Companhia de Teatro Infantil de Cuba

«La Colmenita» encanta Portugal

Lisboa acolheu, domingo, um espectáculo de invulgar beleza. Momentos mágicos que se vão repetir, até dia 13 de Janeiro, com a digressão da Companhia de Teatro Infantil de Cuba, «La Colmenita».

Um pretexto para fomentar valores humanos e unir famílias

Foi minúscula a sala que acolheu, no domingo, a Companhia de Teatro Infantil de Cuba, «La Colmenita», que trouxe até Lisboa, na sala dois da Barraca, o espectáculo «Los Cuentos Cubanos de Anderson». Com o objectivo de assinalar os 200 anos do nascimento do poeta e escritor dinamarquês Hans Cristian Anderson, esta companhia, para satisfação e prazer das mais de 150 pessoas que ali se encontravam, a maioria delas crianças, contou-nos, com um toque mágico, de alegria de cor, as histórias do «Patinho Feio» e «A Roupa Nova do Rei».
Com uma brilhante interpretação de todos, 22 crianças e 10 adultos, intercalada por momentos musicais de grande intensidade rítmica, que ajudam a ilustrar as histórias, os jovens cubanos contaram-nos, primeiro, a história de um filhote de cisne que foi chocado no ninho por uma pata.
Por ser diferente dos seus irmãos, é perseguido, ofendido, maltratado por todos os patos e galinhas do terreiro. Um dia, cansado de tanta humilhação, foge do ninho. Quando chega à Primavera, une-se a um imponente bando de cisnes, sendo então reconhecido como o mais belo de todos.
A segunda narração fala-nos de dois bandidos, que se fazem passar por alfaiates de terras distantes, que prometem fazer a um rei uma roupa muito bonita e cara, que apenas as pessoas inteligentes podem ver. Os supostos alfaiates recebem vários baús cheios de riqueza, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros, exigidos para confecção das roupas. Fingem, então, tecer fios invisíveis, que todas as pessoas alegavam ver para não parecer estúpidas. A única pessoa a desmascarar a farsa foi uma criança.
No final da peça, os pequenos actores convidarem as outras crianças, que se encontravam no público, para dançar, com eles, as músicas infantis cubanas. «Era bom que todos os domingos fossem iguais a este», dizia, ao pai, uma menina.
Um espectáculo a não perder e que vai percorrer vários pontos do País. Hoje, quinta-feira, «La Colmenita» estará no Alandroal. Amanhã, sexta-feira, estará em Guimarães, seguindo-se a Moita (dia 12). Esta digressão termina (dia 13) em Vila Real de Santo António.

Apreciadores de arte

«La Colmenita» é a primeira companhia de teatro infantil de Cuba. Com ateliers e worhshops em várias comunidades de Havana e do interior do País, entre os seus membros contam-se actualmente cerca de 700 crianças.
«Estes meninos, alguns dos que vieram a Portugal, não estudam em escolas especiais de arte ou de música. Depois da escola reunimo-nos e jogamos ao teatro. O teatro é apenas um pretexto para fomentar valores humanos e unir famílias. A maioria destas crianças, quando forem adultos, não querem ser artistas, mas serão, certamente, grandes apreciadores de arte», explicou, no final do espectáculo, Haydeé «Titi» Oltuski.
Outro dos espectáculos que está em cena e que vai percorrer as salas de teatro do nosso País é a «Cinderela segundo os Beatles». «Porque queríamos aprender a língua inglesa, começámos a procurar canções que pudessem integrar um espectáculo. Foi ai que descobrimos que os Beatles, naquele tempo, também eram crianças. Surgiu então a ideia de levar essa música aos meninos de Cuba, que, também, como em todo o mundo, estão sujeitos a muita porcaria cultural. Depois fizemos a ponte entre os Beatles e a melhor música cubana», acentuo o responsável pelo guião da peça em exibição.

Formar o homem novo

Mas, quando se trata de crianças, há sempre o perigo da vaidade. Não é o que se pretende na «La Colmenita». «Em Cuba actuamos, muitas das vezes, em teatros para cinco mil pessoas que, no final, se levantam, choram e aplaudem o espectáculo. Quando os artistas recebem esta resposta do público, depois de uma hora de trabalho, o seu termómetro da vaidade fica muito elevado, mas isso é inerente à arte. No entanto, no outro dia, se a criança chegar à escola e se sentir diferente, ou pior, se se sentir superior ao seu colega, então fizemos um dano irreversível à sua personalidade», frisou Haydeé «Titi» Oltuski.
Quando isto acontece, acrescentou, o «castigo» que a criança recebe é uma semana ou duas de «férias», «para que perceba e tenha a consciência que não é diferente nem superior a ninguém».
Entretanto, este trabalho, junto das crianças, só é possível porque o estado cubano apoia este projecto. «Porque acreditamos que todos têm lugar no teatro, temos ainda feito um grande trabalho junto dos meninos incapacitados», informou, acrescentando: «Naquilo que faço, não há um dia da minha vida que não me traga felicidade. Estamos a formar seres humanos que, mais tarde, vão ser médicos, engenheiros, operários, mas que levam consigo uma experiência extraordinária».

Trabalho reconhecido

Esta companhia, já com alguns anos de existência, tem apresentado as suas obras em cenários de todo o mundo, como por exemplo Espanha e Estados Unidos. O seu director foi reconhecido dentro e fora de Cuba pelo trabalho desenvolvido e o grupo recebeu oficialmente o título de «Embaixadora de Boa Vontade da UNICEF.
«Este prémio não é nem do director do teatro nem da Colmenita, mas sim da Revolução Cubana», sublinhou, Ana Maria Diaz, encarregada pelos assuntos culturais da Embaixada de Cuba em Portugal.


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