Plenário nacional hoje em Lisboa

Parar a ofensiva

Na difícil situação económica de hoje, mais se justifica abandonar a ofensiva legislativa contra os trabalhadores, exige a CGTP-IN, que esta tarde realiza um plenário nacional, na Estufa Fria, com deslocação à AR.

A acção nas empresas e serviços é prioritária para a CGTP-IN

A legislação laboral para a Administração Pública e a revisão do Código do Trabalho, por um lado, e, por outro, o Orçamento do Estado para 2009 e a política reivindicativa do movimento sindical, serão os dois grandes temas do plenário, que deverá reunir cerca de 1500 dirigentes e delegados sindicais e membros de comissões de trabalhadores – antecipou Arménio Carlos. Em declarações ao Avante!, este membro da Comissão Executiva da CGTP-IN adiantou ainda que, no final do plenário, os participantes deverão deslocar-se até à Assembleia da República, para fazerem entrega de uma resolução, sintetizando as conclusões do plenário.
«Nada justifica manter as posições do Governo», realçou o dirigente sindical, «num quadro de situação económica difícil», uma vez que a legislação laboral, quer para a Administração Pública quer para o sector privado, «só agravaria as desigualdades e fragilizaria a posição dos trabalhadores na correlação de forças com o patronato». «O assunto não fica encerrado, independentemente da votação» a que amanhã vai ser sujeita a revisão do Código do Trabalho. Caso se confirme que os deputados do PS aprovem a proposta de lei, «vamos exigir ao Presidente da República que actue, para que seja declarada a inconstitucionalidade de várias matérias» que continuam no texto, revelou Arménio Carlos.
No segundo tema do plenário, deverá ser reafirmada a exigência de que, no próximo ano, haja um aumento real dos salários e das pensões. «Na proposta de Orçamento do Estado, o Governo não responde à reposição do poder de compra perdido em 2008», lembrando o dirigente da Inter que tinha havido um compromisso do primeiro-ministro, para corrigir a actualização salarial, caso a inflação fosse superior aos 2,1 por cento que impôs aos trabalhadores.
A central questiona a previsão de uma taxa de inflação de 2,5 por cento, para 2009, e volta a lembrar que, desde 2000, os trabalhadores da Administração Pública têm estado sempre a perder poder de compra.
A CGTP-IN exige que seja cumprido o acordo relativo ao aumento do salário mínimo nacional, fixando o valor de 450 euros, para vigorar em 2009, e mantendo a perspectiva de atingir 500 euros em 2011. A central avançou já com uma proposta para a definição de novo quadro plurianual de evolução da remuneração mínima, que permita atingir os 600 euros em 2013.
O aumento real dos salários é um objectivo da acção reivindicativa também nos sectores privados, já que Portugal, nos últimos três anos, foi o único onde os trabalhadores não ganharam algum poder de compra.
No plenário, em várias intervenções dos sectores, serão abordadas as questões actuais da negociação colectiva e as linhas de acção para os próximos tempos. Arménio Carlos recorda, a propósito, que a CGTP-IN definiu as empresas e locais de trabalho como o espaço privilegiado para a reivindicação dos trabalhadores, tanto mais que diversas associações patronais, da esfera da CIP, e também dos transportes, teimam em bloquear as negociações com os sindicatos, é espera da revisão do Código do Trabalho. «Vamos prosseguir e intensificar a acção no local de trabalho», sublinhou o dirigente, assinalando a importância de lutas agendadas, como a dos professores, no sábado, da Administração Pública, dia 21, ou a vigília dos transportes, esta semana.


Mais artigos de: Trabalhadores

Excepcional mobilização

A Fenprof confirmou que a participação de professores nas reuniões sindicais de sensibilização para o plenário e a manifestação nacional de sábado, em Lisboa, tem sido «uma das mais elevadas».

Uma semana de vigília

Representantes sindicais da Fectrans/CGTP-IN cumprem, até sexta-feira, uma semana de vigília permanente diante do Ministério dos Transportes, para repudiar os bloqueios à negociação dos AE’s.

«Carrasco» ou secretário de Estado?

A pergunta fê-la a Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, num comunicado a propósito das declarações do secretário de Estado da Administração Pública, no encerramento do Congresso Nacional da Administração Pública. Castilho dos Santos afirmou, dia 30 de Outubro, que «trabalhadores, serviços e dirigentes que...

Milhões para os bancos

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local criticou a atribuição, pelo Governo PS, de milhares de milhões de euros ao sector bancário, enquanto continua a negar aumentos reais de salários aos trabalhadores.A crítica foi feita pelo presidente do sindicato, Francisco Braz, durante a 1.ª Conferência...

Solidariedade na luta

Na segunda-feira, as trabalhadores e os trabalhadores da Iberlim nas limpezas do aeroporto de Lisboa cumpriram mais um dia de greve, o 18.º este ano. Na concentração que levaram a cabo, junto ao local das chegadas, receberam a solidariedade de dirigentes da central, incluindo o secretário-geral, Carvalho da Silva, bem...

Bancários defendem SAMS

Anteontem, à tarde, uma jornada junto às instalações dos Serviços de Assistência Médico-Social, na Rua Fialho de Almeida, e junto às sedes dos principais bancos, marcou o início de um trabalho de recolha de apoios, para o abaixo-assinado lançado na reunião de bancários no activo e reformados, que teve lugar dia 16 de...

Preocupações graves na <i>Yazaki</i> e na <i>Rohde</i>

Trabalhadoras e trabalhadores da Yazaki Saltano e da Rohde expressaram muitas preocupações quanto ao futuro, face a constantes rumores de novos despedimentos, revelou a direcção regional de Aveiro do PCP. As duas empresas, que nos últimos meses despediram centenas de pessoas, receberam na quarta-feira, 29 de Outubro,...

Pesca de bivalves

O Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Norte leva a cabo amanhã, na Murtosa, um encontro sobre a pesca de bivalves na Ria de Aveiro, sob o lema «Direito ao trabalho e ao sustento». É preocupação do STPN/CGTP-IN encontrar mecanismos de apoio aos pescadores, que até há duas semanas estiveram mais de cinco meses sem...