FARC reiteram proposta

Acordo humanitário

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia pretendem alcançar com o governo colombiano um acordo que permita uma troca de prisioneiros, proposta reiterada depois da libertação unilateral de seis detidos.

Na semana passada as FARC libertaram quatro militares e dois políticos

Num comunicado datado de 4 de Fevereiro e divulgado sexta-feira, dia 6, as FARC sublinham que «ao libertarmos unilateralmente os seis prisioneiros honramos a nossa palavra e o compromisso assumido com o grupo Colombianos pela Paz, e acreditamos que este novo gesto contribui para desbloquear um acordo de intercâmbio humanitário», o qual permitiria «a libertação dos prisioneiros de guerra que se encontram quer nas prisões do regime, quer nas montanhas». A guerrilha mantém prisioneiros 22 funcionários, militares e polícias, enquanto que o governo colombiano tem encarcerados cerca de meio milhar de combatentes.
No documento, as FARC frisam ainda que o acordo bilateral corresponde às aspirações dos colombianos e exortam a organização Colombianos pela Paz a «persistir na busca colectiva de uma saída política para um acordo humanitário e para o crucial problema da guerra e da paz».
O texto assinado pelo Secretariado das FARC surge um dia depois da conclusão de uma operação de libertação de prisioneiros, mediada pela senadora da oposição Piedade Córdoba e auxiliada pela Cruz Vermelha e pelo governo brasileiro. Entre domingo e quinta-feira da semana passada, as FARC libertaram incondicionalmente quatro militares e dois políticos, o ex-deputado de Valle de Cauca Sigifredo López e o ex-governador da região de Meta, Alan Jara.

Uribe não quer a paz

Em declarações posteriores à sua libertação, nem López nem Jara manifestaram mudanças significativas de posição quanto às FARC, o que, importa destacar, não impediu a sua libertação. Contrariamente, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, insiste que para libertar os guerrilheiros, estes têm que se abster de reintegrar a organização ou sequer apoiá-la.
Mas o que também disseram o ex-deputado e o ex-governador foi que uma solução para o conflito depende de um compromisso político, da abertura imediata do diálogo entre as partes envolvidas. Alan Jara disse mesmo estar convicto que Uribe nada fez pela libertação dos prisioneiros de guerra, enquanto que Sigifredo López destacou que o presidente não deve utilizar o gesto da guerrilha em seu benefício político.
As palavras de Jara e de López juntam-se às denuncias de que o executivo de Bogotá tentou impedir a libertação dos seis indivíduos. De acordo com os jornalistas Daniel Samper e Jorge Enrique Botero, presentes na comitiva humanitária, no domingo, dia 1, a força aérea colombiana sobrevoou a zona que supostamente estaria desmilitarizada, violando as garantias dadas à Colombianos pela Paz e à Cruz Vermelha.
Primeiro o governo negou, mas posteriormente o ministério da Defesa foi obrigado a admitir as acções e justificou-as dizendo que foram «erros de boa-fé» e que a Cruz Vermelha estava informada. Os jornalistas voltaram a desmentir terminantemente os argumentos oficiais.
Acresce a tudo isto que o governo colombiano exerceu grande pressão para obter as provas que mostram as movimentações do exército. O jornalista colombiano Hollman Morris denunciou que esteve detido durante várias horas numa esquadra de Caquetá e que o comandante do batalhão daquela localidade lhe exigia que entregasse as imagens recolhidas, obedecendo, dizia, a ordens superiores. Desde então, disse Morris à Telesur, não param as ameaças de morte.


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