Tadic joga em dois tabuleiros
O presidente sérvio e candidato à segunda volta das presidenciais no país, Boris Tadic, encontrou-se, sexta-feira, em Moscovo, com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, para assinar uma parceria entre os dois países no campo energético. Acompanhado pelo primeiro-ministro Voislav Kostunica, Tadic subscreveu um contrato de venda de 51 por cento da estatal Naftne Industrije Srbije em favor da russa Gazprom, acordo que coloca a Sérvia como no lugar de plataforma fundamental no fornecimento de combustíveis russos para o Sul da Europa.
No final da cerimónia, instados pelos jornalistas, Putin e Tadic reafirmaram a posição comum quanto ao estatuto político do Kosovo, reiterando que a declaração unilateral de independência por parte da maioria albanesa no território viola os princípios do Direito Internacional e terá consequências imprevisíveis para a estabilidade dos Balcãs.
Apesar de reafirmar a sua oposição à secessão do território e garantir por essa via o apoio do Kremlin, Tadic parece interessado em jogar em dois tabuleiros, facto que se confirma se considerarmos que, não obstante tal posição ser contrária à orientação europeia, Bruxelas apoia sem rodeios o actual chefe de Estado na desforra eleitoral do próximo domingo.
Acresce que segunda-feira os membros da UE anunciaram um acordo de princípio para que se inicie o processo de integração da Sérvia no espaço comum, principal trunfo eleitoral de Tadic. Simultaneamente, os 27 divulgaram que pretendem enviar para o Kosovo uma «força civil» de quase dois mil homens, cujo fim será substituir a ONU na administração do território e apoiar os militares ali estacionados antes da proclamação autonómica das autoridades de Pristina.
Lacaios de Washington
Enquanto russos e europeus zelam pelos seus interesses desdobrando-se em esforços finais por Tadic, os norte-americanos, que também têm o candidato em boa conta, parecem dar prioridade à agilidade dos corredores, onde a pressão não precisa de meias palavras nem diplomacias e, pelos vistos, é mais eficaz no que ao acautelar dos interesses da Casa Branca diz respeito.
De acordo com informações publicadas no final da semana passada pelo diário esloveno Dnevnik, Washington instruiu a Eslovénia sobre o papel que deveria assumir quanto à questão kosovar no decurso do exercício da presidência da UE, que se estende pelo primeiro semestre de 2008.
O Dnevnik mostra um documento oficial no qual o secretário de Estado adjunto norte-americano para os Assuntos Europeus, Daniel Fried, sugere às autoridades de Ljubljana que estejam «entre os primeiros no seio da UE a reconhecer a independência do Kosovo» porque, segundo o mesmo documento citado pelo jornal, «a decisão importante é a de uma missão de polícias e juristas da União Europeia que vai ser enviada para o Kosovo, apesar das reticências de Moscovo e Belgrado».
Reagindo à notícia, o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, não negou a veracidade do seu conteúdo e esclareceu que «a Eslovénia se coordenava com os seus parceiros no seio da UE, e que a UE se coordenava com os seus aliados no mundo».
No final da cerimónia, instados pelos jornalistas, Putin e Tadic reafirmaram a posição comum quanto ao estatuto político do Kosovo, reiterando que a declaração unilateral de independência por parte da maioria albanesa no território viola os princípios do Direito Internacional e terá consequências imprevisíveis para a estabilidade dos Balcãs.
Apesar de reafirmar a sua oposição à secessão do território e garantir por essa via o apoio do Kremlin, Tadic parece interessado em jogar em dois tabuleiros, facto que se confirma se considerarmos que, não obstante tal posição ser contrária à orientação europeia, Bruxelas apoia sem rodeios o actual chefe de Estado na desforra eleitoral do próximo domingo.
Acresce que segunda-feira os membros da UE anunciaram um acordo de princípio para que se inicie o processo de integração da Sérvia no espaço comum, principal trunfo eleitoral de Tadic. Simultaneamente, os 27 divulgaram que pretendem enviar para o Kosovo uma «força civil» de quase dois mil homens, cujo fim será substituir a ONU na administração do território e apoiar os militares ali estacionados antes da proclamação autonómica das autoridades de Pristina.
Lacaios de Washington
Enquanto russos e europeus zelam pelos seus interesses desdobrando-se em esforços finais por Tadic, os norte-americanos, que também têm o candidato em boa conta, parecem dar prioridade à agilidade dos corredores, onde a pressão não precisa de meias palavras nem diplomacias e, pelos vistos, é mais eficaz no que ao acautelar dos interesses da Casa Branca diz respeito.
De acordo com informações publicadas no final da semana passada pelo diário esloveno Dnevnik, Washington instruiu a Eslovénia sobre o papel que deveria assumir quanto à questão kosovar no decurso do exercício da presidência da UE, que se estende pelo primeiro semestre de 2008.
O Dnevnik mostra um documento oficial no qual o secretário de Estado adjunto norte-americano para os Assuntos Europeus, Daniel Fried, sugere às autoridades de Ljubljana que estejam «entre os primeiros no seio da UE a reconhecer a independência do Kosovo» porque, segundo o mesmo documento citado pelo jornal, «a decisão importante é a de uma missão de polícias e juristas da União Europeia que vai ser enviada para o Kosovo, apesar das reticências de Moscovo e Belgrado».
Reagindo à notícia, o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, não negou a veracidade do seu conteúdo e esclareceu que «a Eslovénia se coordenava com os seus parceiros no seio da UE, e que a UE se coordenava com os seus aliados no mundo».