O instrumento
Jorge Palma. 53 anos, músico-compositor.
Independente. Lê o Avante! em casa, na sala.
Com 20 anos, Jorge Palma vem para Lisboa e envolve-se no período revolucionário do 25 de Abril, actuando com a sua primeira banda, «O sindicato».
Mas o compositor tinha uma grande dificuldade em escrever letras em português e Fernando Tordo deu-lhe a ideia de telefonar a Ary dos Santos. «Telefonei-lhe e, a partir daí e durante um ano, quase todos os dias ia eu a sua casa ou ia ele à minha e escrever em português deixou de ser problema.»
A ironia e a critica social, soube ir bebê-la «à ironia nas entrelinhas e não só» dos poemas de Ary, recitados em noites de convívio e discussão política entre amigos.
No fim dos anos 80, é convidado a actuar na Festa do Avante!, no Alto da Ajuda, onde começou «a tocar diante de um enorme público, e aquilo foi inesquecível».
A partir dessa data, passou sempre a ir à Festa, tendo actuado por várias vezes, no Palco 25 de Abril e no Auditório 1.º de Maio.
Hoje com 53 anos, o músico e compositor considera que o Avante! como jornal, «faz a diferença». Exemplo disso, é a forma como tem sido tratado o Código do Trabalho e os perigos que reserva para os trabalhadores: «É giro porque, nos jornais “da moda”, essas coisas saem muito discretamente», ao contrário do Avante! que «é directo, diz as coisas preto no branco e é a voz do PCP por quem tenho um respeito e uma admiração enormes, pela coerência e a constância. É muito importante que, em Portugal, exista essa força resistente e forte. Não é por acaso que, apesar das dificuldades dos “tempos modernos”, o PCP mantém-se com os seus militantes que não militam “de passagem”. Ou seja, é pessoal que está lá para o que der e vier, e isso é extremamente importante».
«Coisa que sinto no PCP e não sinto na sociedade é uma solidariedade, uma união, uma unidade muito grandes». E, para Palma, essa diferença está à vista todos os anos na Quinta da Atalaia, espaço «onde se sente que não estamos sós no mundo, que há grandes injustiças que acabarão por reflectir-se nos nossos filhos se não forem combatidas, e é nesse sentido que também trabalho. Mas, com leis como as que se têm feito, a tendência é cortar as asas à juventude, embora a malta nova seja a única esperança», garante.
Esperança que é reflectida anualmente na Festa, «com muito bom ambiente. Gosto daqueles dias. É um sentimento de liberdade e de companheirismo. Um gajo sente-se bem. Aqueles sons e paisagens dão a sensação de estar na pradaria».
Salienta ainda o papel «muito importante como alternativa» que teve o Avante! durante a recente guerra do Golfo, denunciando os verdadeiros motivos da invasão norte-americana do Iraque: «é por isso que um jornal como o Avante! é tão importante. É um instrumento que informa e que trava uma luta difícil mas necessária na defesa dos princípios com que todos nascemos, os princípios humanitários, o gostar dos outros, sentir que o próximo é, de facto, um semelhante, sentirmo-nos iguais e partilhar as coisas».
Jorge Palma confessou-nos que para fazer, «Na terra dos sonhos», inspirou-se na Festa: «Em Portugal, a Festa é única. Aquele espírito de camaradagem, aquele “à vontade” é uma tradição bem saudável».
Regressa este ano com os «Cabeças no ar».
Mas o compositor tinha uma grande dificuldade em escrever letras em português e Fernando Tordo deu-lhe a ideia de telefonar a Ary dos Santos. «Telefonei-lhe e, a partir daí e durante um ano, quase todos os dias ia eu a sua casa ou ia ele à minha e escrever em português deixou de ser problema.»
A ironia e a critica social, soube ir bebê-la «à ironia nas entrelinhas e não só» dos poemas de Ary, recitados em noites de convívio e discussão política entre amigos.
No fim dos anos 80, é convidado a actuar na Festa do Avante!, no Alto da Ajuda, onde começou «a tocar diante de um enorme público, e aquilo foi inesquecível».
A partir dessa data, passou sempre a ir à Festa, tendo actuado por várias vezes, no Palco 25 de Abril e no Auditório 1.º de Maio.
Hoje com 53 anos, o músico e compositor considera que o Avante! como jornal, «faz a diferença». Exemplo disso, é a forma como tem sido tratado o Código do Trabalho e os perigos que reserva para os trabalhadores: «É giro porque, nos jornais “da moda”, essas coisas saem muito discretamente», ao contrário do Avante! que «é directo, diz as coisas preto no branco e é a voz do PCP por quem tenho um respeito e uma admiração enormes, pela coerência e a constância. É muito importante que, em Portugal, exista essa força resistente e forte. Não é por acaso que, apesar das dificuldades dos “tempos modernos”, o PCP mantém-se com os seus militantes que não militam “de passagem”. Ou seja, é pessoal que está lá para o que der e vier, e isso é extremamente importante».
«Coisa que sinto no PCP e não sinto na sociedade é uma solidariedade, uma união, uma unidade muito grandes». E, para Palma, essa diferença está à vista todos os anos na Quinta da Atalaia, espaço «onde se sente que não estamos sós no mundo, que há grandes injustiças que acabarão por reflectir-se nos nossos filhos se não forem combatidas, e é nesse sentido que também trabalho. Mas, com leis como as que se têm feito, a tendência é cortar as asas à juventude, embora a malta nova seja a única esperança», garante.
Esperança que é reflectida anualmente na Festa, «com muito bom ambiente. Gosto daqueles dias. É um sentimento de liberdade e de companheirismo. Um gajo sente-se bem. Aqueles sons e paisagens dão a sensação de estar na pradaria».
Salienta ainda o papel «muito importante como alternativa» que teve o Avante! durante a recente guerra do Golfo, denunciando os verdadeiros motivos da invasão norte-americana do Iraque: «é por isso que um jornal como o Avante! é tão importante. É um instrumento que informa e que trava uma luta difícil mas necessária na defesa dos princípios com que todos nascemos, os princípios humanitários, o gostar dos outros, sentir que o próximo é, de facto, um semelhante, sentirmo-nos iguais e partilhar as coisas».
Jorge Palma confessou-nos que para fazer, «Na terra dos sonhos», inspirou-se na Festa: «Em Portugal, a Festa é única. Aquele espírito de camaradagem, aquele “à vontade” é uma tradição bem saudável».
Regressa este ano com os «Cabeças no ar».