Defender a agricultura no Alqueva

«Suspender ou adiar a componente agrícola seria um crime contra o povo alentejano, que teria uma resposta firme dos comunistas e de todos os que lutaram e lutam pela concretização de Alqueva», afirma o Executivo da Direcção da Organização Regional de Beja, em nota de imprensa emitida a 1 de Setembro. O PCP reagia desta forma a continuadas notícias surgidas na comunicação social nacional e regional relativas a irrecuperáveis atrasos no projecto e até mesmo sobre a eventual suspensão da vertente agrícola.
Para os comunistas da região, é inaceitável que, directa ou indirectamente, o Governo do PSD/PP «pretenda “amputar” o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva de alguma das suas componentes – de reserva estratégica de água, de produção de electricidade, de desenvolvimento da agricultura irrigada, de promoção do turismo – alegando dificuldades financeiras que, aliás, para outros sectores não existem». Entre as manobras do Governo, denuncia o PCP, conta-se o não financiamento da EDIA, que está a braços com enormes dívidas.
A exigência da manutenção do projecto em todas as suas componentes entronca numa outra reivindicação dos comunistas: a profunda reestruturação fundiária no Alentejo. O PCP há muito que defende que com o empreendimento de Alqueva se impõe «uma política agrícola que, nos termos constitucionais, crie condições para a existência de uma estrutura agrícola equilibrada e o aparecimento de uma nova dinâmica social». Isto exige a «democratização do acesso à terra, na área beneficiada, a pequenos agricultores, rendeiros, seareiros e jovens agricultores». Esta medida chegou mesmo a ser apresentada pelo Grupo Parlamentar comunista na Assembleia da República, no princípio de 2001.
Mais recentemente, ficou sem agendamento o pedido feito pelo Grupo Parlamentar do PCP solicitando a presença dos ministros da Agricultura e das Cidades na Comissão de Poder Local, para prestarem esclarecimentos sobre o empreendimento. A nível local, o PCP vai promover em Outubro uma iniciativa sobre o tema. Os comunistas continuam a exigir que o Governo ponha fim às indefinições sobre o projecto e que, recuperando os prazos estabelecidos, prossiga com as diversas obras planeadas, nomeadamente a irrigação.


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