Comunistas denunciam ofensiva antidemocrática

Pressões sobre a Irlanda são inaceitáveis

A visita de Nicolas Sarkozy à Irlanda, na semana passada, foi mais um passo na ofensiva antidemocrática das grandes potências europeias com vista a intimidar os irlandeses e obrigá-los a mudar a sua posição sobre o tratado de Lisboa.

As pressões europeias deixam Brian Cowen em mãos lençóis

Em conferência de imprensa, dia 23, Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro, expuseram a posição do PCP relativamente a alguns temas da presidência francesa da UE, denunciando as «pressões e ingerências antidemocráticas que continuam a ser exercidas sobre a Irlanda, procurando pressionar à realização de um novo referendo para que o povo irlandês mude de posição».
Os dois deputados do PCP no Parlamento Europeu chamaram ainda a atenção para o «estado de saúde» da Política Agrícola Comum (PAC), notando que «a comissão europeia insiste nas mesmas orientações neoliberais» para «subordinar a agricultura às regras da Organização Mundial de Comércio».
Defendendo uma política alternativa, o PCP considera que é necessário reconhecer a agricultura e a pesca como «sectores estratégicos para o desenvolvimento, para uma política alimentar saudável».
Os deputados comunistas criticam ainda as políticas económicas e sociais neoliberais, sublinhando que «a falsa autonomia do Banco Central Europeu é cada vez mais utilizada para ajudar na concentração e acumulação capitalistas»

Irlandeses hostis a novo referendo

No domingo, 28, uma sondagem Red C, encomendada pela Open Europe, uma organização dirigida por empresários britânicos, apurou que cerca de três quartos dos eleitores britânicos se opõem a um segundo referendo sobre o tratado de Lisboa.
Com mais de mil inquiridos por telefone, 71 por cento afirmaram não desejar votar outra vez o tratado e apenas 24 por cento se declararam favoráveis a um novo referendo.
Caso a consulta se realizasse, 62 por cento votariam «Não» e apenas 34 por cento «Sim», ou seja, a rejeição ao tratado aumentou sensivelmente desde o referendo de 12 de Junho. O campo do seria reforçado com mais seis por cento dos eleitores, obtendo uma vantagem de 24 pontos sobre o Sim.
O inquérito revela ainda que 67 por cento dos irlandeses são da opinião de que os responsáveis europeus não respeitam o «Não», sustentando 61 por cento que o país não deverá apoiar o tratado mesmo que os outros 26 estados-membros o ratifiquem por via parlamentar.
Embora para já o governo irlandês não tenha anunciado qualquer nova iniciativa, a sondagem deixa um aviso claro ao primeiro-ministro: 53 por cento dos inquiridos declaram que estariam menos disposto a reeleger Brian Cowen se este decidir repetir o referendo.


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