Caminho aberto ao desenvolvimento solidário
Venezuela, Cuba, Nicarágua, Bolívia e República Dominicana subscreveram, domingo, projectos de cooperação que rompem com o neoliberalismo e asseguram a soberania dos povos, entre os quais o Banco da ALBA.
A Faixa de Orinoco fornecerá petróleo aos países da ALBA
A VI Cimeira da Alternativa Bolivariana da Nossa América (ALBA), que decorreu no passado fim-de-semana, em Caracas, pode bem ser um marco na história da América Latina. Cinco países decidiram avançar com um instrumento financeiro, o Banco da ALBA, cujas normas de funcionamento e objectivos contrastam com as que norteiam as homólogas capitalistas, como o FMI ou o Banco Mundial.
Desde logo porque não obrigam nenhum dos seus membros constituintes a seguir uma cartilha política e de «recomendações» que resultam invariavelmente no empobrecimento da esmagadora maioria da população, na perda de soberania face às multinacionais, ou na acumulação de uma imensa dívida externa fruto de taxas e interesses draconianos, como o exemplo de muitos países do subcontinente ilustra.
Como destacaram os chefes de Estado presentes, a nova estrutura financeira – que arranca com um capital inicial de mil milhões de dólares, mas que pode dentro de pouco tempo ver esse valor duplicar – servirá de ferramenta ao serviço do desenvolvimento dos países membros e da promoção da coesão social dos respectivos povos, e, simultaneamente, apresenta-se como instrumento de blindagem das economias locais face à instabilidade dos mercados internacionais, ao sabor da especulação e da acumulação de dividendos fabulosos por parte dos gigantes do sector financeiro.
Igualmente importante e em claro contraste com a lógica das instituições dominantes é a democraticidade dos processos de decisão. Cada um dos seus integrantes tem direito a um voto, independentemente do capital accionista que detenha.
Progresso e justiça social
A par do Banco da ALBA, os governos de Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e República Dominicana decidiram cooperar solidariamente em áreas como a soberania alimentar, a investigação científica visando aumentar e melhorar a produção agropecuária, ou a exploração petrolífera dos recursos existentes na Faixa de Orinoco, acordo que permite que cada um dos países obtenha a quantidade de hidrocarbonetos que satisfazem as suas necessidades.
Ao invés de se deterem em discussões de regulação tarifária do comércio e disputas de mercados entre as partes, os países ALBA decidiram ainda reforçar programas de intercâmbio educacional e cultural, com projectos já em marcha no campo da alfabetização e formação de quadros técnicos e superiores, produção audiovisual ou publicação de livros, entre outras.
Washington pressiona
Apesar de se apresentar cada vez mais consolidado, o salto histórico que o processo de integração representa motiva forte resistência por parte do imperialismo norte-americano, intransigente com quem coloque obstáculos à sua política de rapina.
Segundo afirmaram os presidentes da Venezuela e Nicarágua, Hugo Chávez e Daniel Ortega, o aparelho diplomático de Washington está já em campo procurando impedir que outras nações adiram ao ALBA, usando como armas de arremesso a pressão e a chantagem.
Para os dignitários, também não é de excluir o regresso em força das intentonas golpistas e das intervenções militares norte-americanas, as quais nas últimas quatro décadas minaram de ditaduras a América Latina e o Caribe e foram responsáveis pelo massacre de milhões de pessoas.
Do outro lado da fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, sublinhou Chávez, sobe o tom das ameaças verbais dos funcionários dos EUA, ao mesmo tempo que correm livres os boatos que acusam Caracas de sustentar uma corrida às armas e acoitar cartéis de narcotraficantes. Neste contexto, não é de estranhar que o presidente venezuelano tenha proposto o estabelecimento de um conselho de defesa da ALBA, porque, disse, «juntos somos invencíveis».
Desde logo porque não obrigam nenhum dos seus membros constituintes a seguir uma cartilha política e de «recomendações» que resultam invariavelmente no empobrecimento da esmagadora maioria da população, na perda de soberania face às multinacionais, ou na acumulação de uma imensa dívida externa fruto de taxas e interesses draconianos, como o exemplo de muitos países do subcontinente ilustra.
Como destacaram os chefes de Estado presentes, a nova estrutura financeira – que arranca com um capital inicial de mil milhões de dólares, mas que pode dentro de pouco tempo ver esse valor duplicar – servirá de ferramenta ao serviço do desenvolvimento dos países membros e da promoção da coesão social dos respectivos povos, e, simultaneamente, apresenta-se como instrumento de blindagem das economias locais face à instabilidade dos mercados internacionais, ao sabor da especulação e da acumulação de dividendos fabulosos por parte dos gigantes do sector financeiro.
Igualmente importante e em claro contraste com a lógica das instituições dominantes é a democraticidade dos processos de decisão. Cada um dos seus integrantes tem direito a um voto, independentemente do capital accionista que detenha.
Progresso e justiça social
A par do Banco da ALBA, os governos de Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e República Dominicana decidiram cooperar solidariamente em áreas como a soberania alimentar, a investigação científica visando aumentar e melhorar a produção agropecuária, ou a exploração petrolífera dos recursos existentes na Faixa de Orinoco, acordo que permite que cada um dos países obtenha a quantidade de hidrocarbonetos que satisfazem as suas necessidades.
Ao invés de se deterem em discussões de regulação tarifária do comércio e disputas de mercados entre as partes, os países ALBA decidiram ainda reforçar programas de intercâmbio educacional e cultural, com projectos já em marcha no campo da alfabetização e formação de quadros técnicos e superiores, produção audiovisual ou publicação de livros, entre outras.
Washington pressiona
Apesar de se apresentar cada vez mais consolidado, o salto histórico que o processo de integração representa motiva forte resistência por parte do imperialismo norte-americano, intransigente com quem coloque obstáculos à sua política de rapina.
Segundo afirmaram os presidentes da Venezuela e Nicarágua, Hugo Chávez e Daniel Ortega, o aparelho diplomático de Washington está já em campo procurando impedir que outras nações adiram ao ALBA, usando como armas de arremesso a pressão e a chantagem.
Para os dignitários, também não é de excluir o regresso em força das intentonas golpistas e das intervenções militares norte-americanas, as quais nas últimas quatro décadas minaram de ditaduras a América Latina e o Caribe e foram responsáveis pelo massacre de milhões de pessoas.
Do outro lado da fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, sublinhou Chávez, sobe o tom das ameaças verbais dos funcionários dos EUA, ao mesmo tempo que correm livres os boatos que acusam Caracas de sustentar uma corrida às armas e acoitar cartéis de narcotraficantes. Neste contexto, não é de estranhar que o presidente venezuelano tenha proposto o estabelecimento de um conselho de defesa da ALBA, porque, disse, «juntos somos invencíveis».