Todas as facilidades para o capital
O PCP voltou a acusar o Governo de tratar de forma desigual os cidadãos e de ter dois pesos e duas medidas na política de apoios às empresas e famílias.
Se fosse um trabalhador o banco executava sem dó nem piedade
«Para os ricos e especuladores, para os negócios leoninos, a porta está sempre aberta», sublinhou Jerónimo de Sousa, lembrando como esta realidade contrasta com o tratamento dado às pequenas e médias empresas ou a quem por infortúnio se vê por exemplo impossibilitado de pagar a prestação da sua casa ao banco.
O tema ocupou na passada semana lugar de destaque no debate quinzenal com o primeiro-ministro e foi suscitado a partir de uma primeira intervenção do Secretário-geral do PCP que, analisando o acordo firmado entre a Caixa Geral de Depósitos e o empresário Manuel Fino, concluiu que para os «senhores do dinheiro todas as facilidades são possíveis, enquanto para aqueles que têm a corda na garganta há sempre dificuldades».
Em causa está a entrega por aquele empresário à CGD de dez por cento das suas acções da Cimpor a um preço 25 por cento acima do valor dessas acções de Bolsa, como forma de pagamento de uma dívida por si contraída para fins puramente especulativas, no caso a aquisição de acções do BCP.
«Não acha este acordo inaceitável, tanto mais que a CGD fica impedida de vender essas acções durante três anos, ficando assim Manuel Fino ainda com a possibilidade de as recomprar se isso lhe convier?», inquiriu o dirigente comunista.
Falso Robin dos Bosques
O ministro das Finanças, para quem Sócrates remeteu a resposta, procurou alijar responsabilidades do Governo na decisão da CGD, afirmando tratar-se de uma mera «operação de gestão» explicada pela «evolução dos mercados» que levou a que as garantias dadas por «vários clientes» em operações de risco perdessem valor. E adiantou que a Caixa com esta operação «evitou registar um prejuízo de 80 milhões nos seus resultados no ano passado».
Quanto ao mais, asseverou, «é uma operação de gestão e ninguém melhor que a administração da Caixa poderá justificar a operação que foi feita».
Jerónimo de Sousa, reagindo à transferência da resposta do chefe do Governo para Teixeira dos Santos, chamou a atenção para o facto de esta não ser uma «questão sectorial» mas sim uma questão importante que tem a ver com a nossa economia, observando por isso «não entender o seu silêncio».
E reagindo às palavras do ministros das Finanças, com ironia, afirmou que, ao ouvi-las, quase era levado a dizer «coitadinho do senhor Manuel Fino».
«Já percebemos que se fosse um trabalhador que por razões alheias à sua vontade – ter ido para o desemprego, por exemplo - não pudesse pagar ao banco a casa que adquiriu, passados dois, três, quatro meses, o banco executava rapidamente e em força a hipoteca, sem dó nem piedade», enfatizou Jerónimo de Sousa, lembrando, dirigindo-se a José Sócrates, que é por estas e por outras que «não lhe assenta bem o fato de Robin dos Bosques».
Caso BPN
Lançada no debate pelo dirigente comunista foi, por outro lado, a questão do BPN. Perguntou em concreto se não teria sido melhor que o Governo tivesse decidido a nacionalização do Grupo SLN, tomando assim posse de um «conjunto importante de activos com possibilidade de resolver a situação de grandes dificuldades por que passam mais de quatro mil trabalhadores, em vez de ter nacionalizado apenas os prejuízos».
O primeiro-ministro, na resposta, procurando iludir o essencial da questão – o financiamento pela Caixa de operações de natureza especulativa e as condições muito especiais de vantagem só para alguns clientes - , veio dizer que a «única orientação que o Estado deu à Caixa» foi no sentido de orientar a sua acção para dar mais crédito à economia portuguesa. «Não damos orientação para actos de gestão em concreto», afirmou.
E sobre o BPN, insistindo na mistificação, repetiu que a nacionalização foi «para defender o interesse nacional», não explicando é porque a decisão abrangeu apenas o banco que estava em apuros e não o grupo do qual fazia parte.
«Da roupagem de Robin dos Bosques passa rapidamente à de Pilates», replicou Jerónimo de Sousa, aludindo à afirmação de Sócrates de que o Governo não tem nada a ver com as decisões da CGD, nomeadamente com esta de que resultará uma diminuição das receitas do Estado.
Desemprego não pára
Urge alargar subsídio
Abordada por Jerónimo de Sousa no debate realizado dia 25 foi também a questão do aumento do desemprego que, só em Janeiro, segundo dados revelados nesse mesmo dia, atingiu mais 70 mil trabalhadores.
E confrontou o primeiro-ministro com as suas declarações feitas na semana anterior em que considerou «sinais animadores» os dados do INE sobre o desemprego no último trimestre de 2008.
«É um exemplo claro de propaganda», acusou o líder comunista, inconformado com o facto de o Governo continuar a rejeitar a modificação das regras de atribuição do subsídio de desemprego cuja alteração impôs em 2006.
Lembrou ainda que os desempregados sem subsídio são já mais de metade do número efectivo de desempregados, e quarenta por cento do desemprego estatístico.
«Com isto, o Governo vai continuar a poupar como já poupou 400 milhões de euros entre 2007 e 2009», afirmou, antes de advertir José Sócrates para os riscos de, pela sua teimosia, transformar «jovens desempregados em jovens desesperados».
«Isso não é bom e, por isso, essa teimosia tem de ser corrigida», sublinhou, afiançando que os comunistas não descansarão «enquanto o Governo não alterar os critérios de atribuição do subsídio de desemprego, com as consequências positivas daí decorrentes, tendo em conta o drama que hoje atinge milhares de trabalhadores».
O tema ocupou na passada semana lugar de destaque no debate quinzenal com o primeiro-ministro e foi suscitado a partir de uma primeira intervenção do Secretário-geral do PCP que, analisando o acordo firmado entre a Caixa Geral de Depósitos e o empresário Manuel Fino, concluiu que para os «senhores do dinheiro todas as facilidades são possíveis, enquanto para aqueles que têm a corda na garganta há sempre dificuldades».
Em causa está a entrega por aquele empresário à CGD de dez por cento das suas acções da Cimpor a um preço 25 por cento acima do valor dessas acções de Bolsa, como forma de pagamento de uma dívida por si contraída para fins puramente especulativas, no caso a aquisição de acções do BCP.
«Não acha este acordo inaceitável, tanto mais que a CGD fica impedida de vender essas acções durante três anos, ficando assim Manuel Fino ainda com a possibilidade de as recomprar se isso lhe convier?», inquiriu o dirigente comunista.
Falso Robin dos Bosques
O ministro das Finanças, para quem Sócrates remeteu a resposta, procurou alijar responsabilidades do Governo na decisão da CGD, afirmando tratar-se de uma mera «operação de gestão» explicada pela «evolução dos mercados» que levou a que as garantias dadas por «vários clientes» em operações de risco perdessem valor. E adiantou que a Caixa com esta operação «evitou registar um prejuízo de 80 milhões nos seus resultados no ano passado».
Quanto ao mais, asseverou, «é uma operação de gestão e ninguém melhor que a administração da Caixa poderá justificar a operação que foi feita».
Jerónimo de Sousa, reagindo à transferência da resposta do chefe do Governo para Teixeira dos Santos, chamou a atenção para o facto de esta não ser uma «questão sectorial» mas sim uma questão importante que tem a ver com a nossa economia, observando por isso «não entender o seu silêncio».
E reagindo às palavras do ministros das Finanças, com ironia, afirmou que, ao ouvi-las, quase era levado a dizer «coitadinho do senhor Manuel Fino».
«Já percebemos que se fosse um trabalhador que por razões alheias à sua vontade – ter ido para o desemprego, por exemplo - não pudesse pagar ao banco a casa que adquiriu, passados dois, três, quatro meses, o banco executava rapidamente e em força a hipoteca, sem dó nem piedade», enfatizou Jerónimo de Sousa, lembrando, dirigindo-se a José Sócrates, que é por estas e por outras que «não lhe assenta bem o fato de Robin dos Bosques».
Caso BPN
Lançada no debate pelo dirigente comunista foi, por outro lado, a questão do BPN. Perguntou em concreto se não teria sido melhor que o Governo tivesse decidido a nacionalização do Grupo SLN, tomando assim posse de um «conjunto importante de activos com possibilidade de resolver a situação de grandes dificuldades por que passam mais de quatro mil trabalhadores, em vez de ter nacionalizado apenas os prejuízos».
O primeiro-ministro, na resposta, procurando iludir o essencial da questão – o financiamento pela Caixa de operações de natureza especulativa e as condições muito especiais de vantagem só para alguns clientes - , veio dizer que a «única orientação que o Estado deu à Caixa» foi no sentido de orientar a sua acção para dar mais crédito à economia portuguesa. «Não damos orientação para actos de gestão em concreto», afirmou.
E sobre o BPN, insistindo na mistificação, repetiu que a nacionalização foi «para defender o interesse nacional», não explicando é porque a decisão abrangeu apenas o banco que estava em apuros e não o grupo do qual fazia parte.
«Da roupagem de Robin dos Bosques passa rapidamente à de Pilates», replicou Jerónimo de Sousa, aludindo à afirmação de Sócrates de que o Governo não tem nada a ver com as decisões da CGD, nomeadamente com esta de que resultará uma diminuição das receitas do Estado.
Desemprego não pára
Urge alargar subsídio
Abordada por Jerónimo de Sousa no debate realizado dia 25 foi também a questão do aumento do desemprego que, só em Janeiro, segundo dados revelados nesse mesmo dia, atingiu mais 70 mil trabalhadores.
E confrontou o primeiro-ministro com as suas declarações feitas na semana anterior em que considerou «sinais animadores» os dados do INE sobre o desemprego no último trimestre de 2008.
«É um exemplo claro de propaganda», acusou o líder comunista, inconformado com o facto de o Governo continuar a rejeitar a modificação das regras de atribuição do subsídio de desemprego cuja alteração impôs em 2006.
Lembrou ainda que os desempregados sem subsídio são já mais de metade do número efectivo de desempregados, e quarenta por cento do desemprego estatístico.
«Com isto, o Governo vai continuar a poupar como já poupou 400 milhões de euros entre 2007 e 2009», afirmou, antes de advertir José Sócrates para os riscos de, pela sua teimosia, transformar «jovens desempregados em jovens desesperados».
«Isso não é bom e, por isso, essa teimosia tem de ser corrigida», sublinhou, afiançando que os comunistas não descansarão «enquanto o Governo não alterar os critérios de atribuição do subsídio de desemprego, com as consequências positivas daí decorrentes, tendo em conta o drama que hoje atinge milhares de trabalhadores».