapalhadas que, desde o princípio, tem inundado este projecto governamental da «energia solar»: primeiro, foi a definição de regras tão restritivas para a produção dos painéis solares, que nelas só «cabiam» duas grandes empresas (ao que constou, com «afinidades» ao actual Governo), deixando de fora o grosso dos industriais do sector; agora, foi a escolha ostensiva e personalizada (através do próprio primeiro-ministro) de uma empresa para a produção de «painéis solares termodinâmicos» que, afinal e segundo os especialistas, não passa de «um embuste».
Isto, com José Sócrates a vender painéis solares perante as câmaras de televisão com a mesma insensata alacridade com que impingiu o computador «Magalhães» a uma atónita cimeira internacional de chefes de Estado e de Governo.
Isto, na mesma altura em que institutos oficiais informavam que, só nos dois primeiros meses deste ano, se inscreverem 131 mil novos desempregados nos centros de emprego do País, estando a média actual do desemprego a atingir 2180 pessoas por dia.
Perante isto, José Sócrates defende que a solução está no painel. Solar, ou lá o que é.
E não são uns protestos quaisquer: vêm dos principais responsáveis pela investigação e indústria solar no País, que apontam a Energie - sem tergiversações - como «uma empresa que assenta a sua propaganda num embuste», ao fazer «publicidade enganosa» com a apresentação de «uma bomba de calor accionada a electricidade com apoio secundário em energia solar» como sendo um «painel solar térmico».
Os especialistas - onde pontificam personalidades como o ex-secretário de Estado da Energia, Eduardo Oliveira Fernandes, o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva e um dos principais especialistas da energia solar em Portugal, Manuel Collares Pereira - esclarecem que a «tecnologia Energie» não está em causa enquanto bomba de calor, sendo «eficiente» como tal e constituindo «uma tecnologia conhecida há mais de duas décadas». Todavia... não é energia solar, estando mesmo «classificada fora da energia solar, dado consumir 10 vezes mais energia eléctrica do que um colector solar térmico».
Aliás, a própria associação ambientalista Geota associa-se às críticas, denunciando o sistema da Energie como um «frigorífico ao contrário» que «continua a ser alimentado por energia eléctrica e não solar», acusando a propaganda da empresa, que afirma o contrário, como sendo apenas uma «acção de marketing bem conseguida».
Educadamente, estes especialistas procuram ainda desculpar José Sócrates e o seu ministro da Economia pela insensatez deste patrocínio à Energie, admitindo «uma possível ausência de apoio técnico adequado pelos respectivos gabinetes».
A intenção é boa, mas não chega para esclarecer o aluvião de trapalhadas que, desde o princípio, tem inundado este projecto governamental da «energia solar»: primeiro, foi a definição de regras tão restritivas para a produção dos painéis solares, que nelas só «cabiam» duas grandes empresas (ao que constou, com «afinidades» ao actual Governo), deixando de fora o grosso dos industriais do sector; agora, foi a escolha ostensiva e personalizada (através do próprio primeiro-ministro) de uma empresa para a produção de «painéis solares termodinâmicos» que, afinal e segundo os especialistas, não passa de «um embuste».
Isto, com José Sócrates a vender painéis solares perante as câmaras de televisão com a mesma insensata alacridade com que impingiu o computador «Magalhães» a uma atónita cimeira internacional de chefes de Estado e de Governo.
Isto, na mesma altura em que institutos oficiais informavam que, só nos dois primeiros meses deste ano, se inscreverem 131 mil novos desempregados nos centros de emprego do País, estando a média actual do desemprego a atingir 2180 pessoas por dia.
Perante isto, José Sócrates defende que a solução está no painel. Solar, ou lá o que é.