Fogo cerrado
Apesar dos gigantescos meios da campanha pelo Sim, das intoleráveis pressões, manipulações e chantagens exercidas sobre os irlandeses, tanto a nível interno e como externo, o campo do Não alargou-se e chegou a liderar nas últimas sondagens.
Pressões e chantagens marcam campanha referendária
Contra os partidários do Não, à excepção do Sinn Fein, estão praticamente todas as forças políticas com representação parlamentar, todas as direcções dos principais sindicatos, todos os grandes jornais e demais órgãos de comunicação e até a própria associação dos agricultores decidiu, na passada semana, juntar-se ao Sim.
Disposto a tudo para garantir a aprovação do tratado, o governo irlandês prometeu aos representantes da Irish Farmers Association (IFA) que vetará um acordo na Organização Mundial do Comércio caso as suas condições não satisfaçam os interesses dos agricultores irlandeses.
Mesmo sabendo que o governo de Dublin dificilmente poderá cumprir a sua promessa, já que é a União Europeia que negoceia na OMC em nome dos estados membros, a IFA apelou, no dia 3, aos seus 85 mil associados para votarem Sim ao tratado. Mas o apelo não teve o esperado eco nas sondagens do fim-de-semana.
Pelo contrário, os últimos inquéritos legalmente publicados indicavam uma subida do Não. Na sexta-feira, 6, a sondagem divulgada pelo Irish Times, realizada pelo instituto TNS/mrbi, colocava pela primeira vez o Não à frente, com 35 por cento das intenções de voto, contra 30 por cento para o Sim. O número de indecisos permanecia elevado com 28 por cento.
Algumas semanas antes, em 18 de Maio, o mesmo instituto colocou o Sim em grande vantagem (35 por cento) face ao Não que apenas recolheu 18 por cento. Os indecisos constituíam na altura 47 por cento.
No sábado, 7, outra sondagem, desta vez efectuada pelo Instituto Red C para o Sunday Business Post, atribuiu uma vantagem ao Sim de três pontos, com 42 por cento, contra 39 por cento ao Não. No entanto, em comparação com o estudo realizado duas semanas antes, o Sim apenas progrediu um ponto percentual, enquanto o Não subiu seis pontos.
Pressão até às urnas
Face ao número de indecisos, dos quais dependerá o resultado final, o governo irlandês multiplicou as pressões, afirmando, já em tom de ameaça, que o tratado «é fundamental para os nossos interesses».
Ao mesmo tempo, as autoridades lançaram mão das tecnologias para aumentar a participação no referendo. Segundo o Sunday Times, o organismo «independente» que supervisiona o referendo preparava-se para enviar para todos os telemóveis na Irlanda apelos à participação na votação, que seriam reforçados no próprio dia, horas antes do encerramento das urnas, não vá alguém esquecer-se.
Em Bruxelas, as elites europeias retêm respiração, esperando um resultado que lhe permita retomar a marcha federalista e liberal. Assuntos como o orçamento comunitário, a harmonização fiscal, defesa europeia ou política agrícola comum foram deliberadamente adiados para depois da consulta. As más notícias virão a seguir.
Disposto a tudo para garantir a aprovação do tratado, o governo irlandês prometeu aos representantes da Irish Farmers Association (IFA) que vetará um acordo na Organização Mundial do Comércio caso as suas condições não satisfaçam os interesses dos agricultores irlandeses.
Mesmo sabendo que o governo de Dublin dificilmente poderá cumprir a sua promessa, já que é a União Europeia que negoceia na OMC em nome dos estados membros, a IFA apelou, no dia 3, aos seus 85 mil associados para votarem Sim ao tratado. Mas o apelo não teve o esperado eco nas sondagens do fim-de-semana.
Pelo contrário, os últimos inquéritos legalmente publicados indicavam uma subida do Não. Na sexta-feira, 6, a sondagem divulgada pelo Irish Times, realizada pelo instituto TNS/mrbi, colocava pela primeira vez o Não à frente, com 35 por cento das intenções de voto, contra 30 por cento para o Sim. O número de indecisos permanecia elevado com 28 por cento.
Algumas semanas antes, em 18 de Maio, o mesmo instituto colocou o Sim em grande vantagem (35 por cento) face ao Não que apenas recolheu 18 por cento. Os indecisos constituíam na altura 47 por cento.
No sábado, 7, outra sondagem, desta vez efectuada pelo Instituto Red C para o Sunday Business Post, atribuiu uma vantagem ao Sim de três pontos, com 42 por cento, contra 39 por cento ao Não. No entanto, em comparação com o estudo realizado duas semanas antes, o Sim apenas progrediu um ponto percentual, enquanto o Não subiu seis pontos.
Pressão até às urnas
Face ao número de indecisos, dos quais dependerá o resultado final, o governo irlandês multiplicou as pressões, afirmando, já em tom de ameaça, que o tratado «é fundamental para os nossos interesses».
Ao mesmo tempo, as autoridades lançaram mão das tecnologias para aumentar a participação no referendo. Segundo o Sunday Times, o organismo «independente» que supervisiona o referendo preparava-se para enviar para todos os telemóveis na Irlanda apelos à participação na votação, que seriam reforçados no próprio dia, horas antes do encerramento das urnas, não vá alguém esquecer-se.
Em Bruxelas, as elites europeias retêm respiração, esperando um resultado que lhe permita retomar a marcha federalista e liberal. Assuntos como o orçamento comunitário, a harmonização fiscal, defesa europeia ou política agrícola comum foram deliberadamente adiados para depois da consulta. As más notícias virão a seguir.