Protestos continuam na Grécia

A voz da rua

Na terceira semana consecutiva de fortes manifestações de trabalhadores e estudantes, a tensão social na Grécia não dá sinais de abrandamento.

Os sin­di­catos da PAME re­a­lizam ma­ni­fes­ta­ções em 51 ci­dades

No final de uma semana marcada pela jornada nacional de dia 18, com greves convocadas pelos sindicatos e associações de estudantes em todo o país, as organizações anti-racistas saíram à rua, no sábado, dia 20, desfilando entre a Universidade de Atenas e o Parlamento grego.
A acção destinou-se a exigir o respeito dos direitos de cerca de um milhão de imigrantes que vivem no país, ou seja, cerca de 10 por cento da população, dos quais mais de 200 mil não têm a situação regularizada.
No final da manifestação, apoiada por sindicatos e partidos de esquerda, registaram-se confrontos entre grupos de jovens e a polícia, lembrando que a situação social permanece explosiva, registando-se diariamente distúrbios e actos violentos, alguns de natureza claramente provocatória.
Na semana passada, a par de vários assaltos a postos da polícia, a sede do Partido Comunista Grego (KKE) em Salónica foi atingida por duas pequenas explosões de gás, que provocaram estragos ligeiros. Estes ataques repetiram-se, no dia 18, contra três outras instalações do Partido naquela cidade.
Na quarta-feira, 17, um grupo de alunos do secundário que participava numa manifestação no bairro operário de Peristeri, na capital, foi alvejado por um desconhecido que disparou uma arma de fogo ferindo a mão do jovem de 15 anos, Giorgos Paplomatas. Segundo uma nota do KKE, Giorgos é um jovem comunista, membro do conselho da sua escola e filho de um quadro do Partido, sindicalista na central PAME.
A investigação mostrou que a bala encontrada proveio de uma pistola «38 Special» ou de uma «Magnum 357», contrariando declarações da polícia que afirmavam ter sido usada uma simples «pressão-de-ar».
«Aqueles que acreditam que tais acções podem diminuir o espírito de luta do povo e da juventude verão que se enganam», refere a nota do KKE que responsabiliza politicamente o governo por tal ataque assassino. O acto criminoso foi denunciado e condenado em manifestações realizadas no dia 18.
Provando a sua forte disposição de luta, dezenas de milhares de trabalhadores participaram, dia 17, nas manifestações promovidas em 51 cidades gregas, sob a bandeira da PAME, contra o projecto de revisão da directiva europeia sobre o tempo de trabalho.


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