Alemanha

Maquinistas resistem

Enfrentando pressões de vários lados, o pequeno sindicato dos maquinistas alemães, GDL, voltou a paralisar, na sexta-feira, 5, quase totalmente a circulação ferroviária nas linhas regionais e urbanas do país, afectando centenas de milhares de passageiros.

Tribunal alemão limitou a greve aos comboios regionais

A greve de três horas, entre as 8 e as 11 horas, teve particulares reflexos nas grandes cidades alemãs de Berlim, Hamburgo, Munique ou Estugarda, mas a administração da Deutsche Bahn (DB) conseguiu limitar os efeitos da luta graças à intervenção do tribunal do Trabalho de Chemnitz que, nas primeiras horas da madrugada, proibiu a paralisação nas linhas de longo curso e no transporte de mercadorias.
A decisão judicial foi criticada por vários sindicatos que a classificaram como uma ingerência intolerável num processo de negociação salarial. Para a grande confederação DGB «o direito de greve deveria ser intocável».
Todavia, à semelhança do já tinha acontecido no mês de Agosto, os magistrados insistiram no entendimento de que, à luz da constituição alemã o direito à greve não é ilimitado, devendo obedecer nomeadamente à regra da proporcionalidade. Daqui concluíram que não poderá ser exercido caso possa provocar graves danos à economia nacional.
Por seu lado, os representantes os GDL usaram todos os recursos legais ao seu alcance para evitar a proibição da greve, requerendo designadamente a substituição de um juiz. Em consequência, a decisão sobre a providência cautelar apresentada pela administração da companhia só foi tomada 18 horas depois do início do julgamento, atraso que obrigou a administração a accionar ao início da noite o seu plano de emergência que implicava a redução para metade do número total de composições em circulação.
Desta forma, recorrendo aos maquinistas que conservam o estatuto de funcionários públicos e estão privados do direito de greve, a administração da DB contava poder garantir um mínimo de tráfego ferroviário.
Na prática, o accionamento do plano emergência fez com que muitos comboios de longo curso e de mercadorias, não abrangidos pela greve, não tivessem saído das estações por falta de pessoal deslocado para outras linhas.

Salários justos
e gestão pública


Reclamando a recuperação do poder de compra perdido ao longo da última década, o GDL exige fortes aumentos salariais que atingem os 31 um por cento, a redução do horário de trabalho de 41 para 40 horas semanais, bem como se opõe à privatização da companhia pública.
Cartazes e bandeirolas colocados nas estações alertavam no dia da greve para as consequências da venda da empresa aos privados: «Caminhos-de-ferro na Bolsa, ferroviários no centro de desemprego».
O sindicato mostra-se determinado a prosseguir a sua luta, recusando o acordo concluído em Junho com os outros dois sindicatos da empresa (Transnet e DGBA) que estabeleceram aumentos salariais de 4,5 por cento e um prémio extra de 600 euros para um universo de cerca de 130 mil trabalhadores.
Aos poucos a administração tem dados sinais de cedência. Embora altos responsáveis continuem a afirmar que a DB «não cederá a chantagens», a verdade é que já admitem negociar um contrato colectivo em separado para os maquinistas, acenando-lhes com uma valorização remuneratória de 10 por cento, bem acima do que negociaram para os restantes sectores.
Mas o GDL não dá como esgotado o processo reivindicativo e ameaça continuar as paralisações parciais, admitindo mesmo lançar-se numa greve total prolongada, evocando os efeitos da última grande luta realizada pelos ferroviários alemães em 1992 que durou dez dias.
Neste braço-de-ferro, apesar da aparente exorbitância das suas reivindicações, os maquinistas têm contado com o apoio da maioria da opinião pública. Segundo uma sondagem publicada no dia da greve, 57 por cento dos inquiridos manifestam compreensão pela sua luta.


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